
PARANAENSE
Depois de 25 anos, o Coritiba volta a provar a supremacia das suas cores no futebol estadual com a conquista do bicampeonato.
O empate por 3x3, com gol de cabeça de Tuta, deu a taça ao Verdão. Pela primeira vez na história, o Coritiba pôde dar a volta olímpica no J. Américo. Aliás, pôde, mas não deu. Os jogadores limitaram-se a comemorar com a torcida, que ocupou a reta dos fundos, atrás de um dos gols. Não fazia sentido correr o resto do estádio, pois não havia mais ninguém.
Foi uma partida eletrizante, que valeu cada centavo investido pelas 20 mil pessoas que estiveram no estádio.
Nos primeiros minutos, o time da casa tentou pressionar o Alviverde, mas sem grande impacto - exceto num chute cruzado de fora da área de Alessandro Lopes, que desviou em Reginaldo Nascimento e Washington e Rogério Corrêa quase chegaram a tempo para completar. Apesar disso, os contra-ataques com Luis Mário, Tuta e Aristizábal - deixados no mano a mano com três zagueiros - eram de arrepiar e o Coxa parecia mais perto de abrir o marcador.
De fato, foi o que aconteceu, aos 17 minutos. Depois de uma cobrança de escanteio mal executada, o Coritiba ficou com a bola e puxou contra-ataque. Adriano chegou à linha de fundo e cruzou. Aristizábal deixou passar, o zagueiro afastou para fora da área e Jucemar ficou com o rebote. Ele dominou e chutou, com muita força e categoria, no canto direito de Diego. Golaço!
O Verdão ainda teve chance de aumentar e dominava a partida quando sua defesa começou a mostrar deficiências fatais em bolas altas. Foi assim que o A. Paranaense virou o placar em dois minutos. Aos 24, Jadson cobrou escanteio, a bola foi desviada e sobrou limpa, na pequena área, para o zagueiro Rogério Correa chutar a bola para o gol.
Logo depois, o árbitro marcou falta coxa-branca na intermediária. Jadson jogou a bola na área e ninguém foi nela, enganando o goleiro Fernando. A bola acabou entrando direto no gol.
Estava revertida a vantagem do Coritiba: bastava ao rival não levar gol para ficar com a taça.
Mas o Coxa individualmente é muito melhor e ainda contava com Adriano, disparado o melhor atleta do estado em atividade. Aos 35, ele fez grande jogada na lateral esquerda, deixou toda a zaga para trás e cruzou à meia-altura. Tuta, mostrando ser o matador que faltou ao Cori na Libertadores, mandou um "sem-pulo" indefensável: 2x2.
Logo depois dessa jogada, Adriano tentou dar um pique e desabou, contorcendo-se de dores. Quando Tuta se aproximou, Adriano fez um gesto muito claro: "arrebentou" - o craque sentiu uma contusão no músculo da coxa esquerda no último jogo da Libertadores e foi dúvida durante toda a semana. O sacrifício valeu a pena, mas Adriano teve de deixar o campo e vai ficar algum tempo de molho. Ricardinho entrou em seu lugar e lidou bem com a pressão, realizando um bom trabalho em todo o jogo - e cobrando o escanteio do gol do título.
Mas depois de perder Adriano, o Coxa sofreu outro golpe. Após erro do árbitro Marcos Tadeu Silva Mafra, os donos da casa novamente ficaram à frente. Aos 45 minutos, Luiz Mário recebeu uma "carga" de um jogador atleticano, próximo à área alviverde, mas o árbitro conseguiu ver falta do jogador do Cori. Na cobrança da falta, executada de forma semelhante àquela do segundo gol, a zaga alviverde ficou dormindo e Igor subiu sozinho para cabecear.
No segundo tempo, o equilíbrio entre as duas equipes permaneceu, mas com a vantagem no marcador, o time paranaense recuou um pouco e o ritmo do jogo caiu bastante. Aos 15 minutos, outro erro do árbitro. Luiz Mário entrou na área com a bola dominada e, no momento do arremate, foi derrubado, mas o pênalti não foi marcado.
Precisando do resultado, o Coritiba foi chegando mais no ataque e, na base da raça, chegou a pressionar pelo gol de empate. Vale ressaltar um detalhe: enquanto aqueles que já se consideravam campeões apenas assistiam à partida, os 2.500 coxas-brancas gritavam a plenos pulmões, incentivando de forma incrível os heróis da noite.
Aos 28, Aristizábal teve a bola do título nos pés. Luiz Mário fez jogada pela direita e tocou para Jucemar. O lateral cruzou rasteiro para o colombiano, que estava em excelente posição na área. A bola passou um pouco e Ari tentou finalizar de letra - seria o gol mais bonito já marcado nesse estádio depois da sua reforma. Infelizmente, a bola saiu fraco e Diego defendeu.
A história do jogo mudou pela última vez aos 30, quando o técnico Mário Sérgio resolveu tirou o meia Jadson e recuar sua equipe ainda mais. A torcida ainda gritava "burro, burro" quando Ricardinho cobrou escanteio pela direita e Tuta antecipou-se à zaga para cabecear e deixar seu nome na história dos AtleTibas.
Nos minutos finais, o Coritiba retribuiu com juros a catimba que o A. Paranaense havia feito até então. Até Antônio Lopes, atingido por algo bastante duro - segundo ele - foi cair no meio do campo e solicitar atendimento médico.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)