
AVALIAÇÃO
Em pleno domingo de Carnaval, um irritante empate frente ao Iguaçu, depois de estar vencendo por dois gols a zero no primeiro tempo, foi a gota d'água para a torcida Coxa-Branca pedir a cabeça do treinador Guilherme Macuglia. Com o resultado, o Cori permaneceu em oitavo lugar na tabela, com 13 pontos, mas com mais jogos do que Paraná Clube, que jogará nesta segunda-feira. Com um futebol de altos e baixos, o time coritibano pareceu cansar no tempo final e levou sufoco do time de União da Vitória. Na quarta-feira, o Coxa encara o Caxias precisando vencer por 1x0 para se classificar na Copa do Brasil e manter Macuglia no cargo de treinador.
O jogo
O Coritiba iniciou melhor a partida, frente a um adversário que jogava com três zagueiros na marcação e três volantes, um deles, Alex Lopes, ex-A. Paranaense, que em fim de carreira se preocupou exclusivamente em marcar Marlos e Pedro Ken. Procurando destruir as ações ofensivas do Alviverde, o time celeste marcava forte no seu campo de defesa. Mas com menos de 10 minutos, o Cori fez o seu gol (aos 7), num lindo lance do zagueiro Douglão, que acertou uma belíssima bicicleta, indefensável para o goleiro do Iguaçu.
Com o gol sofrido, o time visitante redobrou os cuidados de marcação. Sem poder contar com um apoio qualificado dos laterais Carlão e China, o time curitibano facilitou o trabalho do Iguaçu. Marlos e Pedro Ken trocaram bons passes, procuravam encontrar espaços, mas os laterais não eram eficientes no apoio. Com dois volantes de marcação, Rodrigo Mancha e Juninho, o Cori deixava os seus meias muito isolados para armar os ataques.
O time visitante congestionou o meio de campo, marcando forte e segurando os avanços das duplas Marlos e Ken, Edmílson e Keirrison. Sem contar com uma boa saída de bola da defesa para o ataque, e com Túlio no banco de reservas, o time de Macuglia insistia em sair jogando com seus zagueiros, Douglão e Ozéia, que não tinham a qualidade individual para sair jogando, o que facilitava a marcação do adversário. Mesmo assim, foi graças a uma iniciativa de Ozéia que o time do Verdão fez seu segundo gol na partida.
Aos 40, o zagueiro dominou no campo de defesa, avançou, se livrando da marcação e passou para Edmilson fazer Coxa 2x0, para alegria dos mais de 3.100 torcedores presentes no Alto da Glória.
No tempo final, o treinador do Iguaçu mudou o esquema de jogo e dominou o esquema tático do Cori. Ao colocar em campo Tom e Edivaldo, o Iguaçu partiu para o jogo, tocando bem a bola, especialmente com os camisas 8 e 10. Contando com o apoio do lateral-direita, o time azul incomodou o time Coxa-Branca na defesa, fazendo Rodrigo Café aparecer bem no jogo, com algumas boas defesas.
Dominado em campo, o Coxa cedeu espaços para o time azul tocar a bola e incomodar a defesa coritibana. Tanto que aos 17, numa cobrança de falta pela esquerda do ataque do Iguaçu, a bola foi cruzada na área a defesa do Coxa deixou Igor cabecear sozinho para fazer o primeiro gol do adversário.
O gol sofrido piorou o rendimento Coxa em campo, com os jogadores tentando jogadas individuais para resolver as coisas e aplacar a cobrança da torcida. Mas não deu certo. Com Marlos pela direita e Edmilson pela esquerda, Keirrison ficou isolado na frente, recebendo marcação individual. O atacante, dono da camisa 9, teve que voltar para buscar o jogo, já que nem Carlão, nem China subiam para apoiar o ataque coritibano. Saindo da sua característica de jogo, K9 foi mais facilmente marcado e o ataque Coxa-Branca inexistiu.
Aparentemente cansado em campo, o time do Cori cedeu mais espaços ao Iguaçu, que tocava bem a bola e partiu com tudo para cima do Coxa, buscando o empate, que veio aos 31 minutos, depois de uma falha infantil do lateral China, que foi expulso ao cometer pênalti. Abimael bateu e empatou o jogo, para o apupo da torcida Coxa-Branca, que pediu a cabeça do treinador.
Pressionado, Macuglia mexeu e mexeu mal no time, ao tirar Pedro Ken para a entrada do meia-avançado Geraldo, que é canhoto, Rodrigo Mancha (que não jogaria na rodada seguinte, contra o Caxias) para a entrada de Túlio e Carlão, que deixou o time, cedendo lugar para o atacante Eanes.
Das mudanças de Macuglia, a que mais surtiu resultado foi a entrada de Túlio, um jogador com mais dinâmica de jogo ofensivo. Túlio jogou como um meia, buscando o jogo pelos dois lados do campo e ainda teve uma boa oportunidade, ao bater uma falta com qualidade, com a bola passando perto do gol.
Sem ninguém no lado direito defensivo, já que China fora expulso e Pedro Ken substituído, o time coritibano literalmente sucumbiu em campo. Enquanto Geraldo fazia a função de ala-esquerda, com poucos lampejos ofensivos de qualidade, um corredor se abriu no outro lado do campo, por onde o time de União da Vitória fez seu jogo ofensivo e quase chegou ao terceiro gol.
O time Coxa foi ao ataque, atabalhoadamente, cedendo muitos espaços para o contra-golpe. Numa falha individual de Ozéia, que deixou a bola passar, o Verdão sofreu um contra-ataque de perigo.
Pressionado pela torcida, o time Alviverde sucumbiu em campo. Sem trocas de passes com qualidade, a pressa para buscar o gol de desempate só prejudicou o time. Sem mostrar um padrão de jogo tático minimamente aceitável, os jogadores do Coxa estavam fora de suas posições originais, partindo para os lances individuais e facilitando o trabalho da bem postada zaga do Iguaçu.
Prestigiado, mas precisando vencer... ou...
Com o apito final, uma saraivada de críticas recaiu sobre o treinador coritibano. A torcida Coxa pediu a cabeça de Guilherme Macuglia, que está garantido no cargo, pelo menos até o jogo da próxima quarta-feira, quando terá que se classificar sobre o Caxias.
À imprensa, o coordenador de futebol João Carlos Vialle garantiu que Macuglia continua no comando do time, mas a classificação na Copa do Brasil será um condicionante para a permanência do treinador.
Após a fraca apresentação contra o Iguaçu, nota-se que além dos problemas no comando técnico do Verdão, o elenco é fraco e precisa de vários reforços, caso queira almejar algo nas competições nacionais. Permanecendo com este futebol apático, burocrático, mal-treinado, e aparentemente sem fôlego no tempo final, o time Coxa-Branca terá problemas para superar o Caxias. E pior, até para se classificar entre os 8 melhores do PR 2007.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)