
PALAVRA DO OMBUDSMAN
Uma semana de altos e baixos na vida do Coritiba.
Começamos com a boa notícia da dispensa de Alberto e do afastamento de Jackson (que foi involuntário, é verdade – e uma pena ter sido por contusão: todos prefeririam que tivesse sido por opção tática, uma decisão soberana e monocrática de Paulo Bonamigo).
Seguiram-se os baixos da confirmação de uma meningite em Henrique, de uma nova contusão em Anderson Gomes e de uma segunda cirurgia em Keirrison.
Em seguida, outro baixo com o anúncio da escalação para o jogo contra o Vila Nova: todo mundo na defesa – com exceção de Caio, Cristian e Edu Sales, uma formação capaz de infernizar não o adversário, mas o pessoal da própria trincheira...
Ao mesmo tempo, mais um baixo com nova recusa da diretoria em promover redução no preço dos ingressos.
Mas a semana acaba com dois altos: a inesperada (e, pelo resultado, surpreendente) vitória por 5 a 1 em Goiânia e o anúncio da saída do diretor de marketing do Clube.
Claro que a saída do diretor de marketing não vai piorar em nada a delicada situação do Coritiba na Série B, que precisa fazer 13 pontos dos 18 ainda a serem disputados para assegurar uma vaga na Série A em 2007. Mas pode melhorar.
Se era ele a pitonisa que recomendava manter o preço dos ingressos para preservar a credibilidade das “promoções” do Clube (entre elas, não canso de exaltar aquela grotesca “Torcedor de Primeira”, um primor de irracionalidade e verdadeiro monumento ao desestímulo), o caminho está aberto.
Não dá mais tempo de nada para a partida de terça contra o Náutico (uma pena, pois será o verdadeiro jogo da vida do Coritiba em 2006), mas dá para pensar em algo para os jogos contra o Atlético Mineiro e o Avaí.
Do jogo contra o Vila Nova: cuidado com as aparências!
Nada como uma vitória por largo escore para dar a um time de futebol uma sensação de poderio que nem sempre é real.
A vitória foi importante? Claro que foi.
O Coritiba teve méritos? Claro que teve.
Mas o Vila Nova serviu como parâmetro para alguma consideração? Acho que não.
O Coritiba espera encontrar diante do Náutico os espaços que teve contra o Vila Nova?
Só os mais ferrenhos torcedores Alviverdes acreditavam numa vitória em Goiânia: time desfalcado, cheio de volantes, sem os dois melhores jogadores (Henrique e Anderson Gomes), atuando contra um adversário que fazia jogo de vida ou morte para fugir do rebaixamento para a Série C.
Se poucos acreditavam na vitória, só os delirantes podiam esperar por uma goleada.
Dos jogos que vi pela Série B neste ano, confesso que não lembro de ter visto equipe tão frágil e primária quanto o Vila Nova desta sexta-feira. Não assisti ao jogo do primeiro turno no Couto contra esse mesmo Vila Nova, mas imagino que ele tenha oferecido mais resistência...
O Coritiba começou pressionado, mas se deu bem não saindo atrás. Ao marcar o primeiro e, logo depois, o segundo, o Verdão obrigou o Vila Nova a abandonar qualquer cautela defensiva para buscar o resultado.
E mostrou méritos na defesa, onde o novato Leandro foi muito bem e compôs um miolo defensivo eficiente com Índio e Mancha. Um jornal ressaltou o número de bolas recuperadas por Leandro: bola recuperada na defesa é contra-ataque que pega o adversário saindo (Jackson vive demonstrando isso pra gente, perdendo dúzias de bolas a cada jogo...).
Andrezinho e Ricardinho – este, principalmente – fartaram-se no apoio ao ataque e até Paulo Miranda, com sua eterna disposição de baiana dos acarajés para correr atrás de uma bola, teve espaço para distribuir o jogo e fazer passes para a marcação de gols.
Mais à frente, Caio e Cristian tiveram a liberdade que jamais terão contra adversários mais gabaritados e Edu Sales, quem diria!, marcou dois gols num jogo e nenhum foi de pênalti.
Vitória boa, sim. São três pontos preciosíssimos.
