
PALAVRA DO OMBUDSMAN
Embora sempre presente nas questões pontuais (nenhuma correspondência jamais ficou sem resposta, tanto quanto possível pronta e instantânea), o Ouvidor do site COXAnautas tem sido relapso nas manifestações públicas.
Dou a mão à palmatória, ajoelho no milho mas, em minha defesa, digo o seguinte: como todos aqui, tiro meu sustento de outras atividades em outras plagas. E tenho meus momentos (muitos, vocês percebem) de lassidão, lazer, preguiça pura e simples.
O mundo pode pegar fogo, mas não é contrariado que me sento diante do teclado para esse solilóquio com vocês.
Escrever uma coluna – disso sabem muito bem todos os companheiros colunistas – é exercitar um diálogo com o próprio umbigo fazendo de conta que ele é um ser à parte, com capacidade de entendimento e de formulação de razões.
Tentamos convencer nosso umbigo de que estamos certos e a ele damos uma série de explicações, argumentos...
Queremos ter o umbigo do nosso lado. Queremos tê-lo como aliado. Ele é o leitor que ainda falta ser convencido.
E para persuadi-lo não economizamos letras. Esmeramo-nos para ser absolutamente claros e definitivos, de preferência não deixando brecha para a re-pergunta.
E só nos damos por definitivamente satisfeitos quando não resta pedra sobre pedra.
Com o Ouvidor não é diferente.
Argumentarei com o meu umbigo, mas levando a ele dúvidas, objeções e senões que me foram trazidos por vocês mesmos.
Agüentem, se quiserem, pois meu umbigo é exigente.
Há alguns meses, os COXAnautas reverenciaram a memória de Bayard Osna, um dirigente – e mais que isso, um torcedor – que honrou as tradições do Coritiba e que nos faz uma falta danada hoje. Mesmo que fosse apenas para trazer o contraditório, um ponto de vista divergente para enriquecer todas as discussões que cercam o Clube.
No começo de janeiro, o Ouvidor recebeu uma mensagem amável, delicada e muito emocionada do filho de Bayard, o torcedor José Eduardo Osna, agradecendo pela lembrança e manifestando sua alegria pessoal por uma circusntância singular.
Na época, discutia-se a legalidade, oportunidade ou conveniência de se fazer uma assembléia de sócios no dia 10 de janeiro para apreciar e votar razões e argumentos que poderiam levar à defenestração de GG da presidência do Coritiba – assembléia que foi suspensa às vésperas por força de ordem judicial, concedida liminarmente a pedido de Gionédis.
A razão da alegria de José Eduardo: “O que me deixa feliz é que ninguém está citando meu pai nessa confusão toda”.
E ele disse mais: “Lembro de meu pai dizendo que o maior patrimônio do Clube é sua torcida, e se não dermos ouvidos a ela não vamos ouvir mais ninguém”.
Creio que se vivo fosse, Bayard estaria escrevendo aqui nos COXAnautas.
José Eduardo está morando em São Paulo e, bem por isso, afastado das coisas do Coritiba – embora esteja atento ao que lá se passa. Mas na mesma mensagem fez uma promessa: “Assim que voltar a Curitiba, a primeira coisa que vou fazer é colocar minha conta (de sócio) em dia com o Clube para poder participar da vida política do Clube”.
José Eduardo, sem tomar partido, os COXAnautas torcem para que isso aconteça o quanto antes: um herdeiro das idéias, posturas e atitudes de Bayard Osna terá papel dos mais relevantes na tão necessária modernização dos conceitos, preceitos e estratégias do Coritiba.
Pedro Paulo Matiuzzi foi mais um torcedor a se manifestar em janeiro, dizendo, resumidamente, que “já que GG não vai sair mesmo, foquemos nas propostas de quem se habilite a sucedê-lo e discutamos para onde queremos que o Coritiba vá”.
Pedro, você podia tentar mandar palpites para os Ciganos Alviverdes, pois o seu “chutômetro” parece estar mais calibrado que as evanescentes previsões feitas à base dos anéis de fumaça dos charutos tragados pelo Preto Velho.
