
ARBITRAGEM
Os árbitros Marcos Tadeu Mafra (aquele que apitou a final do Paranaense 2004, e errou em quatro lances capitais contra o Coritiba), Antônio Salazar Moreno, Carlos Jack Rodrigues Magno, Amoreti Carlos da Cruz, José Francisco de Oliveira, o Cidão (aquele que validou um gol para o A. Paranaense, onde a bola não entrou) e Sandro César Rocha. Estes foram os seis nomes citados pelo árbitro Evandro Roman em seu depoimento ao TJD - PR como sendo árbitros que participam de um esquema de corrupção no futebol paranaense.
Numa matéria de ontem, o site Coxan@utas, na sua matéria "Bomba relógio: será que desta vez a casa cai?", que continha a foto do apitador Mafra, mostrou que também já tinha informações de bastidores.
No programa Mesa Redonda (CNT) desta terça-feira, Romam havia afirmado que há dez anos (desde 1995 então...) o futebol paranaense é assolado por um esquema de corrupção nas arbitragens.
Em seu depoimento, Roman afirmou que o comando do esquema estava nas mãos do presidente do Sindicato dos Árbitros do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz e do veterano árbitro Carlos Jack Rodrigues Magno.
O comportamento de Evandro Roman, considerado por muitos como sendo um dos dois melhores árbitros do estado, é elogiável. Ele fez a parte dele, abrindo as portas da caixa-preta do futebol paranaense. Será que os esqueletos serão achados no armário?
Se um trabalho investigativo for feito pela imprensa especializada, as denúncias do árbitro Roman tenderão a trazer à tona muitas novidades sobre a máfia das arbitragens. É esperar para ver.
Torcedor Coxa: colabore com a seriedade no futebol paranaense. Envie as matérias sobre o escândalo da máfia da arbitragem no Paraná para a imprensa nacional.
Tribuna do Paraná
Roman dá nome aos bruxos e desmascara a máfia
Carlos Simon
Cansado de tanta falcatrua, Evandro afirma que ou volta a
moralidade ou ele desiste de apitar.
Evandro Rogério Roman prometeu e cumpriu. O árbitro soltou o verbo em depoimento ao Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol (TJD-PR) e revelou quem faz parte do que chamou de “máfia do apito”. Sobrou para seis árbitros, da ativa ou não, apontados como membros de um esquema de corrupção que há vários anos estaria rondando o futebol local. Todos os citados serão indiciados e convocados a se explicar pelo auditor do TJD que investiga o caso, Octacílio Sacerdote Filho. Supostamente, o comando do esquema estava nas mãos do presidente do Sindicato dos Árbitros do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz e do veterano Carlos Jack Rodrigues Magno. Nos bastidores, conhecido como “gato mestre”. Na edição de ontem, a Tribuna, na sua manchete (Dia de gato mestre), mostrou que já tinha estas informações de bastidores.
Roman chefiou uma comitiva composta por outros 12 árbitros e assistentes do quadro da FPF. Muitos vieram do interior do Estado e deixaram seus afazeres profissionais para apoiar e dar respaldo às declarações feitas ao TJD.
No início, Roman explicou os motivos que o levaram a acusar os colegas de apito. Ele afirmou que há bastante tempo sabe de presidentes de clubes e árbitros envolvidos em corrupção. “Sempre que ouvia essas histórias pensava: não posso enganar a mim mesmo. O quadro de árbitros do Paraná é composto por homens honrados, mas algumas pessoas colocam todas as outras no lixo. Eu, por exemplo, tenho 800 alunos e não posso admitir que haja suspeitas envolvendo meu nome. Ou a moralidade se instaura ou desisto da atividade”, falou Roman, que é coordenador do curso de Educação Física de uma faculdade em Cascavel.
O árbitro disse ter consciência de que pode “pagar caro” pelas denúncias e revelou ter recebido telefonemas suspeitos na tarde de ontem. O auditor Sacerdote, na condição de promotor público, ofereceu proteção policial a Roman, caso seja necessário, e pediu para uma viatura da PM escoltá-lo até o Aeroporto Afonso Pena.
O denunciante disse não saber de envolvimento de dirigentes da FPF ou da última comissão de arbitragem na “maracutaia”. “Jamais alguém da Federação me pediu, nem por brincadeira, para favorecer A ou B. E Valdir de Souza (ex-presidente da comissão) me pareceu uma pessoa séria. Se existia (participação de Valdir e seu vice Antônio Carvalho no esquema), eles sabiam em quem chegar”, falou.
Antes de revelar os nomes, Roman entregou ao auditor Sacerdote uma carta anônima, escrita por um árbitro da Federação. A carta, que já havia sido enviada na semana passada ao TJD, denunciava vários apitadores e dava detalhes do esquema de corrupção na arbitragem. Roman não respaldou todas as acusações contidas no manuscrito, as quais atribui à mágoa do autor por não ter sido incluído no quadro nacional de arbitragem. Mas todos os nomes citados por Roman estavam na denúncia anônima.
Ao fim do depoimento, Roman pediu que todos os corruptos sejam punidos. “Não pode sobrar nenhuma semente, senão em dois ou três anos estaremos sujeitos aos mesmos problemas. E quero que entrem na Justiça Comum, pois ali vamos brigar de outra forma”, falou. Depois, Roman acompanhou os primeiros depoimentos de colegas e voltou para Cascavel sem emitir novas declarações à imprensa.