Mas ela não pode ser enganadora: a continuar desse jeito, jogando o que jogou contra o Coritiba, o Vila Nova tem vaga assegurada na Série C em 2007.
De parecido com o Vila Nova, o Náutico só tem as cores...
A decisão da diretoria do Coritiba de não fazer qualquer tipo de promoção para reduzir o preço dos ingressos e permitir a mais torcedores acesso aos jogos restantes no Couto Pereira consegue causar surpresa e indignação ao mesmo tempo.
A surpresa fica por conta da empáfia e da arrogância demonstradas pelo Clube ao abrir mão de uma arma importantíssima – e que está sendo, ao contrário, muito valorizada pelos concorrentes às vagas para a Série A: o apoio da torcida.
E a indignação fica por conta das justificativas dada pela diretoria para não fazer concessões: como fica a estratégia de incentivar a fidelidade dos torcedores e como ficam os 2 mil torcedores que compraram os pacotes?
Pois bem, há diversos mecanismos que permitiriam não causar dano aos 2 mil que asseguraram vantagens antecipando renda comprando ingressos para toda a Série B. Um seria dar o Regional de 2007 de presente a eles. Outro seria reduzir agora o preço do ingresso até um limite ainda maior que o preço unitário pago no pacote.
Solução há. O que não há é boa vontade.
A diretoria diz que sua credibilidade junto ao pessoal do pacote (nada contra quem comprou: eles fizeram um bem ao Clube) depende de não mexer nos preços agora.
Eu entenderia se a situação fosse outra. O caso é que na atual conjuntura, em nome de pretensas fidelidade e credibilidade, a diretoria facilita a vida dos adversários e renuncia a uma arma que todos os demais (o Atlético Mineiro, por exemplo) vão ao limite para magnificar.
Se por uma desgraça o Coritiba não subir, duvido que metade dos 2 mil “pacoteiros” se interesse em fazer o mesmo para acompanhar a Série B de 2007.
O coordenador de futebol do Coritiba quer que os torcedores Alviverdes façam como os do Atlético Mineiro e compareçam em massa, lotando o Couto. Talvez ele não saiba que não há ingressos a R$ 15 para setor algum do Mineirão nos jogos do Galo.
Essa diretoria cobra do torcedor do Coritiba muito mais do que dá a ele.
Já aos conselheiros foi concedida anistia nas mensalidades, além de ônibus grátis à disposição para ver o jogo contra o Paulista de Jundiaí.
A atual diretoria implantou um regime de castas, criando no Coritiba duas categorias de torcedores: os torcedores de primeira classe e os torcedores que não sabem torcer – na definição lapidar com que nos brindou o famoso e cobiçado zagueiro Índio.
Um leitor escreveu ao Ombudsman no curso da semana objetando uma colocação da coluna do dia 22 que evidenciava diferenças no comportamento do atual presidente e do ex-presidente Evangelino da Costa Neves.
Escrevi: “Nas vitórias ou nas derrotas, esse presidente (NR: Neves) sempre estava nos vestiários depois dos jogos dando entrevistas e dirigindo sua atenção à torcida."
Escreveu o leitor que Giovani Gionédis também fazia o mesmo até o começo do ano, quando deixou de dar entrevistas e evitou “tumultuar ainda mais o ambiente”, pois ao menos deixou de disparar pérolas como chamar nossos jogadores de “pangarés”.
O leitor economizou-me o comentário. Evangelino, apesar de ter diretores de futebol muito mais atuantes, jamais se negou a fazer um comentário e nunca ofendeu nem jogador, nem torcedor.
Evangelino também teve oposição dos torcedores no final da sua gestão, mas nunca levantou um dedo (nem mesmo “aquele” dedo) para diminuir ou humilhar um torcedor.
O leitor diz que Gionédis está recuperando financeira e patrimonialmente o Coritiba.
Essa é uma história ainda repleta de buracos negros e que um dia deverá ser contada em detalhes. Em se confirmando, ótimo.
Porém, ao não demonstrar a mínima habilidade para gerir o futebol, Gionédis passa imediatamente da coluna do Ativo para a coluna do Passivo na contabilidade do torcedor. Na cabeça dele, torcedor, o Coritiba poder exibir certidões negativas de tudo que é banco ou agente arrecadador oficial só terá serventia no dia que a CBF aceitá-las como habilitação para as disputas da Série A.