GG não saiu, nada permite supor que sairá e a velha promessa dos COXAnautas, de apresentar projetos e diretrizes factíveis para uso “de quem quer que venha a assumir o comando do Coritiba”, permanece uma incógnita, jazendo apenas no papel.
Não é a primeira vez que aponto essa omissão.
O site disse que ofereceria tal colaboração.
Ninguém pediu, o site ofereceu. Foi dito que “ao longo do ano” tais propostas seriam publicadas. Não vi nenhuma. E estou esperando.
Eu, o Pedro Paulo, os que se apresentam como “presidenciáveis”, os que esperam o momento oportuno para, “a pedido das bases”, colocar o nome à disposição e, ainda, os do andar de baixo que pagam para ver o time jogar.
O site lançou essa expectativa. Que trate de honrá-la, portanto, pois é a credibilidade que está em questão.
O leitor e torcedor César Scuissiatto escreveu ao Ouvidor, também em janeiro, para relatar fato digno de Kafka.
Ele resolveu presentear o filho pequeno, que comemorava aniversário, com um título de sócio.
Foi tão maltratado e destratado pelo pouco caso do Clube com relação a novos sócios que desabafou ao Ouvidor. “Queria algo para dar ao meu filho que simbolizasse o ato de se tornar sócio, mas nem um brinde, nem um exemplar do Estatuto dizendo o que pode e o que não pode um sócio”.
Suprema desfaçatez: sem ter o que entregar ao filho e reclamando com o atendente, teve como resposta um “Se quiser, pode ir na secretaria e cancelar tudo”.
Pois é, César, você saiu de lá convencido de que foi punido por querer fazer de seu filho um sócio do Coritiba e de que esse presente, para você como pai, foi um legítimo tiro no pé.
Agora você sabe por que o Coritiba tinha apenas uns 600 sócios e por que o site COXAnautas brigou para que fosse lançada com urgência uma campanha decente de arregimentação de novos sócios.
Eu me associei nesta semana – era apenas um “locatário de cadeira” – e fui bem atendido. O “mimo” se resumiu à camiseta, mas tenho idade para entender que, no futuro, poderei ajudar a fazer alguma diferença lá dentro.
Não sei se o seu filho se contentaria apenas com uma camiseta escrito “Sou Sócio”, mas que hoje ninguém lhe daria a sugestão de voltar na secretaria e cancelar tudo, isso eu garanto a você que não.
Acho que bateu um vento diferente lá dentro...
E a nossa querida e amada estrelinha?
No piso do Couto Pereira que leva às sociais, nem sinal.
No placar do site oficial, que informa o resultado do jogo mais recente e dia / hora da próxima partida, necas de pitibiribas. Quem vê, pensa que jamais fomos campeões brasileiros.
E no site da Federação, nem me dei o trabalho de xeretar: quem organiza um campeonato desses, não há de se preocupar com a nossa estrela
Mas ela você, leitor, sempre encontrará aqui nos COXAnautas.
O leitor e torcedor Luiz Tonegawa escreveu ao Ouvidor em 23 de janeiro propondo que cada torcedor, em caráter simbólico, doasse uma quantia qualquer ao Glorioso.
Coisa de 1 ou 2 reais por mês.
A receita serviria para bancar um elenco de alto nível, capaz de devolver o Coritiba à Série A em 2008.
Na época, apontei ao Luiz: com que confiança o torcedor daria dinheiro ao Clube a ponto de saber que seu dinheiro iria para sustentar um bom elenco?
E agora aponto ao Luiz: dê R$ 30 por mês ao Clube (preço de dois ingressos), veja quatro jogos a preço de dois e, de quebra, em conformidade com os Estatutos do Coritiba, faça a diferença numa eleição futura.
Quer ajudar? Eis a oportunidade. Quer interferir? Eis a ocasião.
O voto do sócio da curva de entrada, aquela ocupada pela Império, a 30 por mês, valerá numa eleição (seja ela quando for) tanto quanto o dos bacanas encadeirados da marquise, que pagarão 100 por mês.
Devido à quantidade de correspondências pendentes, o Ouvidor deixa alguns assuntos igualmente sérios – mas igualmente antigos – para uma próxima apreciação.
Seria o caso dos COXAnautas terem dois Ouvidores, já que um não está dando conta?
Malhadas Jr
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)