
PARANAENSE
No primeiro clássico do ano, Coritiba e Paraná Clube empataram a um gol, debaixo de uma tempestade que caiu durante a maior parte da partida realizada no Couto Pereira. O adversário marcou primeiro, logo aos quatro minutos de jogo, numa falha de marcação da zaga coritibana. O empate Coxa veio aos 44 do primeiro tempo, numa cobrança de pênalti com Ludemar. A torcida Coxa foi maioria absoluta no Alto da Glória: com mais de 9 mil presentes no Estádio Couto Pereira, apenas 640 paranistas, conforme relatou a Tribuna do Paraná desta segunda-feira. A impossibilidade de venda de ingressos aos torcedores do time visitante no local do espetáculo causou problemas, assim como a não possibilidade de entrada de torcedores usando camisas das organizadas. A decisão da Secretaria de Segurança Pública vem de 2001, mas não houve reunião com as organizadas, bem como a divulgação junto à imprensa dos procedimentos envolvendo as torcidas. Durante o primeiro tempo, um início de confronto entre policiais e torcedores do time tricolor ocorreu quando da afixação da faixa de uma organizada (que acabou ficando um tempo de ponta cabeça). Ao final, o empate deixou o Cori em quinto e o tricolor em sexto na tabela do Grupo B. Na quarta-feira (data e horário a confirmar pela FPP) o Coxa vai até Londrina, onde enfrenta o time local. A forte chuva que caiu na tarde-noite de domingo impediu um desempenho técnico de ambas as equipes. Do lado Coxa-Branca, o destaque para determinação dos jogadores e para a torcida Império Alviverde, que cantou o tempo todo.
O jogo: como foi
O técnico Márcio Araújo resolveu mudar o Cori que começou jogando a partida anterior, frente o ACP: entrou Julinho no lugar de Mancha. O treinador coritibano justificou a mudança como sendo uma alternativa tática para contrapor o esquema do adversário, com três zagueiros altos e seis no meio de campo e um atacante isolado, pouco para um time que há quase dez anos não vence o Coxa no Couto em Campeonatos Paranaenses (dezesseis partidas invictas, conforme levantamento dos Helênicos). A última vitória do time tricolor foi o um a zero em 28/07/1996, na decisão do Campeonato Paranaense daquele ano.
Logo no primeiro minuto, o Cori foi à frente. Ricardinho cruzou bem e Ludemar cabeceou, com a bola passando rente à trave esquerda da meta de Flávio. Na jogada seguinte, o adversário faria seu gol, aos 4 minutos. Uma troca de passes em frente à grande área, o Coxa cedeu espaços, a marcação vacilou e o atacante Sandro chutou da entrada da área, a bola bateu na trave esquerda de Artur e no rebote Leonardo fez o gol.
Como o Paraná Clube dava mostras de querer do contra-ataque o seu lema na partida, naturalmente o Verdão procurava avançar, mas encontrava uma marcação muito forte na defesa e na intermediária do gramado.
Com três jogadores canhotos (Julinho, Guaru e Ricardinho), o Cori ficou descaracterizado, tanto na frente, como na zaga: defensivamente, apenas Egídio, sem velocidade e mobilidade, não era o suficiente para fechar a zaga pesada com Índio e Anderson. Nas jogadas ofensivas, Julinho pouco apareceu. Guaru fazia o trabalho de terceiro atacante, mais livre, mas jogando em diagonal, acabava por fechar os avanços de Ricardinho, facilitando o trabalho para o tricolor, que se postava bem atrás.
Em desvantagem no marcador, o Coritiba foi para cima do adversário. Dominando os espaços e a posse de bola, o Alviverde tentava o seu gol, mas sem sucesso. O bloqueio defensivo do time paranista era forte, impedindo os passes e jogadas em velocidade pelos lados do campo.
O jogo se tornou monótono, com poucas chances de gol para ambos os lados. Mais na base da vontade e da força, os times tentavam armar as jogadas de frente.
