
CARTA
O COXAnautas recebeu, na manhã desta sexta-feira, 5, um pronunciamento de Alex sobre os recentes acontecimentos no clube. Mantendo a sua postura de sempre informar os leitores com precisão e clareza, o site abre as portas para ex-jogador e ídolo do clube.
O COXAnautas aproveita para reafirmar, também, que o canal segue aberto para que membros da atual gestão do Coritiba emitam suas versões. Confira, na íntegra, a carta recebida:
"Relação com o Clube
Antes de mais nada, queria agradecer ao COXAnautas por me liberar esse espaço.
Assim como qualquer outro torcedor do Coritiba, estou muito triste com nossa situação na tabela do Brasileirão mas mais triste ainda com o rumo que o clube tomou nesses primeiros meses dessa nova gestão. É um momento delicado e ainda muitas situações acontecerão ao longo de 2015.
Sempre acompanho todas as redes sociais possíveis. Vivemos um momento de liberdade de expressão absoluta e, muitas vezes até de maneira covarde, as pessoas atacam uns aos outros atrás de um teclado.
Como leio sempre o que está por aí nas redes sociais resolvi procurar o COXAnautas para escrever o que penso a respeito disso tudo. Não tenho a intenção de me defender de nada, porque realmente tenho a consciência muito tranquila em relação a tudo que fiz no clube. Enquanto jogador, nas duas passagens que tive, fui o que sempre fui em todos os clubes que joguei: comprometido com a história (o que era desejo do clube e de seu torcedor). Ganhei, perdi, acertei, errei e sempre coloquei o clube na frente de tudo. Minha história no futebol mostra isso.
Como torcedor Coxa me comporto da maneira como penso ser a correta. Sou sócio há mais de 10 anos e num período que nem em Curitiba estava. E sempre estou no Couto torcendo pelo nosso time.
Assumo sempre minhas posições de maneira bem tranquila. As situações que a mim pertencem eu assumo e dou a cara a tapa sem medo de qualquer posição contrária. As situações que terceiros me dão eu não assumo de forma nenhuma.
Voltemos um pouco ao fim de 2013. Escapamos em Itu com um gol do Luccas Claro. Em 2014 tive a alegria imensa de vencermos em Belo Horizonte o forte Atlético/MG e dar a chance ao clube, e sua torcida, de fazer uma festa lindíssima contra o Bahia. Tive uma despedida inesperada, lindíssima e emocionante! Terminei aquela partida como torcedor que sou: abraçado à minha família e correndo para abraçar o K9 quando ele faz o gol da vitória naquela linda tarde. Um vestiário forte manteve o clube na Primeira Divisão.
Aí aparecem uns que me chamam de corneta. Dou risada disso, porque nunca palpitei em nada no clube. Não indico, não veto, não negocio. O que defendo, e sempre defenderei é um conceito que é:
1) Formar o atleta;
2) Colocar para jogar em cima, no time principal;
3) Proteger o atleta; e
4) Negociá-lo.
É um conceito simples? O conceito é. A execução não! Mas dá para se fazer aos poucos. O clube não possui caixa para fazer grandes contratações, em contrapartida gasta demais nas categorias de base.
Quando falei a respeito da saída do Dudu, não defendi o Dudu Pessoa Física. Defendi o conceito do jogador formado em casa ter uma possível sequência. No caso Vaná, a mesma situação. Se ele não serve para jogar hoje no Coritiba, ele serve para o próximo ano? Se o Zé Rafael não serve pro nosso clube por que renovou o contrato? Se o Bonfim e o Ceará estão no grupo, por que o clube contrata um outro zagueiro para a reserva do Leandro Almeida e do Luccas? Essa é a minha tese! Se vamos encher o vestiário de jogadores que não irão resolver nosso problema, por que este não ser formado por nossa base?
Assumo que trabalhei contra a reeleição do presidente Vilson Ribeiro de Andrade de forma bem natural. O presidente Vilson tinha uma relação absurdamente desgastada com o futebol. O próprio Conselho mostrou, mais na frente, que as contas também não estavam em um bom caminho. Ele tem meu respeito porque pegou o clube em dificuldades enormes e assumiu de frente, mas eu faria de novo, tudo igual, porque acredito que a parcela dele como dirigente do clube já foi dada. Acertou e errou como todo e qualquer presidente.
Mas voltando à diretoria atual, minha participação é de torcedor e, às vezes, colaborador. Viajei à Turquia como colaborador para apresentar o clube a algumas empresas turcas. Contratos anteriores complicaram qualquer tipo de negociação nesse momento. Apresentei o Coritiba para três presidentes e dirigentes de clubes. Se vem parceria? Não vem! Os dirigentes foram apresentados e, se um dia se interessarem por alguém do clube, já têm um contato direto, o que no futebol de hoje é um ganho tremendo.
Por que não participo diretamente?
As pessoas fazem essa pergunta para mim quase que todos os dias. Não quero porque preciso estudar e me qualificar para fazer um trabalho futuro. Trabalhar no futebol necessita tempo, conhecimento e disposição.
Continuarei participando do clube como sempre fiz nos últimos 20 anos. Mas não ofereçam a mim nada que não me pertence. Sigo torcendo pelo melhor do clube, mesmo discordando de muitas decisões que tomaram ao longo desses seis meses.
Sera um ano complicado, mas seguirei lá acreditando e torcendo pela melhora do clube.
E aos que dizem que me escondi pelo mau momento do clube deixo o seguinte recado: Se não estou trabalhando fora de Curitiba estarei lá no meu lugar no Couto em todos os jogos. Estive sempre com o clube, e não com pessoas. Assim estarei sempre!
Saudações Alviverdes!
Alex"
Imagem: ESPN Brasil
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)