
OMBUDSMAN
No embalo das esperanças que se renovam de vermos, afinal, o Coritiba de volta à Série A, prossegue o sacerdócio dos COXAnautas na missão de bem representar o torcedor Alviverde.
Com ética, transparência e independência.
Subiremos desta vez?
Ninguém sabe, é claro.
Não será por falta de torcida, mas a tolerância continuará sendo zero, pois não tergiversamos com o interesse do torcedor Coxa-Branca nem fazemos das nossas posições moeda de troca.
Cada um na sua: torcedor torce (e critica e cobra e quer resultados, pois paga e sofre pelo seu Clube), jogador joga e dirigente dirige.
Até agora, 2007 não nos deu nada de bom: só decepções e tristezas.
Se tudo era laboratório e experiência, como disseram os dirigentes, vejamos o resultado das experimentações e aguardemos para ver o que teremos em campo para a batalha da Série B.
Se um correto e confiável Doutor Jekyll ou um desvairado e traiçoeiro Mister Hyde.
De nós, o torcedor pode esperar a mais isenta das análises.
Boa sorte, Coritiba.
O leitor Gustavo Sant’Ana Ferreira escreve aos COXAnautas para observar o que ele considerou “uma incoerência” do site por não haver identificado o torcedor que arremessou um copo plástico no gramado durante a partida contra o Botafogo, episódio que resultou no julgamento do Coritiba pelo STJD e sua condenação à perda de mando de uma partida.
Ele não vê motivos para, diante dos males que o gesto do tal torcedor pode acarretar e dentro da filosofia da tolerância zero dos COXAnautas com o Clube, seus dirigentes e jogadores, o site resolver não identificar o tal torcedor – que, quando escreveu, não pediu e nem sugeriu a proteção do anonimato.
Respondo ao Gustavo, já que foi minha a sugestão de o identificamos apenas pelas iniciais.
Recebi a mensagem dele, li e ponderei que todos os que precisavam saber o nome completo, RG e endereço do torcedor já sabiam: os dirigentes do Clube, autoridades policiais e, quando receberem a cópia do Boletim de Ocorrência, o STJD.
Note, Gustavo, que o torcedor em questão não é um fugitivo, muito ao contrário: disse na sua carta estar à inteira disposição do Coritiba para o que for necessário e assumiu a responsabilidade do infeliz ato que praticou. Reconheceu o erro e, sem que ninguém pedisse ou o procurasse, escreveu aos COXAnautas para pedir desculpas aos demais torcedores (você, eu e todos os demais).
Tinha ele obrigação de escrever aos COXAnautas, se identificar e pedir desculpas publicamente?
Não.
Se o fez, imagino que tenha sido por um sincero sentimento de arrependimento. E não seria o site COXAnautas, travestido de uma posição de magistrado, quem deveria se aproveitar da situação e condená-lo à exposição pública se ninguém antes o fez.
O Clube o identificou e o deteve. Apresentou-o à polícia, que o autuou. Nenhum deles deu divulgação pública ao seu nome.
Deveríamos nós fazer isso? Com que intuito?
Não vi razão para que nos sobrepuséssemos ao Clube e às autoridades policiais, ou que nos substituíssemos à Justiça, que se entender justo, condenará o torcedor por seu gesto segundo as penas previstas na Lei.
E ainda que ele seja punido por ter atirado aquele copo, Gustavo, certamente da sua condenação não constará a execração pública. Esse tipo de punição, imagino, não existe desde que aboliram a pena de lapidação...
A propósito (1), não conheço esse torcedor.
A propósito (2), puseram como ilustração para a carta uma lata – bonita, toda verde, mas ainda assim, uma lata.
Não era um copo?
Aproveitando que os ânimos estão serenos por conta de um final de semana sem futebol do Coritiba, retomo uma discussão que sempre é tema para apaixonadas discussões entre os leitores do site. E, cometendo uma pequena indiscrição, dentro da redação dos COXAnautas também.
