
MUNDO
Um estudo elaborado por especialistas em comportamento de massas da Universidade de Liverpool e da Academia de Polícia holandesa, denominado 'Low-profile', que teve muito sucesso na Eurocopa 2004, tornou-se referência pela Europa. O holandês Otto Adang, o inglês Clifford Stott e a alemã Martina Schreiber elaboraram uma nova proposta de ação das forças policiais em eventos esportivos.
Otto Adang, que acompanha o hooliganismo (movimento dos hooligans) nos estádios europeus desde 1986, iniciou seus estudos com primatas do Zoológico de Arhem. Depois, estudou o comportamento da polícia, finalizando seus estudos ao acompanhar o comportamento das multidões.
Denominada “Dinâmica, policiar e “hooliganism” multidão em Euro2004”, a pesquisa foi conduzida pelo Dr. Clifford Stott e pelo Dr. Otto Adang, da Universidade de Liverpool - Psicologia, treinou 16 observadores do Academia Portuguesa das Polícias e as Universidades de Coimbra, de Porto e de Lisboa (Portugal foi o país sede da Eurocopa 2004). Realizaram 300 entrevistas com torcedores, policiais (de vários países), responsáveis por seguranças em jogos de futebol e representantes da UEFA e da Liga Inglesa de futebol.
As pesquisas foram financiadas pela Economic & Social Research Council - ESRC, uma organização que investe cerca de 123 milhões de libras estrelinas ao ano, em pesquisa e o treinamento relacionados às áreas sociais e econômicas do setor público e do governo.
Pontos principais da pesquisa do 'Low-profile':
1. Fora da vista, mas próximo:
Misturar policiais devidamente caracterizados com uma identificação fácil, bem visível (coletes nas cores verde limão) com policiais à paisana. Os fardados, em menor número, e numa distância que dificulte a provocação dos vândalos, que eram imediatamente identificados e presos pelos policiais à paisana.
2. Resposta rápida
Apesar de uma presença visível de um pequeno número de policiais (facilmente identificáveis pelas suas roupas) os potenciais incidentes eram imediatamente contidos, numa resposta veloz e apropriada (sem o uso extremo e desafiador da força policial), o que acaba por acalmar a situação.
Os limites de atuação, seja dos torcedores, seja dos policiais é claro para ambas as partes, que se conhecem. A atuação era tão rápida e de sucesso, que outros torcedores nem percebiam que haviam policiais à paisana entre eles.
Como os torcedores 'causadores de problemas' eram previamente identificados, facilitava a ação dos policiais durante os jogos, que ficavam atentos aos torcedores problema.
Albufeira, a exceção da Eurocopa 2004
As teorias do 'Low-profile' não foram utilazadas pela força policial da cidade de Albuferria, onde acontecerem os incidentes de maior violência durante a Eurocopa de 2004. Na prática, o uso da força policial tradicional causou mais problemas: os confrontos entre os hooligans e a polícia foram muito maiores.
A conclusão do estudo é de que o uso de oprissão e da força bruta pode controlar o conflito no curto prazo, mas a tendência é que amplie os conflitos na seqëncia, tanto em tamanho como em intensidade.
Para o professor Adang, a existência de poucos incidentes durante a Eurocopa é reflexo de "uma abordagem de polícia não visível, prestável mas firme, e não provocadora" diz o pesquisador.
Na Copa do Mundo 2006, a professora Martina Schreiber estará trocando experiências com a polícia alemã. As eperiências da Grã-Bretanha na condução de segurança em eventos de massa está sendo trocada com a polícia do país sede da Copa.
Na Inglaterra, o governo e a iniciativa privada investem há anos no estudo do hooliganismo. A National Criminal Intelligence Service – NCIS, o serviço de inteligência do Reino Unido, tem como objetivo de recolher, armazenar e analisar a informação a fim fornecer a inteligência criminal para fornecer a inteligência criminal policiar forças em Grâ-Bretanha, o serviço das polícias de Irlanda do Norte, o Esquadrão Nacional Anti-Crimeime e outras agências de inteligência.
A Universidade de Leicester tem o Sir Norman Chester Centre for Football Research, um centro de pesquisa estabelecido no seu Departamento de Sociologia, criado em abril de 1987. O centro foi financiado originalmente pela Liga de Futebol inglês. Atualmente o centro desenvolve projetos de pesquisa no impacto social e cultural do esporte.
Num comparativo de intensidade e gravidade dos conflitos, entre o início dos anos 80 para a atualidade, os incidentes com hooligans diminuiram no Reino Unido, fruto de uma política pública séria, com investimentos na polícia e na mudança da legislação, muito mais rigorosa agora.
A "torcida organizada" do Cardiff, o Soul City Firm (na Grã-Bretanha se usam os termos Firm, Casual ou Crew, algo como torcida organizada) foi criada nos idos de 1970. Na déacada seguinte, foi feito um estudo e Cardiff foi considerada a cidada mais segura para os torcedores visitantes. Como reflexo, grupos da torcida local começaram a agir violentamente e vinte anos depois, o Cardiff é conhecido por ser a torcida mais violenta do Reino Unido.
Estudos realizados ano passado, dão conta que a torcida do Cardiff (com ligações com o crime organizado) foi a causadora de 10% dos incidentes violentos em todo a Grã-Bretanha. Depois, vem as torcidas do Stoke City (Stoke City under 5`s) e do Leeds United (Service Crew). Na seqüência vem os times de Londres, o Millwall (Bushwackers) e o Chelsea (HeadHunters, com ligações ao Combat 18, a National Front, grupos neonazistas e a Ku Klux Klan).
Em 2005, o professor Clifford Stott, acompanhou mais de perto os fãs do Cardiff City, time do país de Gales. Um dos jogos dos 'Bluebirds' (como são chamados os torcedores do Cardiff, que tem uma andorinha como símbolo) foi contra o Sheffield United, jogando na casa do adversário.
Segundo o site iCWales, em outubro do ano passado o projeto do 'low-profile' foi utilizado pela polícia local perante a torcida do Cardiff, que está alterando sua estratégia de atuação em jogos de futebol.
Fontes:
www.ncis.co.uk
www.le.ac.uk/snccfr
www.bbc.co.uk
icwales.icnetwork.co.uk
www.esrc.ac.uk
www.guardian.co.uk
NOTA:
O objetivo desta publicação é demonstrar as experiências que vêm dando resultados positivos quando o assunto é o combate à violência nos estádios de futebol.
A experiência internacional pode ser adaptada para a realidade brasileira, melhorando o aspecto de segurança aos torcedores que realmente gostam do futebol.
Fotos:
As fotos são de confrontos envolvendo os times do Cardiff City, Stoke City, Leeds United, Millwall, Chelsea e Manchester United.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)