
UEFA
Com exclusividade para os COXAnautas, o cracaço Alex, imortalizado na camisa 10 do Coritiba, conta detalhes dos jogos contra o Sevilla, que garantiram a vaga do time turco do Fenerbahçe nas quartas-de-final do Liga dos Campeões da UEFA, fato histórico para os turcos.
Confira o artigo do meio-campista que conta um pouco dos bastidores das 'Batalhas pela UEFA':
Não tinha intenção nenhuma de escrever algo a respeito, mas, navegando pela internet como faço todos os dias, tive a alegria de ser parabenizado pela nossa vitória diante do Sevilla pelo Coxa-Branca, colunista do COXAnautas e meu amigo Ricardo Honório.
Ele me disse a seguinte frase: "Escreva a respeito da classificação. Matérias com você no COXAnautas são sempre bem acessadas, essa torcida te adora, você não tem nem idéia".
Isso me deixou mais feliz ainda, porque normalmente não imagino o carinho que as pessoas sentem por mim. Devido à frase do Ricardo resolvi escrever.
'Entramos para a história'
Antes mesmo da primeira partida começou a guerra com o Sevilla. O seu treinador veio em nosso estádio assistir a uma partida válida pela liga turca e após o jogo deu uma entrevista e saiu com esta: "Dentro do que vi hoje aqui, vamos ganhar aqui na Turquia e também lá na Espanha".
Nossa vontade de passar já era grande, com essa frase do treinador adversário somente aumentou. Já estávamos na história por ser o primeiro grupo de profissionais a colocar o Fenerbahçe na fase de oitavas de finais, mas queríamos e queremos mais.
Nossa torcida é reconhecida na Europa como uma das mais vibrantes, e na partida com o Sevilla não foi diferente. Conseguimos, com o apoio dela, chegar a 1x0 com uma linda jogada pela esquerda, que Mateja Kezman completou de cabeça.
Eles, pela qualidade que têm, não sentiram o baque e empataram numa infelicidade do Edu, que acabou fazendo o gol no primeiro tempo. Voltamos ao segundo tempo e logo no início num escanteio cobrado por mim, o Lugano apareceu livre e nos colocou na frente do placar mais uma vez.
Provamos do mesmo veneno minutos depois. Cobrança de escanteio, bola desviada no primeiro pau e gol do Sevilla.
O jogo seguia para empatar, mas numa bola esticada pela nossa zaga teve uma trombada na frente. A bola sobrou para mim, esperei a movimentação e achei o Semih, que dominou e chutou em diagonal fazendo 3x2 e nos dando a vantagem para o segundo jogo. Após o gol foi uma festa maravilhosa em nosso estádio e muita gritaria pelas ruas da Turquia.
Quando chegamos a Sevilla para o segundo jogo, encontramos uma cidade em clima de guerra. Estava mais para Libertadores do que pra Champions League. O presidente deles convocava seus torcedores para fazer do estádio um inferno e assim "torrar os turcos".
Se eles queriam incendiar o estádio com os pedidos intermináveis de seus dirigentes e seu treinador, eles conseguiram. Atmosfera espetacular na Espanha. Não é à toa que a torcida do Sevilla é considerada a mais vibrante e participativa da Espanha.
E, para aumentar isso, eles conseguiram fazer 2x0 em 10 minutos de jogo, em duas falhas grotescas do nosso goleiro.
Só dava eles e não conseguíamos trocar três passes, eles roubavam e vinham em cima de nós mais uma vez.
Precisávamos de um gol para entrar no jogo, senão passaríamos por sérias dificuldades na partida. E este gol veio num escanteio. Cobrei forte no primeiro pau, o Marco Mehmet Aurélio desviou e a bola sobrou livre para o Deivid empurrar para dentro e novamente voltarmos ao jogo.
Nem mesmo o gol do melhor jogador do continente africano, Kanoute, no fim do primeiro tempo nos tirou a confiança. Porque sabíamos que mais um gol igualaríamos tudo. No meio do segundo tempo, o Zico sacou um volante e pôs um atacante. Recuou-me para volante e começamos a pressionar e assim termos mais chances de chegarmos ao gol.
Chegamos ao gol mais uma vez em uma bola parada. Bati com força e o Deivid chegou solando a bola, que caprichosamente bateu na trave e voltou no pé esquerdo dele, que com raiva igualava o resultado.
Fiquei feliz com essa eliminatória porque reencontrei Luis Fabiano, Renato e Daniel Alves, meus companheiros de Seleção Brasileira em algumas passagens.
Fiquei mais feliz ainda por reencontrar Adriano.
Jogador de uma força muito grande, trabalha bem com os dois pés, bom no apoio e tem melhorado muito a marcação que é onde sempre foi muito cobrado. Trilhamos um caminho na base do Coxa, defendemos o Coritiba com muita satisfação, ele foi um pouco mais feliz porque pegou o clube um pouco mais estruturado e conseguiu ser campeão.
Fico muito satisfeito quando vejo jogadores formados pelo Coxa se darem bem em outros lugares, seja no futebol brasileiro ou europeu.
E isso ele conseguiu na Espanha. Tem representado muito bem a camisa Coxa fora do nosso país.
Adriano e eu dividimos uma bola no meio do segundo tempo, e acho que levei a pior. Senti uma dor abdominal muito forte e tive uma luxação no braço esquerdo. Corri com essa dor até onde deu e fui substituído quando faltavam seis minutos para acabar a prorrogação e já não suportava mais as dores.
Uma prorrogação sem muitas chances. Só fomos ter um susto no último minuto quando saiu uma falta na entrada da área e o Daniel Alves foi para a cobrança, mas também não tinha mais forças devido ao esforço enorme durante 120 minutos.
Fomos para as penalidades, e aí fomos mais felizes.
Volkan, nosso goleiro, deve ter tido o pior momento de sua carreira no início do jogo, mas com certeza o momento de felicidade ao pegar as penalidades foram bem maiores.
Agradeço à torcida e sei que ela é sincera. Boa sorte ao Coritiba no Paranaense e na Copa do Brasil.
Da mesma maneira que torcem por mim aí no Brasil, torço pelo Coxa aqui da Turquia.
Abraços e até mais.
Alex
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)