
LIBERTADORES
Um jogo duro, com momentos de futebol arte e de futebol força, que foi decidido na malandragem. Depois de passarem vergonha na estréia, Coritiba e Olímpia resolveram mostrar na noite desta terça-feira, no Couto Pereira, por que estão representando seus países na Copa Libertadores de América.
O maior volume de jogo foi do Coritiba, que no primeiro tempo fez um com Capixaba e poderia ter feito mais um ou dois, tranqüilamente. O grande destaque foi o meia Igor: garra, velocidade, boa visão de jogo, passes precisos e lançamentos maravilhosos incendiaram a torcida. O problema é que seu fôlego acabou aos 30 min do primeiro tempo e ele foi "engolido" pela marcação. Daí para frente, o Coxa virou abóbora e voltou a ser aquele time limitado do Campeonato Paranaense.
Do outro lado, o tricampeão Olímpia mostrou que conhece os atalhos para ganhar a competição continental. Quando estavam muito mais próximos de sofrer o segundo do que de empatar, os paraguaios cobraram uma falta (assinalada equivocadamente) ainda com a bola rolando e Villalba saiu na cara do gol.
Apesar de deixar o torcedor um pouco mais animado com o bom primeiro tempo, o empate complica bastante a situação do Coxa na Copa Libertadores. Com apenas um ponto e saldo -3, o Alviverde é o último colocado na chave. Para piorar, o próximo compromisso é com a equipe mais forte do grupo, o Rosario Central... na casa dos argentinos.
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O Verdão entrou voando em campo, o que explica em parte o problema da falta de gás. Com exceção de Fernando (que não tinha permissão para tal), todos os jogadores correram à beça, marcando em cima o adversário e, muitas vezes, roubando a bola já bem próximo do alvo.
Logo aos dois minutos, Luiz Mário entrou na área livre pela direita e chutou cruzado. O goleiro Aceval fez excelente defesa. Pouco depois, Pepo perdeu uma chance incrível: Laércio pegou uma sobra na área e mandou, de letra, para trás. Pepo, a três passos da pequena área, pegou de sem pulo, e sem goleiro, mas mandou no travessão.
Depois de chegar com perigo em chutes de longa distância, o Coritiba marcou o seu gol aos 21. Igor cobrou falta, a zaga rebateu. Jucemar recuperou a bola e cruzou na cabeça de Capixaba, que tocou no canto direito.
Inexplicavelmente, a partir do gol o time tirou o pé e começou a chamar o rival paraguaio para o seu campo. Aos 23, Fernando fez uma das defesas mais espetaculares de sua carreira. Esteche recebeu cruzamento da direita e, sozinho, cabeceou com muita força, no ângulo direito. Fernando saltou e espalmou a bola para escanteio.
A resposta coxa-branca veio rápido. Luís Mário recebeu a bola entre dois zagueiros, colocou na frente e bateu na saída do goleiro. Aceval fez milagre e defendeu o chute.
E foi só para o Coxa no primeiro tempo. O jogo ficou morno. Os paraguaios passaram a tocar a bola sem muita pretensão, passando a (falsa) impressão de que estavam satisfeitos com o resultado, só esperando o fim do primeiro tempo.
Ledo engano. Como quem não quer nada, o Olímpia chegou lá. Aos 43, o árbitro marcou falta de Adriano, na esquerda. Os jogadores do Cori ficaram lamentando a marcação e não perceberam a entrada de Villalba que, livre, recebeu a bola e tocou na saída de Fernando: 1x1.
Na descida para os vestiários, a torcida fez a sua parte: aplaudiu o time e continuou cantando.
No segundo tempo, a partida foi mais equilibrada e com muita catimba. As chances de gol aconteceram em menor número, mas tanto o Cori quanto o Olímpia poderiam ter ficado com os três pontos.
Aos oito minutos, Capixaba formou fila no meio-campo e chutou da intermediária. A bola tocou no gramado e quase enganou o goleiro, que espalmou para escanteio.
Com cruzamentos muito ruins e criatividade zero, o Alviverde passou 20 minutos irritando o torcedor - e animando o Olímpia. Fernando teve de se virar para segurar o time paraguaio, que cruzou várias bolas perigosas na área.
Com a entrada de Éder, o Coritiba melhorou um pouco e voltou a freqüentar o ataque. Aos 30, o lance mais polêmico da noite. Éder cobrou falta com força e o goleiro paraguaio atrapalhou-se todo com a bola, parando dentro do gol - a bola, que é o que realmente importa, não cruzou a linha e o bandeira, acertamente, não correu para o meio do campo.
Aos 37, quase caiu de vez a casa coxa-branca. Mais uma bobeada da defesa em bolas aéreas e Cáceres subiu sozinho. A bola foi no canto baixo esquerdo e Fernando fez excelente defesa.
Nos últimos minutos, o Coritiba ficou bem próximo do gol da vitória. Aos 47, Éder cruzou e Reginaldo Nascimento desviou de cabeça, mas a bola foi em cima do goleiro. Aos 49, Éder cobrou falta de longe e a bola passou perto da trave direita.
O Coxa jogou com Fernando; Jucemar, Reginaldo Nascimento, Miranda e Adriano; Marcio Egídio, Pepo (Éder), Capixaba e Igor (Josafá); Laércio (Bruno) e Luís Mário.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)