
MUNDO
Os sites da BBC Brasil, Folha de S. Paulo, Terra, iG, UOL e Gazeta Esportiva destacaram matérias sobre a preocupação que as autoridades européias estão tendo com a possibilidade de grupos de hooligans de países do Leste Europeu irem até a Alemanha, durante as disputas da Copa do Mundo, para promover brigas e badernas.
As autoridades estão investigando grupos de neonazistas da Polônia, República Checa, Croácia e Sérvia (que está no grupo do Brasil) que têm mantido contato entre si, conforme noticiou o jornal britânico Sunday Times.
A hipótese de que estes grupos se unam para desafiar os hooligans da Alemanha, Inglaterra e Holanda, numa medição de forças entre Leste e Oeste europeu de quem seriam os "mais temidos".
A gravidade da situação ganha amplitude na medida em que os confrontos, podem acontecer tanto nas intermediações dos estádios onde serão realizados os jogos de maior risco, como pelas ruas, estações de trem e de metrô das cidades alemãs, reeditando confrontos que aconteceram em outras ocasiões, em outros países, quando de encontro de selecionados ou times europeus.
O maior problema enfrentado pelas autoridades alemãs é a falta de conhecimento sobre os principais grupos poloneses, checos e croatas. As autoridades já tem conhecimento sobre a atuação dos grupos oriundos da Inglaterra e Holanda, além dos da própria Alemanha. Cerca de 4 mil hooligans ingleses estão impedidos pela Justiça de viajar até a Alemanha.
“Os hooligans de países como Inglaterra e Holanda nós já conhecemos, mas ainda sabemos pouco sobre a organização desses grupos na Europa do leste”, diz Michael Bede, coordenador do esquema de segurança em Berlim
durante a Copa.
“Nós estamos em contato até com colegas do México, Argentina e Brasil”, diz Michael Freistein, um policial que trabalha na Central de Informações para o Esporte da Alemanha.
A versão online da revista alemã Der Spiegel alerta para os hooligans da Polônia, país vizinho à Alemanha. A proximidade entre os países, que estão no mesmo grupo na primeira fase no mundial e um recente conflito, que foi marcado pela Internet, entre e alemãs, ocorrido em março são fatores que agravam o risco de conflitos.
Um dos problemas operacionais para evitar que entre os 30 mil poloneses esperados na Copa do Mundo encontrem-se hooligans do Wisla Kraków, do MKS Cracovia SSA, do Legia Warszawa e o KSP Polonia Warszawa, é que muitos poloneses trabalham no país vizinho.
Os maiores grupos holligans da República Checa são o Banik Ostrava, o Sparta Prague o FC Brno (todos de ultra-direita) têm ligações com holligans ingleses dos times do Chelsea, Millwall, Liverpool e Sheffield United.
Na busca da solução para os problemas do hooliganismo, a fiscalização nas fronteiras alemãs foram ampliadas. Cidades como Colônia e Hamburgo criaram cadeias específicas para receber os torcedores violentos. Outra medida que está sendo estudada pelos alemães é a instauração dos julgamentos sumários para hooligans que promoverem desordens, que deverão ser deportados poucos dias depois de serem presos.
A aplicação destas medidas deverá inibir a ação violenta nos jogos da Copa do Mundo. A interatividade entre as centrais de inteligência das polícias européias, principalmente a alemã e as da Grã-Bretanha, que desde o final da década de 80 estabeleceu metodologias ríspidas contra o hooliganismo é um fator positivo para a segurança dos turistas de todo o mundo que dentro de pouco mais de um mês estarão na Alemanha.
Xenofobia e ódio racial
Um fator que amplia o risco de confrontos é a ligação existente entre grupos de neonazistas dos países europeus. Na República Checa, cerca de 10 mil neonazistas tem uma atuação ativa. Organizados, seja em grupos políticos-partidários, seja em grupos de skinheads, os radicais de extrema direita tem contatos com grupos neo-nazistas da Alemanha e da Inglaterra.
A violência contra ciganos, negros, imigrantes, homossexuais, anarquistas e punks é uma triste realidade no cenário europeu. Recente matéria do site DW.World noticiou que organismos internacionais estão preocupados e se mobilizaram para evitar a violência contra os turistas africanos. O Conselho Africano, uma organização comunitária africana na Alemanha, compilou o guia para os turistas, alertando sobre áreas de risco extremo para os visitantes (algumas áreas de Berlim e cidades como Leipzig e Dresden), onde grupos neonazistas e extremistas de direita tradicionalmente se encontram.
