
LIBERTADORES
A sobrevivência do Coritiba na Copa Libertadores da América depende de uma matemática simples: precisa de 9 pontos nos próximos 3 jogos, dois deles em casa e um fora, contra o Olímpia, do Paraguai. Façanha que parece bastante improvável para quem só conseguiu um ponto nos primeiros três confrontos.
Além de tudo isso, há ainda um tabu a ser quebrado: contando com os jogos de 1986, o Coxa nunca venceu fora de casa na Libertadores. Foram cinco jogos, dois empates, três derrotas.
A expectativa para o confronto com o Rosario Central na Argentina era a melhor possível. Depois de alguns jogos realmente sofríveis pelo Paranaense, o Coritiba dava sinais de ter encontrado um padrão de jogo razoável, suficiente para tentar surpreender a equipe local.
E talvez até fosse. Mas os jogadores escolheram a pior hora possível para ter uma recaída. Igor e Capixaba não apareceram para jogar e deixaram para Egídio e Ataliba a tarefa de municiar o ataque, além de fazer a marcação. É claro que não deu certo e o Coritiba pouco ameaçou o Rosario.
O pior é que o buraco no meio campo matou a zaga, formada pelo volante Reginaldo Nascimento e pelo excelente Miranda. Cada ataque dos argentinos deixava mais evidente a fragilidade desse sistema defensivo.
Com um gol em cada tempo, o Central garantiu a vitória por 2 a 0, chegou aos sete pontos e ficou muito perto da classificação para a segunda fase. O Sporting Cristal também pode chegar a sete, bastando vencer o Olímpia, que tem um ponto, em casa. O jogo acontece no dia nove.
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Como se esperava, o Rosario partiu com tudo para cima do Coxa, que mostrava um exagerado nervosismo na zaga, adotando constantemente o "chutão" para se livrar do perigo. Apesar disso, a primeira boa chance foi do Coxa. Aos cinco minutos, Luiz Mário fez boa jogada pela direita e foi à linha de fundo. Ele cruzou, mas Laércio não alcançou a bola e perdeu grande chance.
No contra-ataque, o Coxa devolveu o susto. A bola foi cruzada da esquerda e Miranda cabeceou contra o patrimônio, à queima-roupa, no canto direito. Fernando fez uma defesaça, no reflexo.
Aos 17, Luiz Mário assustou mais uma vez o Central, chutando forte de fora da área. O goleiro Ganoa defendeu em dois tempos, no canto direito.
Foi depois deste lance que o Coxa caiu de produção, principalmente defensivamente, e o time da casa cresceu. Aos 21, Papa fez jogada pela esquerda e cruzou na medida para Herrera. O atacante, porém, cabeceou torto e perdeu um gol incrível.
Aos 25, o Coxa teve escanteio cobrado da esquerda. Reginaldo Nascimento ficou com a sobra, na área, e foi claramente derrubado. Na seqüência, Luiz Mário também levou uma rasteira, mas o árbitro nada marcou.
A pressão argentina continuou e, aos 29, o Rosario chegou a marcar com Herrera, de cabeça. O árbitro Gustavo Mendez, do Uruguai, marcou falta em cima de Adriano e anulou o gol.
Em vez de ficar lamentando a marcação do árbitro, como costumam fazer os times brasileiros, o Rosario pegou moral e voltou a atacar com artilharia pesada. O miolo da zaga coxa-branca deu uma tremenda bobeira e Pablo Sanchez recebeu a bola sozinho, na entrada da área. Adriano ainda chegou a tempo para a cobertura, mas furou incrivelmente e Pablo, de bico, cutucou no canto direito de Fernando: 1x0.
Aos 36, o Coritiba quase chegou ao empate num lance plástico de Adriano. O lateral driblou três jogadores e, da entrada da área, mandou um tiro muito bonito, mas a bola passou raspando o travessão e foi para fora.
Do final do primeiro tempo até os 30 minutos do segundo tempo, o Coxa dominou o jogo. Mas sem o menor poder de penetração, limitou-se a tocar a bola para o lado e fazer lançamentos para Aristizábal e Luiz Mário, que apanharam muito e pouco produziram.
A única boa chance criada pelo Coxa antes de sofrer o segundo gol saiu de uma jogada de linha de fundo de Adriano. Ele cruzou fechado e o goleiro largou a bola, mas Ari não conseguiu empurrar para as redes.
Aos 30, num dos contra-ataques encaixados pela equipe argentina, Reginaldo Nascimento facilitou no meio-campo e perdeu uma bola boba. Herrera ficou com ela, foi até a entrada da área, cortou para o meio e chutou cruzado: 2x0.
Um minuto depois, Capixaba recebeu cruzamento de Adriano de frente para o gol, livre, mas pegou de canela na bola e mandou na torcida.
Daí em diante, o Coxa fez exatamente o que fez quando foi goleado pelo Sporting, no Peru: jogou a toalha e ficou dez minutos rezando para terminar o jogo sem levar mais gols.
A pergunta que não quer calar: se esses jogadores tivessem sofrido durante 18 anos por uma nova chance na Libertadores - como os torcedores do Coritiba - será que o desempenho seria o mesmo?
O Coxa foi a campo com Fernando; Jucemar, Miranda, Reginaldo Nascimento e Adriano; Márcio Egídio, Ataliba, Capixaba e Igor (Éder); Luiz Mário (Bruno) e Laércio (Aristizábal).
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)