
PALAVRA DO OMBUDSMAN
Foi uma semana de confrontos diretos para tentar viabilizar de vez o retorno do Coritiba à Série A.
Seis pontos disputados, apenas 2 ganhos. Ou 4 perdidos, como é o caso de quem precisava muito ampliar seus ativos.
A cada rodada, o ceticismo da torcida vai se transformando em pessimismo.
Mais um pouco, irá virar inconformismo...
O site COXAnautas refletiu, reflete e irá refletir esse estado de espírito.
Continuamos fiéis ao nosso propósito: ser o grito do torcedor no ambiente silencioso da websfera.
O site continua buscando o ponto de equilíbrio determinado pela temperatura média das arquibancadas. Entre os incendiários do “já era” e as polianas do “ainda dá”, os COXAnautas são unanimidade: estão do outro lado.
Isso é ótimo: enquanto desagradarmos a ambos, nossa isenção estará devidamente avalizada.
O processo de impeachment do presidente do Coritiba teve fato novo na semana: o autor da denúncia, o ex-presidente Evangelino da Costa Neves, recuou e retratou-se publicamente das acusações de falsidade documental.
Atônitos, os torcedores não sabem mais em quem acreditar e se perguntam qual teria sido o propósito do ex-presidente Neves quando formalizou a denúncia.
Os COXAnautas não entraram nem vão entrar no mérito da questão. Pouco importa qual era o objetivo de um e qual foi a estratégia de outro. Importa, sim, saber se houve algum tipo de irregularidade nas últimas eleições do Clube.
Uma nota de posicionamento do site deixou bem claro que estamos interessados unicamente na verdade.
Por escrito, o presidente do Conselho, Julio Militão, garantiu que o episódio “não comportará saídas políticas”, isto é – e em bom português, não vai terminar em pizza.
Militão informou que as diligências e as investigações acerca da autenticidade das assinaturas do ex-presidente Neves vão prosseguir normalmente, independentemente de retratação.
É tudo que se espera e tudo o que o torcedor quer.
Que responsabilidades sejam apuradas e, se das investigações resultarem culpados, que sejam devidamente punidos.
Para ilustrar uma notícia sobre o processo de impeachment que está em curso no Conselho Deliberativo do Coritiba, o site colocou no ar durante a semana uma arte (banner) que o Ouvidor considerou panfletária.
No mesmo quadro, a palavra “impeachment” em letras garrafais e, ao lado, o rosto do atual presidente Giovani Gionédis.
Obviamente, todo torcedor Coxa-Branca sabe que existe um processo em tramitação que pede a decretação do impedimento do atual presidente por alegada fraude documental.
E não há dúvida de que as novidades relacionadas a esse processo são notícias que chamam a atenção do torcedor e merecem a máxima seriedade por parte do site.
Da forma como foi idealizada, a ilustração ou banner aplicado à matéria passava ao leitor a sensação de um selo de compromisso e de posicionamento dos COXAnautas.
Para ficar bem claro: o site COXAnautas não será a favor do impedimento de ninguém até que as investigações sejam concluídas e as responsabilidades, apuradas.
Não somos a favor de ninguém. Somos apenas torcedores e nosso compromisso é com a torcida. E só.
E a torcida só quer a verdade.
O site não deve imputar culpas nem sentenciar ninguém até que as pessoas processualmente encarregadas de fazê-lo se manifestem.
Não vamos atribuir culpa a ninguém antes da hora, mas cobraremos implacavelmente a verdade.
Solicitei a retirada da referida ilustração.
Torcedores continuavam indignados com a inação da diretoria em reduzir o preço dos ingressos para encher o Couto Pereira na partida contra o Náutico.
Uma proposta que deu o que pensar foi a de um torcedor que sugeriu aos jogadores que “adotassem” torcedores pagando o seu ingresso...
Funcionaria assim: os jogadores dariam espontaneamente uma importância qualquer que seria transformada em ingressos a serem distribuídos entre os torcedores.
Proponho abstrair do raciocínio a logística de onde distribuir os ingressos sem provocar tumulto e quais os critérios para distribuição. Proponho, mesmo, abstrair da consideração a possibilidade de o dinheiro arrecadado subsidiar parcialmente os ingressos: em vez de distribuí-los, vendê-los pela metade do preço duplicando o total de torcedores beneficiados.
Consideremos apenas a questão central: os jogadores precisariam querer patrocinar os torcedores, colocando a mão no próprio bolso.
Você ainda acha que essa idéia poderia emplacar?
Soube de muitos torcedores que fizeram isso. Além do seu ingresso, compraram um ou mais de um para presentear torcedores amigos que, do contrário, não iriam.
