
BOB COXA
Colaborou o torcedor Coxa-Branca Luiz Carlos Betenheuser Júnior
"Blade Runner" ou "Blade Runner, o Caçador de Andróides" em português é um filme de 1982, do gênero ficção científica, dirigido pelo genial Ridley Scott, de "Hannibal", "Gladiador", "Thelma e Louise", "Alien, O Oitavo Passageiro", "Os Duelistas" é um filme cultuado por uma gigantesca legião de fãs em todo mundo. Virou 'cult'.
O argumento do filme foi escrito por Hampton Fancher e David Peoples, baseado no livro "Do Androids Dream of Electric Sheep?", livro de 1968, de Philip K. Dick, ou PKD, como também era conhecido o escritor no cenário de livros de ficção.
A trilha sonora é do genial Vangelis, ou como o compositor grego é menos conhecido, Evángelos Odysséas Papathanassíu. Vangelis criou trilhas para os filmes "Chariots of Fire", "1492: Conquest of Paradise", "Alexandre", além de temas da série "Cosmos" e documentários para Jacques Cousteau. A trilha sonora virou destaque em rádios de todo o planeta, valendo a pena ter o CD, além, é claro, das variações que circulam pela Internet, inclusive em bootlegs - gravações piratas - bastante cultuadas pelos fãs do filme.
O filme é do gênero ficção científica mas costuma causar profunda discussão entre os fãs, que partem para a avaliação psicológica, teosófica e filosófica do enredo (Quem/o quê somos? Para onde vamos? Por que estamos aqui? Por quanto tempo estaremos aqui?). E esta aí o grande tempero do filme: a convivência entre máquinas e humanos, a humanização das máquinas e a desumanização dos humanos...
O casal Deckard & Racheal, quase sempre soturnos
O protagonista é Harrison Ford no papel de Deckard, um detetive contratado da polícia de Los Angeles para eliminar um grupo de 'replicantes' - andróides que fugiram da prisão e voltaram à Terra, vindos do "Off World", os mundos da colonização aeroespacial. Os andróides foram criados para fazer as tarefas pesadas e perigosas que os humanos não poderiam fazer. Ou então, o 'serviço sujo'...
O filme se passa numa futurística de Los Angeles (2019) com chuva constante - efeito da poluição - e é neste cenário que os replicantes voltam em busca do seu criador, o dono da Tyrell Corporation (interpretado por Joe Turkell).
A estonteante Racheal
Dono de uma mente brilhante para o mundo de 2019, Tyrrel fez criaturas "mais humanas que os próprios humanos": os replicantes da geração Nexus-6, fisicamente idênticos aos humanos, apesar de mais fortes, ágeis e tolerantes à dor. Para poder controlar 'o mostro', 'o médico' Tyrrel construiu a geração 6 dos Nexus com um limitante de fator 'vida'. Ou seja, eles viveriam apenas quatro anos.
A futurística e sombria Los Angeles de 2019
E é por isto que os replicantes fogem do "Off World" e voltam ao 'berço', em busca da vida. Escondidos entre os humanos - trabalhando normalmente, inclusive -, a cidade de LA contrata um detetive para fazer o serviço sujo e eliminar os replicantes. Daí, os "Blade Runners", aqueles que caçavam e matavam as 'feras' biomecânicas.
Com a presença dos Nexus-6 em Los Angeles - entre chuva e neons, com direto a propagandas para a Atari e TDK, a misciginação de culturas e a correria diária pra se viver -, um ex-blade runner volta à ativa: Deckard.
No filme, várias passagens relacionavam os olhos
Deckard acaba conhecendo uma das criações de Tyrrel, a estonteante Rachael (a atriz Sean Young). É clássica a entrevista dela com Deckard - é utilizado um equipamento de mapeamento da íris - para identificar os não-humanos (poeticamente se diz que os olhos são a janela d'alma... máquinas não tem alma...). E Rachael quase engana a máquina. Ela é duma geração mais nova dos andróides... (Vocês entenderão os motivos das reticências ao final).
Não dá outra: o caçador de monstros se apaixona pela criatura, numa história paralela dentro do filme.
Neste meio tempo, Deckard continua seu trabalho, identificando, procurando, encontrando e exterminando os andróides, entre elas, Pris (a louríssima Daryl Hannah) e Zhora (Joanna Cassidy), que trabalhava numa boate, dançando com uma jibóia.
Numa corrida contra o tempo, o líder dos andróides, Roy Batty (o ator Rutger Hauer, que teve destacada participação no filme) procura J.F. Sebastian, um freackly cientista. Pensava Roy que Sebastian era seu 'pai'. Não era. Era Tyrrel. Aguçando a inteligência de Tyrrel, Roy o desafia para uma partida de xadrez, orientando Sebastian nas jogadas. Foi o suficiente para ter acesso à fortaleza de Tyrrel.
No encontro entre médico&monstro, Roy mata seu criador, após descobrir que não existia saída para o processo de autodegeneração. Eles estavam morrendo e não havia salvação.
A noite de neons e chuva da Los Angeles de 2019
Este momento do filme traz reflexões, já que os andróides estavam morrendo por terem uma 'data definida para morrer', e sendo 'ajudados' por Deckard, que os caçava nas ruas de Los Angeles. O grupo ia diminuindo, causando novo conflito introspectivo nos seres não-humanos: eles queriam a vida e ela lhes era negada. Como administrar este conflito 'existencial'? Máquinas que querem ser humanas, querem viver mais, querem sentir, ter memórias reais (a memórias era artificial, implantadas), vivenciar a amizade e o amor. Em suma: os andróides queriam ser humanos (mas seriam tão humanos os humanos que não respeitavam a vida?). Tão humanos que preservavam a vida, o que de mais importante eles tinham...
