
PARANAENSE
Nas primeiras horas da manhã as ruas do Alto da Glória começaram a ganhar vida com as cores verde e branco. Torcedores do Coritiba chegaram cedo para preparar-se para o clássico.
Na sede da Torcida Império Alviverde, a aglomeração de torcedores ganhava corpo hora a hora. A torcida preparou uma festa para seus associados que não tiveram a oportunidade de comprar um dos 2.500 ingressos destinados à torcida alviverde. Na sede, onde havia um telão para 300 associados da organizada, que puderam acompanhar a transmissão da conquista do Coxa.
Fora da sede da Império, centenas de pessoas andavam pela rua Mauá com bandeiras do Coritiba. Do outro lado do Estádio Couto Pereira, onde estava localizado o telão contratado pela diretoria alviverde, um verdadeiro mar verde e branco acompanharam a partida.
Cálculos dos funcionários do Coritiba davam conta de aproximadamente 10 mil torcedores acompanharam o jogo pelo telão. Todo o espaço do estacionamento, da entrada da sede administrativa até a loja Coxa Mania estava lotado de torcedores do Coritiba.
A torcida Coxa que estava acompanhando o jogo pelo telão vibrava com os lances de perigo do Coritiba. No gol de Jucemar, uma explosão sonora tomou conta do local. Com o 1x0 o Coxa seria campeão e partiu para cima.
Na jogada seguinte, Luis Mário quase fez o segundo gol do Cori. Logo após, o adversário chegava ao gol de empate e em dois minutos virou a partida em dois gols de bola parada, a única jogada que eles apresentaram em toda a partida..
Mas a torcida Coxa não parava de torcer e incentivar à distância. Cânticos da torcida ecoavam pela multidão, incentivando o time que chegou ao empate em brilhante jogada do descomunal Adriano, o melhor lateral esquerdo do Brasil.
Adriano dominou a bola em alta velocidade, deixando bem para trás o melhor jogador do time deles (justo ele foi substituído no segundo tempo pelo ex-técnico do A. Paranaense), entrou na grande área do adversário onde 8 jogadores deles tentavam marcar a jogada. Adriano, sereno, olhou a posição do “matador” Tuta e fez uma assistência para Tuta, que só teve o trabalho de marcar um golaço de primeira. Estava decretado o empate de 2x2, resultado que dava o título ao Coxa. Nova explosão da torcida Coxa. Bandeiras e gritos de “Coxaaaa! Coxaaaa! Coxaaaa!” ecoavam entre os presentes.
O jogo continuava quente e num erro grave do árbitro da partida, aos 47 minutos o Sr. Mafra resolveu inventar: ele inverteu uma falta em Luis Mário, marcando-a contra o Coritiba. Outra vez em bola parada, o adversário marcava seu terceiro gol, resultado que lhe daria o campeonato.
Mesmo com o resultado adverso, a torcida não desanimava. Nem a chuva insistente foi capaz de esfriar os ânimos dos presentes, que durante o segundo tempo continuavam a incentivar o Coritiba.
Se lá na Baixada, dos 20 minutos do segundo tempo até o final do jogo só se ouvia uma torcida, num único grito de “Coxaaaa! Coxaaa! Coxaaa!”, no estacionamento do Couto não era diferente. Os torcedores que ali assistiam a transmissão do jogo incentivavam o Verdão.
Noutro gravíssimo erro da arbitragem do Sr. Mafra, um pênalti indiscutível em Luis Mário não foi marcado, prova inquestionável de que a indicação do Sr. Homann não foi feliz. Felizmente para ele e para o árbitro da partida, logo depois o destino do clássico foi selado, fazendo-se justiça no placar.
Numa jogada de escanteio chegaria ao gol de empate, o gol do título. Aos 31 minutos do segundo tempo, Ricardinho bateu o escanteio pela direita, Tuta saiu da sua posição original e foi para o bico da pequena área, em direção à primeira trave. Tuta, de cabeça, deslocou a bola no contra-pé do goleiro adversário, que pulou de forma bisonha na bola, não alcançando-a. Bola no fundo das redes, mais um gol de Tuta, “o matador”. Explosão da torcida do Coritiba na Baixada e no Alto da Glória.
O gol de empate do Coxa enlouqueceu a torcida no Alto da Glória. Numa explosão fantástica de alegria, a massa alviverde não parava de cantar e torcer. Os ecos da torcida Coxa eram ouvidos à distância.
Até o apito final o que seu ouvia eram os gritos de incentivo dos torcedores do Coritiba. Aos 51 minutos de jogo, o árbitro marca uma falta nas proximidades da grande área. Se marcasse o gol, fatalmente o título ficaria com o outro time.
Sem seu melhor cobrador de faltas em campo, o adversário contava com aquele jogador que segundo a crônica especializada, seria a principal peça ofensiva, um jogador que já havia passado pelas seleções amadoras do Brasil. Dos pés dele partiu o chute fraco, sem direção, acertando a barreira alviverde. Aquele chute errado enterrou para sempre a chance deles serem campeões. Placar final 3x3, Coritiba Foot Ball Club, Campeão de 2004!
O árbitro encerra a partida; no momento seguinte, inicia-se a festa tanto na Baixada como no Alto da Glória, festa de duas cores: o verde e o branco.
O telão continuava mostrando as imagens contrastantes: do lado vermelho, choros e ira incontida. Torcedores deles quebrando as cadeiras de R$ 30,00 e mostrando notas de real para as câmeras. Revolta de uns, felicidade de outros. Do lado verde, risos e lágrimas, lágrimas de alegria incontida, felicidade dos 2.500 Coxas que calaram 17.470 atleticanos.
A festa alviverde ecoava na quase vazia Baixada. Se na Baixada a torcida Coxa não arredava pé, esperando pela volta olímpica (ou quase isso), no Alto da Glória um mar de bandeiras e camisas do Coritiba agitadas ao ar. Mais e mais torcedores chegavam ao Couto para comemorar a conquista do Bi-Campeonato.
Pouco tempo depois do fim da partida, chegou o carro de som para a torcida vencedora. O estacionamento do Couto ficou pequeno para tanta gente. Torcedores tiveram que ficar nas ruas próximas, pois o estacionamento estava lotado. Vendedores ambulantes faturavam alto com a venda de faixas de Bi-Campeão 2003/2004. Bandeiras tremulando, gritos de “Coxa eu te amo! Coxa eu te amo!” ecoavam.
Por volta das 20h40’ minutos o caminhão do corpo de bombeiros trazendo o elenco Bi-Campeão paranaense chegava à rua Amâncio Moro. Uma multidão incalculável de torcedores Coxas aguardava ansiosa pelos heróis do título. Bandeiras e foguetes recepcionaram os jogadores e comissão técnica vitoriosos.
Com muita dificuldade, a polícia militar fez um cordão de isolamento em torno do caminhão de bombeiros, pois a ruas Mauá e Amâncio Moro eram pequenas para tanta gente que comemorava o título.
A festa foi até a madrugada. Um título saboroso, um título histórico. O Coritiba inquestionavelmente mantém a hegemonia no futebol paranaense.
A conquista do Bi-Campeonato prova de uma vez por todas que futebol se ganha no campo, com jogadores sérios e dedicados, e fora dele, com uma torcida fantástica, incomparável, que nunca pára de amar seu time de coração, o Coritiba Foot Ball Club.
Parabéns torcida, parabéns comissão técnica, parabéns diretoria, parabéns jogadores, parabéns funcionários do Coritiba! Este título entra para a história e para a memória de todos aqueles que tiveram a grande felicidade de vivenciarem um dos maiores AtleTibas de todos os tempos.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)