Foi assim que a torcida “que não sabe torcer” ocupou mais da metade do Couto numa terça-feira complicada, com chuva e antevéspera de pagamento...
A torcida quer subir.
Dirigentes e jogadores, não.
Os conhecimentos de futebol do Ombudsman foram questionados e severamente criticados por um leitor na semana – novamente à saúde da constatação de que o Coritiba passou a jogar na retranca.
Para meu infortúnio pessoal, foi o Coritiba jogar na retranca e o time vencer o Vila Nova por 5 a 1...
Bom, depois desse resultado, disse o torcedor: “Estava na cara que faltava marcação no meio e que não interessa o adversário, mas sim a característica do time dentro de campo, pois se o time for fraco é só adiantar a marcação. O Paulo Miranda estava jogando de primeiro volante, coisa que ele nunca foi, e se foi era bem mais novo. Ricardinho e Andrezinho são fracos na marcação, mas são bons de ataque. O Caio joga de atacante, sim, e o Edu Sales foi a única opção de ataque. Se esse time é uma retranca, então que seja assim, pois é preferível ver o time assim do que aquela coisa que tomava gol até do Guarani”.
Ele disse isso tudo antes dos jogos contra Náutico e América/RN, jogos que o Coritiba necessitava vencer e não venceu.
Argumentos a propósito do jogo contra o Náutico: o Coritiba foi melhor todo o tempo e não deixou o adversário jogar, a trave salvou três vezes e o árbitro não deu um pênalti escandaloso em André Nunes.
E tomou um gol, apesar de tanta gente na defesa.
Argumentos a propósito do jogo contra o América: o Coritiba precisava ganhar, jogou dez minutos e perdeu dois gols. E nos demais 80 minutos morreu de medo de perder, exatamente como o América.
Só que o América está na nossa frente.
O Ombudsman dos COXAnautas pode não entender patavinas de futebol, mas sabe ver a diferença entre adversários fracos e fortes e percebe quando o time quer ganhar ou não.
O leitor e torcedor Eduardo Alves Corrêa chama a atenção do site – com integral razão – para uma notícia veiculada no dia 3 cujo título distorcia o que havia sido declarado pelo jogador Paulo Miranda.
O jogador, que nunca foi unanimidade entre o pessoal dos COXAnautas como um símbolo de garra, empenho, técnica e vontade, disse à Gazeta do Povo: “Eu tenho certeza de que se chegarmos ao jogo com o Avaí (última rodada) dependendo só da gente, estaremos na Primeira Divisão”.
Para os COXAnautas, foi o suficiente para tirar a seguinte conclusão – e transformá-la em título: “Paulo Miranda tem certeza do acesso à Série A de 2007”.
Lembrei-me da piada do português que, testando a tese do Raciocínio Lógico, já tirava todas as conclusões caso o sujeito não tivesse um aquário em casa.
Pessoal da redação, quero que vocês leiam duas vezes o que disse Paulo Miranda e o que foi colocado no título da matéria.
Eu também não gosto dele como jogador, nem queria ele no Coritiba.
Mas o que a gente acha não é razão para torcer uma declaração dele e noticiar algo que apenas satisfaça nossa vontade de esculhambar com ele.
Fidelidade com a informação é um princípio que temos o dever de abraçar e praticar também.
Eduardo, em nome do site COXAnautas, obrigado.
Algumas colocações da coluna do Ombudsman veiculada na semana passada (29 de outubro) mereceram a atenção do leitor e torcedor Alexandre Crivelli, que ofereceu a elas reparos – pelos quais agradecemos.
Reproduzimos as colocações feitas no original, as considerações de Alexandre e, em seguida, a tréplica do Ombudsman.
Ao Alexandre, desde já quero deixar disponível espaço para considerações adicionais que julgue oportuno fazer.
(Ombudsman) "Já aos conselheiros foi concedida anistia nas mensalidades, além de ônibus grátis à disposição para ver o jogo contra o Paulista de Jundiaí”.
(Alexandre) Não foi a diretoria que concedeu anistia aos conselheiros, a anistia foi proposta e aceita pelos próprios conselheiros. A proposta foi aprovada por unanimidade e visava preservar os antigos conselheiros vitalícios. O estatuto vigente à época ordenava que todos os conselheiros deveriam ser eleitos pelo voto dos associados e conseqüentemente pagar a mensalidade. Por esse mesmo estatuto, foi criado um período de transição entre as regras no biênio 2006/2007. Como muitos conselheiros vitalícios, que já não pagavam mensalidades, não teriam a condição de voltar a pagar, ficou decidido que no período de transição não haveria a cobrança de mensalidade. É bom lembrar também que da maneira como a informação é colocada a impressão que se passa é de que os conselheiros ficaram isentos também das suas contribuições de sócios, o que não é verdade. Todos os conselheiros continuam pagando as suas mensalidades de sócio nas mesmas condições dos outros sócios do clube. A informação dos ônibus colocados de graça também deixa transparecer que foi só para os conselheiros. Meia verdade ou meia mentira. Os ônibus foram colocados à disposição dos conselheiros, sócios, proprietários de cadeiras e funcionários do clube que estivessem dispostos a viajar para Jundiaí.
