
PALAVRA DO OMBUDSMAN
O céu ainda está carregado de nuvens escuras e o tempo permanece carrancudo e ameaçador sobre o Alto da Glória.
Mas pelo menos os urubus que rodeavam o Couto Pereira se afastaram um pouco, ao que parece.
Melhorou bastante a situação do Coritiba após duas vitórias em casa, ainda que tenham sido vitórias daquelas obrigatórias, como obrigatórias eram as que o time deveria ter conquistado diante de Brasiliense, São Raimundo e Santo André.
Sete pontos perdidos em casa nessas três partidas que, se confirmados, fariam do Coritiba o líder da Série B no presente momento, com os mesmos 54 do Atlético Mineiro e uma vitória a mais.
Paciência. Não ganhou e a vida segue.
Que trate de ganhar os jogos restantes para não ficar dependendo de tropeços dos que vão à frente.
O Paulista, concorrente direto a uma das vagas que levam à Série A em 2007, deu uma força e caiu diante do São Raimundo, cedendo ao Coritiba seu posto no G4.
E por coincidência será ele o próximo adversário do Glorioso, sábado em Jundiaí.
Será o primeiro de uma série de Jogos do Ano para o Coritiba, que terá ainda outras três partidas de fundamental importância a cumprir: América/RN (em Natal), Náutico e Atlético Mineiro (estas, no Couto Pereira).
Ganhando em Jundiaí, o Verdão não garante nada – embora possa até subir uma posição, dependendo do que venha a acontecer no jogo entre Sport e Náutico – porque a diferença de pontos para os que vêm atrás é mínima.
Mas uma derrota complicaria bastante a situação: faltando sete rodadas, o Coritiba voltaria a ser ultrapassado pelo Paulista, correndo o risco de terminar a rodada atrás também do América/RN e do Brasiliense – que durante a semana disputa um jogo que havia sido adiado podendo chegar no grupo dos que disputam as vagas de acesso.
O negócio é acreditar na vontade do elenco, torcendo para que o ambiente de serenidade e equilíbrio tenha sido reencontrado.
E falando em torcer, a massa alviverde mostra disposição de promover nova invasão e está se mobilizando para ir a Jundiaí oferecer apoio e incentivo ao Coritiba na busca de uma vitória que será vital para o retorno à Série A.
Os COXAnautas estarão lá esperando que as constantes falhas da defesa não aconteçam, rezando para que o ataque volte a produzir bem – em que pese a ausência de Cristian, suspenso com três cartões amarelos – e esperando que Paulo Bonamigo acerte na escalação do time.
Durante os fatídicos 30 dias em que o Coritiba cumpriu uma trágica campanha de oito rodadas sem vitória, não faltaram críticas ácidas e demonstrações de puro desalento no site COXAnautas.
Da mesma maneira não faltaram críticas ao conteúdo do site, que conseguiu contrariar duas correntes opostas de leitores ao mesmo tempo. Alguns acharam o tom assumido pelos COXAnautas pesado demais, enquanto outros consideraram o contrário.
Como Ouvidor do site, avalio que a cobertura feita pelos COXAnautas nesse mês de crise foi pautada pelo equilíbrio e pela responsabilidade, cobrando providências mas desestimulando qualquer manifestação de violência.
E como leitor, considero que o site traduziu com fidelidade o estado de espírito do torcedor, cansado de assistir a tantos fracassos e atônito por não encontrar indícios das causas nem explicações para tão vertiginosa queda.
O banner “Vergonha!!!” resume o sentimento de toda uma torcida que, mesmo maltratada, jamais abandona o Clube, joga no lugar do time quando é necessário e não precisa comprovar sua fidelidade nem oferecer novas demonstrações de sacrifício a ninguém.
Quem está precisando fazer isso são determinados jogadores.
Os COXAnautas buscaram estampar no silêncio da virtualidade aquilo que o torcedor gritava nas arquibancadas: se conseguiu fazer isso, o site cumpriu o seu objetivo.
Importante ressaltar que o direito ao contraditório nos COXAnautas está e sempre estará assegurado. Quando algum dirigente ou representante do Clube quiser se dirigir ao torcedor por intermédio do site, terá toda liberdade e espaço para fazê-lo.
Passado o momento mais agudo da crise, conseqüência de uma primeira e redentora vitória de 6 a 2 sobre o Marília depois de um mês sem conhecer triunfo, os gestores do Coritiba ofereceram à torcida motivos para uma nova bateria de críticas.
O autismo da Diretoria, que numa inacreditável demonstração de pouco caso fez questão de desconhecer olimpicamente a passagem do 97º aniversário de fundação do Glorioso, nada programando para celebrar a data, desapontou a todos.
Precisou a torcida se mobilizar para que o aniversário do Coritiba não passasse em branco.
Pois foi fantástica e comovente a mobilização dos torcedores, que em 48 horas programaram, estruturaram, organizaram e realizaram uma festa carregada de emoção. Uma noite repleta de demonstrações de carinho e de respeito ao Verdão.
Uma festa digna de quem realmente ama o Coritiba.
Imagino que se alguém da atual Diretoria tivesse comparecido, teria se sentido um estranho no ninho.
A equipe de eventos? Todos amadores, voluntários, relegando a plano secundário os afazeres profissionais. Nenhum especialista em marketing, nenhum "promoter" nem programador de eventos.
Bastou boa vontade e algum espírito de renúncia – aliás, essa palavrinha fez sucesso naquela noite...
E a festa improvisada foi mais que bem sucedida, foi um retumbante sucesso, prova da força e capacidade de realização de uma torcida que tudo faz e tudo pode.
O sucesso da festa de 97 anos do Coritiba deve ser medido menos pelos 300 e tantos torcedores que dela participaram – numa noite de quinta-feira de feriadão – e mais pelos altos teores de emoção, espírito de confraternização e vontade de superação que tomaram conta do ambiente.
Não há como ver e ouvir o mito Evangelino, o Eterno Presidente, talvez o maior Coxa-Branca que já existiu, sem sucumbir à emoção.
Protagonista e comandante do Glorioso durante a época das suas mais importantes e cintilantes conquistas, o presidente Neves era a pessoa mais indicada para resgatar o amor-próprio do torcedor Alviverde, devolvendo-lhe a capacidade de sentir orgulho do Coritiba e ainda acendendo para todos uma luz de otimismo quanto ao futuro.
Neves foi homenageado pela torcida. Por todas elas, porque foi um presidente inesquecível – ou, como disse alguém na ocasião, “um verdadeiro presidente”.
Além de Evangelino Neves, a festa dos torcedores contou com o brilho de outras estrelas dignas de homenagem, carinho e reconhecimento.
O ex-supervisor Hélio Alves e os campeões brasileiros André (lateral direito), Vavá (zagueiro), Tóbi (meio-campo) e Hélcio (lateral esquerdo).
O presidente Neves sabia que seria homenageado e que ficaria comovido.
Seu estado de saúde não recomenda que se exponha a emoções, mas ainda assim Evangelino submeteu-se ao risco apenas para receber, mais uma vez, demonstrações do carinho e do respeito que – ele sabe – os torcedores do Coritiba lhe devotam.
Atitude corajosa a dele, ainda que previdentemente uma ambulância tenha sido providenciada para ficar à disposição numa eventualidade.
Quanta diferença...
No mundo real, Evangelino arrisca a vida para receber o abraço e o reconhecimento dos torcedores que são gratos pelo que ele fez à frente do Coritiba.
Enquanto isso, no mundo oficial o Coritiba não faz aniversário porque ninguém parece disposto a se aventurar em chegar perto dos torcedores.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)