Falo das análises feitas no site tanto antes quanto depois dos jogos.
Peço perdão pelas analogias marinhas, mas não resisto.
A questão é tão antiga quanto os manuscritos do Mar Morto: a partir de que ponto a informação passa a ceder lugar para a opinião? E não pretendo aqui dar a palavra final a respeito, promovendo a divisão do Mar Vermelho.
A questão é velha, polêmica e altamente subjetiva. E por ser puramente interpretativa, não comporta receituário do tipo “assim é informação e assado é opinião”.
Como ouvidor, minha posição é recomendar que a redação dos COXAnautas procure separar muito claramente uma coisa de outra: quando for noticiar, não opinar. Para opinar, há o espaço apropriado das colunas.
Mas quem consegue estabelecer limites precisos entre fato e versão?
Tenho comigo uma diferenciação muito particular, criada ao longo de uma carreira como jornalista que se aproxima de completar 30 anos. “Fato” é aquilo que eu vi e “opinião” é aquilo que eu acho que vi.
Mas noticiar o fato sem acrescentar nenhum tipo de interpretação, avaliação ou termo de comparação é pouco menos que nada. O leitor se sente desamparado com uma informação nua e crua nas mãos.
Toda informação que puder ser acrescentada para ajudar o leitor a entender melhor o fato deve ser prestada. É aí que entra, para fazer companhia ao “eu vi”, o “eu sei”.
Ambos, somados, formam o “fato”, a alma da notícia. Se não há fato, não há notícia, parece-me claro.
O limbo da informação se materializa quando entra em campo o “eu acho”, fazendo cara de paisagem para se alinhar ao “eu vi” e ao “eu sei”.
O “eu acho” é algo que só cabe como opinião em espaço próprio, com a identificação de quem está achando. Dentro de uma notícia, é manipulação desonesta da opinião do torcedor que pode, desavisadamente, confundi-lo com o “eu vi” ou o “eu sei”.
Notícia não serve (ou não deveria servir) para propagar opinião. A função da notícia é informar o leitor e dar-lhe subsídios para que ele forme a opinião que bem quiser, de acordo com os seus valores, preferências, hábitos, cultura...
Quer opinar? Assine uma coluna e diga o que pensa. Quer informar? Dê o recado e, ao final dele, um ponto final. As conclusões a respeito do que foi informado competem a quem lê, não a quem escreve.
Agora, quem avalia o que viu ou o que provavelmente vai se ver, caso das nossas avaliações de pré e pós-jogo, vai fazer uma abordagem personalíssima.
Não esperem um mero descritivo do tipo “previsões genéricas” ou de lance-a-lance. Encontrarão no texto as considerações de quem sabe, com os adjetivos de praxe.
A escalação não é a melhor para aquela partida? É preciso cuidar com o Fulano do adversário? O esquema a ser adotado poderia ser melhor? Isso vai ser escrito.
O jogador falhou? Estará lá no texto, desde que o avaliador tenha considerado assim.
Falhou bisonhamente? Pode ser que sim ou que não... opiniões divergem, é da vida...
A avaliação de jogo feita pelos COXAnautas não é atribuição delegada aleatoriamente, a quem quiser fazer ou que esteja disponível.
Há talentos dentro da equipe dos COXAnautas que passam mais pela imagem que pelas letras, da mesma forma que há os que transitem com mais desenvoltura pelo humor que pela análise tática.
Independentemente de quem a assine, a avaliação dos jogos feita pelo site tem a melhor procedência. São feitas por pessoas que conhecem, que estudam, mas que não são profissionais e nem vivem disso.
Mas nem por isso são descompromissadas: nada mais fácil que pegar uma análise do pré-jogo e comparar com o que se viu em campo para saber se o sujeito errou mais do que acertou. Ou uma análise do pós-jogo e comparar com o que disseram os analistas e comentaristas dos veículos comerciais de comunicação.