Ombudsman diz: se a anistia da contribuição foi proposta para beneficiar os velhos conselheiros vitalícios que já não tinham como se pôr em dia, por que ela não se restringiu a eles? E por que não até uma determinada data, a partir da qual eles voltariam também a pagar? E os conselheiros não vitalícios, pagam a contribuição ou se tornaram “velhos” também? E com a anulação do novo Estatuto e revalidação do antigo, por que permanece a anistia? Até onde vai a “transição”? Essa “transição não era entre o velho Estatuto e o novo? E agora que voltou a vigorar o velho Estatuto, ainda há transição? Quanto à alegada “mesmas condições dos sócios” no que diz respeito ao pagamento das mensalidades, não é verdade que os conselheiros gozam de privilégios como acesso ao CT e cadeiras superiores que os sócios não têm? Já com relação aos ônibus, reconhecemos como verdadeira a informação de que a viagem a Jundiaí foi franqueada a conselheiros, sócios, proprietários e cadeiras e funcionários do clube. E sobrou lugar, segundo soubemos. Já a torcida pagou para ir, com alguma subvenção ou sem nenhuma subvenção, como foi o caso do ônibus dos COXAnautas.
(Ombudsman) "O leitor diz que Gionédis está recuperando financeira e patrimonialmente o Coritiba. Essa é uma história ainda repleta de buracos negros e que um dia deverá ser contada em detalhes. Em se confirmando, ótimo”.
(Alexandre) Quais buracos negros? O Coritiba no começo da gestão GG devia aproximadamente 50 milhões de reais. No final de 2006 as dividas não devem ficar em 20 milhões de reais. Nesse período foram pagas as dividas com diversos bancos, sendo a do Bradesco a maior delas e que trazia risco direto de perda de patrimônio. Sobraram as dividas com o INSS, alguns acordos trabalhistas e com um ex-presidente nosso. Dívidas trabalhistas que, diga-se de passagem, não foram da gestão GG. Na área patrimonial, alem da remodelação do Couto ainda foram adquiridos 2 ônibus e 1 chácara com o intuito da construção de um novo CT para os jogadores profissionais, liberando assim o nosso CT da Graciosa somente para as categorias menores. O Coritiba publica o seu balanço anual, como manda a lei, devidamente auditado por uma consultoria independente, pelo Conselho Fiscal do clube e aprovado pelos conselheiros.
Ombudsman diz: a conta não é minha, mas alguém já calculou em R$ 20 milhões o custo (ou a receita não realizada) de mais um ano de permanência do Coritiba na Série B – expectativa que, infelizmente, se consolida a cada rodada. Será que não estamos a caminho de voltar a inteirar os mesmos R$ 50 milhões logo, logo e ainda servindo de motivo para pilhérias e chacotas de todo mundo? A mencionada dívida com o INSS não grava o CT da Graciosa tanto quanto gravava a dívida com o Bradesco e com idêntico risco de perda de patrimônio? Não nego as conquistas e as aquisições da atual gestão, mas pergunto quem fiscaliza o Coritiba S/A? Seria o Conselho Fiscal? Mas não é o Clube quem detém a maioria das cotas? E a auditoria independente, quem paga seria o Conselho Deliberativo, instância suprema das deliberações a respeito do Clube, como o próprio nome deixa sugerir? Em que jornal de grande circulação (eu disse “de grande circulação”) é publicado o balanço do Coritiba S/A? A propósito, o Estádio Major Antônio Couto Pereira pertence ao Coritiba Foot Ball Club ou ao Coritiba Futebol S/A? Teriam os acionistas do Coritiba S/A (incluindo pessoas físicas) direito a alguma participação ou fração ideal do patrimônio do Coritiba Foot Balll Club? Poderiam os acionistas do Coritiba S/A, na eventualidade de um dia se cansarem da brincadeira, ir embora e largar o Coritiba Foot Ball Club sem estádio e outros bens?
Alexandre, você sabe o respeito que lhe devoto. Mas me inquieto por saber que um dos buracos negros do Coritiba é o próprio Coritiba. O da sociedade anônima.
Malhadas Jr
xxx
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)