
ÍDOLO
Nesta segunda-feira, 22, o Coritiba voltou a ter seu nome divulgado em destaque pelo site da FIFA. Depois de Keirrison, desta vez quem fez questão de levar o nome do Verdão ao mundo foi o meia Alex, formado nas categorias de base do clube, hoje defendendo o Fenerbahçe, da Turquia.
O craque - e colunista honorário do site COXAnautas - afirmou que tem futebol para estar na seleção brasileira, além de ter reiterado sua vontade de encerrar a carreira defendendo o Coritiba. Confira abaixo a tradução da matéria na íntegra, contendo a entrevista do meia à FIFA:
O Brasil produz tantos jogadores de qualidade todo ano, que acaba não sendo fácil se destacar. Um homem que conseguiu isso, contudo, foi Alexsandro de Souza, um dos raros armadores que usam a inteligência, esperteza e técnica, em vez da força, para deixar seus jogadores em condições de realizar boas jogadas.
Um incontestável ídolo com três camisas de times brasileiros, Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro, Alex está atualmente na sua quinta temporada com o Fenerbahçe da Turquia, tendo ganhado a admiração dos apaixonados torcedores do clube. O site FIFA.com conversou com o talentoso jogador de 31 anos sobre seu clube e sua carreira internacional, além de sua particular e especial maneira de ver e analisar o futebol.
FIFA.com: Alex, freqüentemente se ouve falar que além de você e Riquelme, não existiriam mais clássicos camisas 10 no futebol atual. Você concorda com essa análise?
Alex: Apesar de ser verdade que essas características têm se tornado mais difíceis de serem encontradas nos jogadores atuais, existem um ou dois outros além de Riquelme e eu. Ainda assim, o número de jogadores que fazem essa função caiu muito por causa dos caminhos que o futebol moderno seguiu, e existe um pouco menos de espaço para essas habilidades no jogo hoje. À parte do estilo, tática e desenvolvimento do jogo, entretanto, jogadores com qualidade ainda podem ter sucesso se adaptados ao jogo moderno, e isso se aplica a mim, a Riquelme e a qualquuer outro jogador nessa situação.
Que mudanças táticas conduziram à quase-extinção de armadores como você?
Alex: Existem vários fatores, no meu modo de ver, como melhor preparo físico e menos espaço. Além disso, há não muito tempo se podia ver zagueiros avançando mesmo em times que usam alas. Atualmente você vê muitos times com uma primeira linha de quatro jogadores cuja função é puramente defensiva, e isso permite à segunda linha de quatro jogadores uma função diferente, também. Depende muito do técnico também, o que ele quer e o que ele vê do jogo. O que mais mudou foi a forma como os que comandam - os técnicos - pensam.
Fica evidente que a parte tática do jogo lhe interessa muito. É possível que o vejamos treinando equipes algum dia?
Alex: Eu nunca pensei em ser treinador, pelo menos até agora. Talvez quando eu parar de jogar eu me abrace a essa idéia, mas no momento é algo que eu não planejo fazer. Eu sempre gostei da parte tática porque as pessoas sempre me perguntam o que eu faço. Eu sempre ouvia coisas como 'a maneira que o Alex joga não ajuda o time. Ele dá ao adversário uma vantagem'. Por causa disso eu passei a ter uma visão mais ampla do jogo, passei a pensar além do meu papel específico e nas coisas que eu poderia fazer para ajudar o time. Então, o que eu fiz foi procurar respostas e tentar entender os conceitos gerais que envolvem uma partida de futebol.
Vanderlei Luxemburgo o definiu como um 'jogador exigente', porque você sempre pedia explicações sobre o time e seus adversários. É verdade que você costumava sentar e conversar com ele sobre as coisas e depois passava as informações ao resto do time?
Alex: Sim, eu gosto de buscar e informações, e quanto mais as tenho, melhor. Eu sei que o técnico deveria falar a maior parte das coisas ao grupo, mas eu gosto de contribuir com coisas novas que podem ser úteis. O importante é que o time as use. Claro que essas coisas podem mudar devido à qualidade e aos talentos individuais dos jogadores (adversários), mas via de regra não há dúvida que ter informações dos oponentes ajuda.