Mafra e Moreno se dizem caluniados. Outros se calam
Cahuê Miranda
Salazar: não há provas.
Os árbitros Marcos Tadeu Mafra e Antônio Salazar Moreno dizem que foram caluniados por Evandro Rogério Roman. Ambos afirmam que vão processar Roman por difamação e que desconhecem qualquer esquema de corrupção na arbitragem paranaense.
“Ele me difamou e vou entrar na Justiça. Ele não tem prova nenhuma do que disse, e no que se refere a mim nunca vai ter, pois eu nunca participei de nada disso”, disse Mafra à Tribuna. “A mim nunca chegou nada sobre isso, e se chegou, não tenho prova nenhuma e não posso ficar abrindo a boca”, afirmou.
Mafra também negou que tenha sido expulso da Federação Paranaense de Futebol de Salão, como afirmou Roman em seu depoimento ao TJD. “É mentira. Vou amanhã na federação pegar os documentos que provam que fui eu quem pediu o afastamento.”
Sobre as motivações que teriam levado Roman a fazer as acusações, Mafra foi irônico: “Ele se doeu porque os árbitros catarinenses vieram apitar aqui e falou besteira. Mas aquele que se faz de santo pode não ser santo e amanhã o nome dele pode ser envolvido também”.
Salazar Moreno também foi enfático ao negar qualquer envolvimento no suposto esquema. “O Evandro só pode estar louco. Não existe esquema nenhum”, disse. “Ele vai ter que provar isso na justiça desportiva e na justiça comum. Estou há 20 anos na CBF, sem nenhuma suspeita sobre minha atuação.”
A Tribuna tentou ouvir os outros quatro árbitros citados por Roman no depoimento de ontem. Os telefones de Carlos Jack Rodrigues Magno, Amoreti Carlos da Cruz e Sandro César Rocha estavam desligados ou bloqueados. Já José Francisco de Oliveira, o Cidão, está morando em Londres, e não foi encontrado pela reportagem.
Gazeta do Povo, 21/09/2005
Roman acusa seis de corrupção
Sem apresentar provas, árbitro denuncia colegas e convence auditor do tribunal
Valterci Santos
“Temos de pegar todos. Se algum corrupto sair ileso, vai deixar a semente.” Assim o árbitro Evandro Rogério Roman encerrou o depoimento que revelou nomes e escancarou evidências sobre a manipulação de resultados no futebol paranaense.
O testemunho ocorreu ontem, durante concorrida sessão no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR). O juiz do quadro da CBF chegou ao auditório com o apoio de outros 12 colegas de profissão. Acusou sem mostrar provas – mas deixou evidências que convenceram o auditor do inquérito, o promotor Otacílio Sacerdote Filho.
Roman apontou um grupo de árbitros da capital como membros de uma máfia para extorquir dirigentes e arranjar resultados. “Amorety Carlos da Cruz e Carlos Jack Rodrigues Magno são os líderes”, abriu, com as mãos trêmulas e cercado de câmeras.
“Além disso, gente como Antônio Salazar Moreno, José Francisco de Oliveira (o Cidão), Sandro César da Rocha e Marcos Tadeu Mafra estão neste jogo sujo”, completou. O último mediou o Atletiba decisivo no Estadual de 2004.
Uma carta anônima endereçada ao TJD-PR foi a senha para abrir a caixa-preta. No documento, lido em público pelo relator, já eram citados esses apitadores como pessoas ligadas ao “Bruxo” (o ainda desconhecido operador do esquema). Em seguida, Roman confirmou tais acusações e abriu um repertório de casos de corrupção.
Roman contou que um dirigente do Foz falou em entrevista ao Canal 21 da região que determinado árbitro havia pedido hospedagem em um hotel quatro estrelas, com acompanhante, e dinheiro para gastar no Paraguai como troca por favorecimento no gramado. “Pelo levantamento que fiz, só poderia ser o Magno, Mafra ou Maurício (Batista dos Santos)”, disse, descartando que fosse o último.
Em outro episódio, insinuou manipulação na Série Prata de 2004. “Toledo e Foz jogavam e o Cidão estava no comando. No mesmo horário, Engenheiro Beltrão e Cascavel se enfrentavam com o apito do Mafra. Temos testemunhas de que no intervalo e fim desses jogos, os dois juízes se telefonaram via celular para saber se deu tudo certo.”
Moreno – que trabalhou em Operário e São José, o estopim para o mensalão no apito – também não passou impune. “Em 2000, ele estava na escala de Batel x Rio Branco, no entanto foi afastado pelo José Carlos Marcondes (então presidente da Comissão de Arbitragem). Havia uma denúncia e o Gérson Antônio Baluta foi convocado de última hora. Este pode confirmar isso...”, atacou.
O técnico desempregado Itamar Belasalmas acabou envolvido. “O Toni Almeida, dirigente do Cascavel, ouviu desse treinador que com R$ 20 mil, tipo pacote, dava para garantir a classificação. Esse não aceitou a proposta, mas contou a história em entrevistas.”
Após quase uma hora de depoimento, Roman deixou comovido o responsável pelas investigações. “Hoje é um dia inesquecível para a arbitragem do futebol do Paraná”, encerrou Otacílio Sacerdote Filho.
Rodrigo Fernandes e Robson De Lazzari
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)