O guia menciona especialmente os subúrbios berlinenses de Hellersdorf-Marzahn, Köpenick e Pankow, e as ruas em volta das estações de trem Ostkreuz e Lichtenberg como potenciais áreas de perigo para os visitantes. Na publicação, os Estados de Brandemburgo e Saxônia-Anhalt, no Leste, também receberam menção especial devido à existência de grupos neonazistas e de extrema direita nestas áreas.
Mais riscos
Outra preocupação das autoridades alemãs é com a partida Irã x Angola, em Leipzig, no dia 21 de junho. Marcada para uma cidade onde os grupos neonazistas, impulsionados pela cultura do ódio e discriminação, aliados aos problemas sociais nas parcelas mais jovens, na qual o desemprego está muito presente, a partida ganha ares de risco.
Grupos de extrema direita anunciaram planos de demonstrar seu apoio aos comentários do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de que o Holocausto não teria existido e que Israel deveria ser "varrido do mapa". Outro problema. E dos grandes.
Outro fator de risco é a presença da torcida holandesa, especialmente os fãs do Ajax, time que tem em sua origem, a colônia israelita.
Durante as eliminatórias da Copa, em outubro do ano passado, confrontos entre torcedores da Bósnia-Herzegovina e da Sérvia-Montenegro aconteceram em grande escala, com 17 bósnios feridos depois que um grupo de sérvios furou a proteção policial e invadiu a área destinada à torcida da Bósnia.
A somatória destes problemas sociais, políticos e culturais, faz da Copa do Mundo uma área de ebulição. Partidas como Inglaterra x Trinidad Tobago (Grupo B) e as do grupo C, que tem Argentina, Costa do Marfim, Sérvia e Montenegro e Holanda, e do Grupo E, com Itália, Gana, Estados Unidos e República Tcheca podem transformar-se em jogos de risco para o confronto antes e depois dos jogos, devido às características dos seus torcedores.
Revanchismo
O clima de revanchismo entre torcidas de boa parte das seleções européias é histórico, vindo da década de 90. Confrontos entre ingleses, alemães, turcos, italianos, poloneses, russos e holandeses ocorreram várias vezes, em diversos países daquele continente.
Atualmente, os hooligans da Croácia têm trazido muitos problemas. Num jogo aparentemente sem risco algum, durante as eliminatórias da Copa, mais de 100 croatas foram presos após destruir um estádio em Malta, país de pouca tradição no futebol mundial.
Cenas de uma violência impressionante aconteceram após o empate de Malta (1x1), há quinze minutos para o fim do jogo. Um grupo de vândalos croatas destruiu parte do estádio, lançando cadeiras contra os presentes na área Vip e camarotes. A violência atingiu até o vice-presidente da Federação de Malta, Ludovico Micallef, que foi atingido num olho, e o ministro Censu Galea também sofreu ferimentos.
As torcidas do Hadjuk Split e do Dínamo Zagreb são conhecidas pela atuação violenta na Croácia.
Conflitos dentro dos estádios
A violência dentro dos estádios é uma triste marca no futebol europeu. Os confrontos são muito maiores do que os que acontecem pelo Brasil. Os vândalos atiram sinalizadores no gramado, contra os adversários, policiais e nos jogadores. As invasões de gramado acontecem, com torcedores saindo de seus lugares para brigar com a torcida adversária. Os confrontos que trazem danos materiais nos estádios também são fatos que acontecem reiteradamente.
Na Hungria, por exemplo, jogos entre Ferencvaros e Ujpest, times de torcidas muito rivais, tiveram conflitos onde torcedores invadiram o gramado para desafiar os torcedores adversários. O clima entre os torcedores, alguns que torcem mais contra o adversário do que a favor do próprio time levam muito trabalho às forças policiais, que são obrigadas a agir com muito rigor.
Para minimizar o vandalismo, na Hungria, tornou-se prática comum os clubes contratarem seguranças particulares para coibir a ação violenta dos torcedores.
A rigorosa atuação policial nos jogos de futebol é rotineira nos jogos de maior risco. A polícia utiliza caminhões blindados, com mangueiras de pressão, qua jorram água contra os torcedores violentos, armas pesadas, cavalaria e canil e até gás de pimenta são utilizados para amansar os vândalos.
Fotos: www.hooligans.cz
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)