Existem dois fins no mesmo filme. No primeiro deles, Deckard e Roy duelam mortalmente. Inferiorizado pela força, Deckard foge e na fuga fica à beira da morte. E é salvo por Roy, aquele que era procurado até a morte. Roy lhe deu mais vida...
A explicação tem um sentido. O andróide conta, antes de morrer (a auto-morte dos andróides, que tinham os dias contados - assim como os humanos? - desde que nasceram) coisas que um humano não poderia jamais ter visto, justamente pelas limitações humanas.
O andróide Roy, antes de morrer
É um monólogo clássico. Enquanto 'o caçador' olha - e reflete -, 'a caça' fala... e morre:
"Eu vi coisas que os humanos não acreditariam.
Naves de ataque em chamas nas encostas de Orion.
Eu vi raios C na escuridão do portal Tan Hauser.
Todos estes momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva (a chuva que sempre cai em Los Angeles).
Hora de morrer".
A morte de Roy, entre lágrimas e chuva
Este momentos seriam lembranças implantadas ou seriam vivenciadas, pela força super humana dos andróides? É o que se pergunta o espectador.
Outras perguntas foram feitas a si mesmo por Deckard. Ele viveu quando poderia ter sido morto graças aquele que ele queria ver morto. Este conflito aumentaria ainda mais a necessidade de se aposentar.
Neste momento, o capitão da polícia de LA aparece e deixa o recado para Deckard, já apaixonado por uma andróide. Ele fora lá supervisionar o trabalho de extinção.
Gaff (interpretado por Edward James Olmos) elogia o trabalho feito e, se despedindo, diz a Deckard: "É uma pena que ela não viverá. Mas no final, quem sobrevive?".
Na versão de 1982 (conhecida como a versão do estúdio), ao final Deckard procura Rachael, num clima de suspense, pois não se sabe se Gaff já teria matado Rachael - ela era um 'deles'... Na verdade, ele a deixou 'morrer'. No encontro, ele pergunta se ela o ama e se ela acredita nele (como acreditar em alguém que matara uns dos seus?). Ela diz sim. E eles partem.
O casal Deckard & Racheal, repito, quase sempre soturnos
Insatisfeitos com a versão de Ridley, os produtores do filme mudaram o conceito do fim. Aí, entra Harrison Ford narrando o fim da história. Em voz em off, ou seja, só a voz dele com outras imagens - circula na Internet a versão de que o ator, insatisfeito com a mudança do final, propositalmente arrastou a voz na sua narrativa -, o detetive explica o final feliz: Racheal era especial e isto tinha sido dito a ele por Tyrrel - algo que não aparece no filme.
O origami que explica ser Deckard um andróide (na versão de 1982)
Ele explica: "Gaff tinha estado lá (no quarto de Racheal, deixou sua marca na cena, um origami) e a deixou viver. Quatro anos ele pensou. Ele estava errado. Tyrrel me disse que Rachael era especial: sem data definida para morrer". E conclui, com images de um sobrevoo em florestas de coníferas (acho que são cenas do Canadá... não sei ao certo): "Eu não sei quanto tempo nós ficaremos juntos. Mas quem sabe?"
Fim. Que subam os créditos.
E que fique a dúvida: ele falava sobre o amor ou sobre a vida? Ou de ambos?
O amor entre as máquinas
A explicação em off serviu para deixar o clima menos pesado, mais romântico e com um final feliz. Nada disto era idéia de Ridley Scott, frize-se. Para o aniversário de 25 anos do filme, o diretor lançou a sua versão, nominada de "Blade Runner, a versão do diretor".
É uma versão bem mais complexa. Nela, ele que já tinha explicado 7 anos antes que Deckard era um andróide (lembrem-se, construídos para o serviço sujo que os humanos não queriam fazer...). Por isto, dos origamis. Num deles, aquele da cena com Racheal e o outro policial, um unicórnio, que também aparecera durante a versão do diretor.
O sonho de Deckard que explica ser ele um andróide (na versão 2007)
Nela, estaria Deckard sonhando ou seria uma memória implantada? Era uma memória implanta (e por isto os andróides precisavam de ter fotografias para deixar sua sensação de 'vida' humana mais complexa e convincente pra si mesmos).
O final desta versão não é nada romântico. Deckard, paranóico por ser uma máquina alvo dos humanos, desce o elevador com Racheal. Onomatopéia de portas fechando (nada de Ford fazendo a narração em off). Fim.
Cartaz oficial (versão 1982)
SERVIÇO:
Dois sites merecem ser visitados por quem gosta do filme:
Um trailer do filme, versão 2007
e um site feito por fãs, contendo
o mais completo acervo sobre o filme.
Valeu, moçada. Voltarei em breve com outras dicas culturais pra vocês. Se você tem uma banda, um grupo teatral, é cineasta, cantor, cantora, faz qualquer tipo de expressão artística ou cultural e quer divulgar aqui no COXAnautas, manda o material pra mim: luiz@coritiba.com.
Todos os e-mails serão lidos com toda a atenção do mundo.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)