O mesmo leitor se insurgiu, depois, contra a matéria de pré-jogo com o título “Retranca Alviverde”, onde identificou haver opinião e crítica onde deveria existir apenas informação.
Os COXAnautas mantêm a posição de que a matéria era puramente informativa e que dar um contexto às informações é parte do trabalho do noticiarista: à vista da intenção de Bonamigo de escalar um time com 7 defensores, dois armadores e um só atacante (o que é uma retranca, salvo se a definição mudou), o noticiarista questiona até onde seria acertado o esquema para enfrentar uma equipe de poucas qualificações, que briga para não cair à Série C.
Para o leitor, isso foi uma crítica que veio desacompanhada de propostas de solução – portanto, “uma crítica pela crítica”.
Ao leitor, informo que este é um site de torcedores, feito por torcedores e para os torcedores. Se os dirigentes quiserem saber o que pensa o torcedor, que venha ler aqui o que não lerá em outros lugares. Mas se quiserem soluções para os problemas que os torcedores apontam, que procurem dentro do clube.
Não esperem do torcedor a quem mostram o dedo médio, a quem cobram seguir exemplos dados por outras torcidas mas sem oferecer absolutamente nada como contrapartida. e a quem acusam de não saber torcer, solução a problemas que não foram criados pelo torcedor.
Torcedor torce. Dirigente dirige. Simples, claro e cristalino.
Se ao criticar o torcedor tiver que oferecer uma solução, dispensem-se os dirigentes.
Deixem a torcida fazer tudo.
Só que, no caso do Coritiba, nem a ingresso mais barato o torcedor tem direito. Ele só tem obrigações.
Obrigação de acompanhar, incentivar e apoiar o time incondicionalmente, esquecendo as 8 rodadas sem vitória, e de pagar ingressos de Série A para ver jogos de Série B de um Clube tomado por dirigentes Série C.
Soluções? Não cabe ao torcedor dá-las, mas sim cobrá-las e julgá-las.
E depois que o “retrancado” Coritiba goleou o Vila Nova por 5 a 1, o leitor escreveu:
“Pois é...Coxa 5x1 com o time retranqueiro... sem atacantes... O "redator" vai ter que engolir o Bonamigo... Ficaria de bom tom um pedido de desculpas formal no site... No entanto, duvido que isto um dia venha acontecer...”
Muito bem, leitor, conheço o redator e ele não está tão empenhado em satanizar Bonamigo quanto você em divinizá-lo.
Engoliremos Bonamigo sim, assim como engoliremos o 11, Jackson, Índio e outras aberrações até que estejamos de volta à Série A – como eles prometeram. Aliás, a volta de Bonamigo ao comando do Coritiba sempre teve o apoio da torcida – e, em decorrência, dos COXAnautas – e sua saída só passou a ser considerada por nós como possível solução recentemente, em vista das evidências de que ele não tem mais ascendência sobre o grupo.
Não sei a quem – nem por que razão – o site deveria pedir desculpas...
Por que enxergamos retranca numa escalação com sete defendendo, dois armando e só um atacando? Por que vimos covardia num esquema desses para jogar contra um dos lanternas? Por que colocamos dúvidas quanto a uma vitória?
Não será por isso que pediremos desculpas.
Para nós, a escalação de um time como o que foi escalado em Goiânia continuará sendo uma retranca e todo excesso de cautela ao enfrentar times de capacidade questionável – para ser elegante – continuará sendo demonstração de receio, a menos que não haja alternativa no elenco. Não é o caso do Coritiba, que tem 101 atletas registrados no BID da CBF.
Poucos esperavam uma vitória do Coritiba com esse time diante do Vila Nova. E provavelmente ninguém, nem Bonamigo, por uma contagem tão ampla.
Mas profetas do passado existem aos montes...
Os COXAnautas, tanto quanto qualquer outra atividade que tenha a participação de pessoas, também estão sujeitos a errar.
Quando isso acontecer, não teremos o menor problema em reconhecer o erro e, se for o caso, pedir desculpas.
Malhadas Jr
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)