Como Ouvidor, não gostaria de ver avaliações de pré e de pós-jogo nos COXAnautas que não contivessem análises críticas da partida. E para fazer qualquer análise crítica, é preciso ter opinião.
O leitor pode até concordar – ou não – com as opiniões expostas pelos nossos colaboradores.
Mas não devem querer abrir mão delas... senão, lhes bastaria como pré-jogo a súmula com as escalações e, como pós-jogo, a súmula com o resultado.
Quanto ao espaço para que os leitores comentem as notícias, quero informar que não existe qualquer censura, tanto que não fazemos pré-moderação.
Enquanto não divulgamos os nossos termos de uso, que deverão ser obrigatoriamente seguidos por todos, pedimos que os comentaristas habilitados (todos aqueles que fizeram o Cadastro-Ouro dos COXAnautas) observem algumas recomendações básicas.
Por exemplo, evitar o emprego de termos inapropriados (palavrões, por exemplo), não fazer apologia nem incentivar a violência ou prática de atos criminosos, evitar comentários de conteúdo preconceituoso e evitar afirmações que possam configurar os chamados “crimes de opinião” (injúria, calúnia e difamação).
Valem, também, os princípios da “netiqueta” como o de não escrever em maiúsculas.
Aproveito que estou no teclado para deixar consignado um singelo registro sobre uma polêmica que teve seus 15 minutos de fama em fevereiro...
O tempo se encarregou de escancarar a solução advogada internamente por toda a equipe de colaboradores e, imagino, hoje seja ponto pacífico que os COXAnautas eleitos para o Conselho do Coritiba podem, sim, continuar integrando a equipe do site.
Foi-lhes vetado o espaço que tinham como colunistas, mas seguem participando como colaboradores que sempre foram. Para opinar, utilizarão o espaço criado para que qualquer um dos cento e tantos conselheiros possa, querendo, se manifestar.
Quanto à anistia da contribuição mensal que os conselheiros prestavam, contra a qual sempre nos insurgimos, informo que não recuamos nem um milímetro da nossa posição.
Aos que cobram coerência dos COXAnautas eleitos para o Conselho, aguardem. Embora o Clube não aceite receber a verba a título de contribuição, pois a cobrança está legalmente suspensa, está sendo viabilizada uma alternativa.
Haverá novidades em alguns dias. É tudo o que posso dizer para não estragar a surpresa.
E fazendo justiça ao leitor Anderson Warkentin, que muito oportunamente levantou a questão nos idos de fevereiro, há uma pergunta que ficou sem resposta.
Nas eleições para preencher as vagas para o Conselho Deliberativo do Coritiba, havia um total de 153 conselheiros habilitados a votar. Cada um recebia uma cédula para assinalar, entre os candidatos disponíveis, até 37 nomes de pessoas que gostariam de ter como colegas.
Pois bem, 94 cédulas foram entregues – sendo que 24 delas com o máximo de 37 nomes assinalados. As demais apontaram menos candidatos que vagas a preencher.
As questões que ficaram: quem eram e o que estariam fazendo de tão importante naquela noite os 49 conselheiros que não apareceram para votar?
Já temos caso de conselheiro que abandona reunião importante para dar entrevista em rádio e depois, como alguém em Brasília, lava as mãos e diz que não sabia de nada...
Difícil saber por que a situação do Coritiba é tão ruim?
Vou propor uma pesquisa do tipo “enquete” à equipe de redação.
Você acha que o site COXAnautas é menos Coxa que os demais veículos de comunicação?
É que muita gente faz reparos à nossa linha editorial, dizendo que nem sites de outros times da Capital seriam tão destrutivos nem fariam tão pouco do desempenho do Coritiba quanto nós...
Que a nossa posição de “tolerância zero” estaria mais próxima de “intolerância máxima”...
A verificar.
xxx
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)