
AVALIAÇÃO
Em termos de Campeonato Paranaense, o ano acabou para o Coritiba. Depois de fazer a vantagem no primeiro jogo, o Cori acabou deixando a classificação escapar no jogo de voltas. Erros e mais erros conduziram o Alviverde ao fracasso. Depois das péssimas contratações, desacertos com os treinadores, na base da raça e da força da torcida (mais da força da torcida do que da raça), o Coxa perdeu mais uma oportunidade de trazer um alento ao seu torcedor.
E o resultado reflete bem o que os dirigents do Coritiba precisam fazer para o time subir à Série A já em 2007: rever seus conceitos e montar um TIME de futebol. Chegou ao fim o momento de esperar: dispensas imediatas, contratações imediatas de pelo menos cinco jogadores para serem titulares.
O fracasso no PR 2006 é um reflexo indiscutível que algo precisa mudar e mudar urgentemente no Alto da Glória quando o assunto é futebol, tanto profissional, como amador.
A queda em Campo Mourão só não foi mais amarga devido a ADAP ser um bom time, brioso, valente e que representou muito bem a coletividade local. No final dos dois jogos, teve mais competência para saber que os detalhes é que fazem as grandes diferenças na vida.
O Verdão entrou em campo totalmente errado taticamente. Depois de Márcio Araújo insistir com o esquema dos três zagueiros, foi a vez de Estevam Soares repetir o erro. Contra a ADAP, resolveu mudar o time que vinha bem posicionado nas últimas partidas, quanto atuou com dois zagueiros, mexeu e mexeu errado. Sem deixar passar despercebido o detalhe, o time de Campo Mourão aproveitou e fez três gols nos três zagueiros que Estevam Soares idealizou. Quando a torcida Coxa esperava pela continuidade do esquema tático que vinha trazendo alguma alegria, Soares deu uma super ducha de água fria aos torcedores.
A ADAP tocou a bola no meio de campo sem ser importunada pela marcação Coxa-Branca. O espaço pela lateral direita, nas costas do fraquíssimo Wilton Goiano (que deveria ser dispensado imediatamente do Cori) foram um prato-cheio aos comandados por Gilberto Pereira: por ali saíram os gols e os principais momentos de perigo do primeiro tempo.
O primeiro gol do time do interior saiu com menos de dez minutos de jogo, aos 8, depois de uma cobrança de falta pela direita: a bola alçada no meio da zaga, vacilo coritibano, a bola sobre livre para Dezinho (zagueiro) marcar o gol.
Apesar do Cori dominar a posse de bola e falhar na conclusão (sinal de que atacantes precisam ser contratados), a ADAP não perdou uma série incrível de oportunidades desperdiçadas pelo Alviverde: num contra-ataque, pelo meio da zaga, Ivan ganha na corrida e na força e faz 2x0, na saída de Artur. Eram passados 21 minutos de jogo.
O Coritiba chegou ao seu gol aos 36 minutos, depois de uma cobrança de escanteio pela direita. Anderson Gomes cruzou bem, o goleiro Fábio cortou a bola, que caiu nos pés de Eanes. O atacante chutou no ângulo, para uma defesa espetacular do goleiro da ADAP. No rebote, Anderson Gomes cruzou no peito de Índio, que bateu com estilo, à meia altura e fez o gol alviverde.
Logo a seguir, numa erro grotesco de Artur (que tentou sair jogando com os pés), a bola acabou batendo em Henrique, que desiquilibrado, perdeu o lance para o meia Ivan entrar na área e cruzar rasteiro para Ivan fazer o terceiro, na pequena área. E os três zagueiros de Estevam Soares assistindo a tudo...
Depois do terceiro gol, o Coxa foi engolido pela ADAP. Os jogadores aparentavam nervosismo e foram dominados com facilidade pelo adversário.
Destaque para o time da ADAP, que dividiu todas as jogadas com vontade, com dedicação. Já o Coritiba, com Guaru, que não acertou um único cruzamento em 45 minutos (ele novamente foi substituído no intervalo), bem como não dividiu uma única jogada, ficou assistindo o time da ADAP trocar passes em plena área do goleiro Artur.
No segundo tempo, o ainda treinador do Coritiba, Estevam Soares, optou por mexer no time, consertando seus erros. Sacou Guaru, novamente apagadíssimo no jogo e Vagner, também mal no jogo, para as entradas de Vinícius e de Peruíbe. A mexida parecia que traria resultado, mas novamente os detalhes fizeram a diferença. E infelizmente, contra o Verdão.
Logo aos 4 minutos, depois de um bom cruzamento de Jackson, que no tempo regulamentar foi bem na partida, Anderson Gomes fez o segundo gol do Cori, de cabeça.
Com o gol, o Coxa parecia que iria engrenar no jogo: Eanes e Anderson estavam bem, jogavam com disposição. Mas um detalhe, desta vez casual, prejudicou o esquema tático: Vinícius sofre uma contusão e deixa o campo, para a entrada de Guilherme, que pouco apareceu no jogo.
Minutos depois, mais um detalhe que ajudou a traçar com tons de tragédia o destino coritibano: Peruíbe faz uma falta na intermediária e leva aquele que até ali havia sido o primeiro cartão amarelo da partida. Minutos depois, num erro de marcação do árbitro, numa falta desnecessária (a bola estava indo pela linha de lado, no campo de ataque do Verdão), o volante faz nova falta, recebe o segundo amarelo e é expulso.
Com um a menos em campo, a proposta de jogo do Coritiba mudou drasticamente: o time se limitou a defender e esperar o tempo passar, já que o 2x3 levava a partida para as penalidades.
Nos minutos finais do jogo, Artur, Henrique, Índio, Jackson, Eanes e Anderson Gomes chamaram a responsabilidade, tendo bons desempenhos na parte final da partida. Mas não foi o suficiente para reverter o placar.
Anderson Gomes, valente, sentiu uma contusão e continuou no jogo. O time da casa foi ao ataque, com algumas mudanças feitas pelo seu treinador, que deixou a ADAP mais ofensiva.
Como o gol do adversário não saiu, bem como o gol do Verdão, ambos os times deixaram o tempo passar, esperando as penalidades.
Se no tempo normal, Índio e Jackson foram bem, nas penalidades, quando mais se esperava deles, eles deixam o time e a torcida na mão: ambos erraram as suas cobranças e permitiram a vantagem para a ADAP. O Coxa ainda minimizou o placar nas penalidades com os jovens Anderson Gomes e Guilherme, que fizeram a parte deles e marcaram seus tentos. Mas foi pouco: placar nas penalidades 4x2 para a ADAP, merecidamente classificada à grande final.
Hora de refletir
Agora resta à torcida do Coritiba esperar pelo dia 15 de abril, numas férias forçadas de futebol. Esperar e exigir contratações à altura do tamanho de sua torcida, que levou mais de trezentos torcedores num jogo marcado para Campo Mourão, às 15h40 de um dia útil.
Chega de desculpas, chega de discursos! Queremos time, queremos soluções para o problema, cujo criador pode ser quase todo mundo, exceto a torcida do Coritiba.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)