A zaga Coxa-Branca mostrava falhas de posicionamento, com o capitão Anderson indo até a intermediária para "matar as jogadas". Nestas subidas, cedia espaços para o adversário. Numa boa jogada pela direita, o atacante do Paraná Clube ganha na velocidade de Egídio e entra na área, mas peca na finalização.
Com a chuva forte que começou a cair no Alto da Glória, o trabalho do ferrolho paranista ficou facilitado. Mais preocupado em fazer o tempo passar e matar as jogadas, ora com faltas, ora com chutões, o time tricolor impedia os avanços do Alviverde. Por seu lado, o Cori tinha em Julinho e Eanes figuras muito apagadas. Ludemar mostrava muita voluntariedade, buscando o jogo pelo lado esquerdo do ataque Coxa-Branca. Guaru procurava sair da marcação, para armar jogadas com os alas.
Numa das raras jogadas ofensivas do Paraná na primeira etapa, Rodrigo Alvim sofre uma penalidade do defensor coritibano, mas o árbitro não assinala. Este não foi o único erro do apitador: lances invertidos e a complacência com as jogadas mais ríspidas dos paranistas, que paravam o jogo constantemente, não eram punidas com cartão.
Aos 42 minutos, Guaru disputa uma bola às margens da lateral esquerda e acaba sofrendo uma contusão. Para piorar, além de deixar o gramado (depois foi diagnosticado a fratura de nariz), Guaru levou o amarelo, já fora de campo. No lugar do meio campista, Araújo coloca um atacante de referência, o estreante Jefferson (que acabou jogando mais fora da área no clássico).
Aos 44 do primeiro tempo, em jogada pela direita, Wilton Goiano entra na área e sofre pênalti. Ludemar bate forte, no canto direito, indefensável para o goleiro do adversário. Explosão de alegria Coxa-Branca, notada até na narração da Rádio Banda B: Coritiba 1, Paraná Clube também 1.
Para a segunda etapa, o Cori viria a perder mais dois jogadores, ambos contundidos: Eanes (contusão no ombro) e Egídio (contusão no quadril). No lugar de Eanes, Rodrigo Mancha; já no lugar de Egídio, o treinador do Glorioso optou pela entrada de Iverton. As mudanças acabaram por surtir efeito, deixando o meio de campo do Coritiba mais encorpado e com mais mobilidade na saída de bola, apesar do gramado muito pesado.
O temporal durou todo o segundo tempo do clássico. Com o estado do gramado muito pesado, o jogo passou a ser mais na base das divididas e da força, com poucos lances que entusiasmaram o torcedor.
O time visitante ataca aos 9 minutos da etapa final. Depois de um cruzamento, o atacante cabeceia em direção ao gol, mas Ricardinho salva, tirando a bola.
A primeira chance do Cori na etapa final aconteceu aos 15. Jackson, muito marcado durante toda a partida, chutou forte de fora da área, mas a bola foi pela linha de fundo.
Aos 28, nova jogada de bola parada em favor do Paraná Clube. Sandro cruza e o atacante Eder, em completo impedimento, marca. Corretamente o assistente anula o lance. O goleiro Artur, que fez duas boas defesas na partida, neste lance falhou, deixando escapar a bola.
Com o campo pesado, as equipes procuram lançar a bola à meia altura, usando os lados do gramado.
Aos 32, Sandro chuta de fora da área e a bola acerta a trave da meta Coxa-Branca. Três minutos depois, o troco coritibano: depois de uma bola afastada pela zaga, o volante Rodrigo Mancha acerta um belo chute de fora da área, para boa defesa do goleiro adversário.
A última oportunidade do jogo ficou a cargo do Verdão. O lateral Wilton Goiano cruzou bem, o atacante Ludemar desviou a bola, mas o goleiro do time visitante defendeu antes da chegada de Jefferson, estreante da noite. Placar final, 1x1 no Alto da Glória.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)