Você trabalhou com os dois técnicos brasileiros mais vitoriosos nas últimas décadas, Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Eles têm maneiras diferentes de ver o jogo?
Alex: Completamente diferentes. Eu trabalhei por quatro anos com cada um, e ambos são vencedores. Eu me identifico mais com a abordagem do Luxemburgo. Acho que o Vanderlei tem uma visão do jogo mais parecida com a que normalmente se vê no Brasil, enquanto Scolari tem uma maneira mais "européia" de ver as coisas.
Você foi considerado o melhor jogador do Brasil em 2003, após vencer o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Brasileirão pelo Cruzeiro. Aquilo foi apenas um ano depois de você não ter sido convocado para a Copa de 2002. Você ficou desapontado por não conseguir estar entre os convocados?
Alex: Hoje não me incomodo. Na época fiquei bastante chateado com isso, é claro. Eu havia jogado durante toda a eliminatória, e Scolari me conhecia bem, pois eu joguei com ele por bastante tempo. Mas agora isso faz parte do passado. Ele tinha outras opções, fez o que achava certo e foi isso.
Você sente que ainda tem algo a provar com a Seleção Brasileira?
Alex: Não, de maneira alguma. Eu acho que ainda estou jogando bem o bastante para voltar voltar à seleção, e se isso vier a acontecer um dia, então ficarei muito feliz em voltar. Existem muitas opções a serem consideradas quando se convoca a Seleção Brasileira, então às vezes a decisão vai a seu favor, às vezes não. Você tem que respeitar isso, porque as decisões invariavelmente envolvem jogadores de muita qualidade. Não vejo isso como algo que eu ainda tenha que provar. No que diz respeito à Seleção Brasileira, não vejo qualquer questão mal resolvida.
Algumas pessoas acreditam que se você estivesse jogando outra liga européia de mais destaque, as coisas poderiam ser diferentes. O que você acha disso?
Alex: Não há dúvida que os maiores campeonatos nacionais da Europa são muito mais populares e têm mais destaque que a liga turca. Tenho mantido o mesmo nível desde que estava no Cruzeiro, em 2003, mas muita gente não sabe disso. Quanto a isso mudar minha situação na Seleção, não saberia dizer se teria feito muita diferença, porque eu estive jogando muito bem no Cruzeiro por um longo período e ainda assim não tive muitas oportunidades. O Parreira tinha outras opções, na época.
Você vem de um país que ama futebol. A paixão dos torcedores turcos o pegou de um pouco de surpresa?
Alex: Muito. Superou todas as minhas expectativas. O povo brasileiro gosta muito do seu futebol, mas para os turcos é algo muito mais importante do que qualquer outra coisa, e muito mais importante do que no Brasil ou em qualquer outro lugar que eu já joguei. Simplesmente não há como descrever a maneira que o povo turco sentem o futebol. É preciso ser turco para entender.
O único contato que a maioria das pessoas têm com o futebol turco é através das competições européias (Liga dos Campeões e Copa da UEFA), mas como é o nível técnico lá, comparado com o futebol que se vê no Brasil?
Alex: É completamente diferente. A principal diferença é que no Brasil se gosta mais da técnica e da qualidade individual. É muito difícil jogar aqui e é uma adaptação muito difícil. O Campeonato Brasileiro é mais bonito de assistir, mais artístico, mas é muito mais difícil jogar na liga turca.
E o que você aprendeu nas suas quatro temporadas na Turquia?
Alex: A liga é muito organizada e funciona muito bem, mas é preciso entender como eles vêem o futebol aqui. Se você olhar como um brasileiro, pode não parecer um padrão muito alto. Assim como se um turco olhar o Campeonato Brasileiro, provavelmente dirá que algo não está certo e que não gosta dele. Isso foi o que eu aprendi durante minhas quatro temporadas aqui, que nós brasileiros vemos o futebol de uma maneira diferente dos europeus.
Por fim, você ainda pretende encerrar sua carreira no Coritiba?
Alex: Tudo depende da minha situação ao final do meu contrato. Dependendo do que acontecer até lá, aí começarei a pensar sobre quando voltarei para o Brasil. Mas não há dúvida, entretanto, de que eu ainda penso em encerrar minha carreira no Coritiba.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)