
PALAVRA DO OMBUDSMAN
Um doce para quem adivinhar a tônica das manifestações dirigidas pelos torcedores ao Ombudsman.
Como o próprio Ombudsman teve as suas experiências em Jundiaí, por uma vez troco de lugar com você, leitor, e escrevo-lhe esta carta.
Você avalia e decide o que fazer, ok?
Boas amizades são capazes de fazer coisas surpreendentes...
Não viajava para ver o Coritiba jogar havia muitos anos. Muitos mesmo!
A última vez foi um jogo contra o Joinville no Ernesto Schlemm Sobrinho, não lembro se pela Copa Sul-Minas ou Brasileiro, mas vencemos por 4 a 1.
Relutei um pouco quando surgiu a idéia no site de lotar um ônibus com o pessoal dos COXAnautas para ir a Jundiaí.
Não colocava muita fé na iniciativa por vários motivos: a distância, o custo, o time nada confiável...
Mas ao ser informado de que metade da lotação já havia sido preenchida poucas horas depois de a proposta ir ao ar, acabei me motivando e reservei lugar.
No mínimo, teria a boa companhia de amigos e companheiros que, como eu, estariam abrindo mão do sossego e do aconchego de um sábado em família para rodar quase mil quilômetros apenas para ver o Coritiba jogar.
Pois foi só a boa companhia dos amigos a minha recompensa pela viagem a Jundiaí: não vi o Coritiba jogar.
Eu e todos os demais torcedores que lotaram uns dez ônibus perdemos o sábado, perdemos o dinheiro da viagem e do ingresso, perdemos a esperança e perdemos parte da nossa história.
Porque ser achincalhado pela torcida do Paulista, que a rigor torce mesmo é pelos grandes da Capital, ali pertinho, é uma página negra na história do Coritiba.
Agora, página negra mesmo quem escreveu foi o presidente do Coritiba, que se comportou como mais um torcedor do Paulista e ofendeu com gestos e palavrões os torcedores do Coritiba.
Eu estava lá e me senti menos ofendido pelos impropérios do presidente do que envergonhado pela sua atitude, uma patética demonstração de despreparo para o cargo.
Um presidente que não é capaz de reconhecer e valorizar o sacrifício de torcedores que, movidos unicamente pelo amor ao Clube, se dispõem a apoiar o time, não pode ser presidente de clube algum.
Muito menos do Coritiba, que por décadas teve um presidente que sabia muito bem o que significava ser o principal dirigente Alviverde.
Ele conhecia a liturgia do cargo, como definiria José Sarney.
Nas vitórias ou nas derrotas, esse presidente sempre estava nos vestiários depois dos jogos dando entrevistas e dirigindo sua atenção à torcida.
Ele sabia que personificava as mais caras tradições do Coritiba e tinha muito presente que o maior patrimônio de um clube de futebol é o seu torcedor, tanto que o cumulou por anos e anos de glórias, vitórias, títulos.
Já o presidente atual fez tábula rasa dessas tradições e criou um time perdedor. Conseguiu transformar o Coritiba num clube fadado a disputar a metade de baixo da tabela de qualquer torneio.
E por ter absoluta convicção quanto ao acerto do que vem fazendo, do arrasador sucesso que é a sua gestão, o presidente não tem freios na língua nem escrúpulos para destratar, humilhar e denegrir o torcedor – este ser incômodo que parece ter vindo ao mundo apenas para contrariar os planos da sua administração.
Nesse discurso, acabou secundado por um malsinado zagueiro que, além de ser péssimo jogador, carregava uma incompreensível braçadeira de capitão: como liderança ele é questionável e, como detentor de empatia ou identificação com a torcida ou com o clube, menos que um zero à esquerda.
Pois foi esse “jogador” de categoria e renome, decerto pretendido pelos principais clubes da Europa, que disse ao final do jogo que “essa torcida precisa aprender a torcer”.
Um sujeito como esse, em vez de resposta, receberia o boné em outros tempos.
Mas na gestão atual, não: continuará como titular e, decerto, como capitão do time.
Outro que veio fazer coro com o presidente foi o suposto coordenador de futebol, que em nome de um projeto maior de retorno à Série A pediu a união de todos e o apoio incondicional do torcedor, colocando sobre a mesa o exemplo do Atlético Mineiro.
Disse o sujeito que a torcida do Atlético Mineiro lota os estádios e carrega o time às vitórias.
Muito bem, bonitão: a diretoria do Atlético Mineiro resolveu aliar-se aos torcedores e, além de contratar bem, reconheceu sua importância baixando dramaticamente o preço dos ingressos e ainda oferecendo ônibus grátis (eu disse grátis) para os jogos fora de Belo Horizonte.
A diretoria do Coritiba quer o apoio e o carinho do torcedor tratando-o a pontapés, xingando-o, estendendo-lhe o dedo médio e cobrando ingressos de Série A para ver adversários da Série B e montando um time digno de estar na Série C.
Bem, menos mal que temos planejamento.
Restam ainda muitas rodadas e, como disse o simulacro de coordenador de futebol, “nem tudo está perdido”.
Ora, sabemos que “nem tudo está perdido”. O que nos preocupa é que “nada está ganho”, e à razão de 30 mil, 40 mil, 50 mil por mês para determinados elementos, se houvesse um mínimo de decência e de vergonha na cara, o Coritiba estaria na dependência de apenas duas vitórias para sacramentar o retorno à Série A.
Acabo de ficar em dúvida...
Estaria a atual gestão inovando em termos mundiais, criando um case pioneiro no marketing e preparando o Coritiba para ser o primeiro clube de futebol sem torcida do mundo?
Ou será que o verdadeiro propósito da atual gestão é aniquilar com o Coritiba, impedindo-o de completar Cem Anos?
Vendo a coisa dessa forma, será que a sua opinião a respeito dos dirigentes do Coritiba não mudaria?
Não seria o caso de reconhecer que tudo está muito bem encaminhado e que o objetivo final está cada vez mais próximo?
Eu mudaria meus conceitos e me veria obrigado – por justiça – a cumprimentar esta gestão por sua eficiência: estão quase lá.
A torcida quer que o time suba.
Mas é só ela.
Nem os dirigentes e nem os jogadores querem.
Azar nosso.
Malhadas Jr
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)