
AVALIAÇÃO
Por Leonardo Lovo - COXAnautas
Num jogo-chave para tentar o bicampeonato estadual, o Coritiba recebeu o bom time do J. Malucelli no Couto Pereira para tentar devolver a derrota da primeira fase e se manter na liderança do estadual, mas uma série de fatores impediram que o Alviverde se mantivesse 100% na segunda fase. Heber Roberto Lopes foi um deles, ao minar o time coritibano e deixar de marcar um pênalti claríssimo em Marcos Aurélio na reta final do jogo; Márcio Gabriel, além de perder um gol feito e errar alguns cruzamentos, merece destaque negativo por ter feito gestos obscenos à torcida; já Ivo Wortmann pecou mais uma vez pela falta de ousadia, e acabou colhendo um péssimo resultado, um empate em casa que pode lhe custar o título. O primeiro de sua carreira.
Primeiro tempo
As duas equipes iniciaram a partida se estudando e marcando muito forte. Alternando-se no ataque, Coritiba e J. Malucelli não conseguiam criar boas chances de gol, e o primeiro lance mais perigoso só foi acontecer aos 11', com Marcos Aurélio batendo cruzado e Cleiton cabeceando pra fora.
O time visitante marcava forte, e Heber Roberto Lopes ignorava as jogadas mais ríspidas. Aos 22' o árbitro conseguiu acabar com a paciência da torcida ao deixar de marcar falta em Marcelinho Paraíba e, na sequência do lance, amarelar Pedro Ken após o meia coritibano ter tirado uma bola limpa do adversário, sem falta. Com o cartão - mal assinalado - Pedro Ken está fora do clássico diante do P. Clube no próximo fim de semana.
O atacante Bruno Batata dava muito trabalho para Cleiton, que tinha dificuldades na marcação do ex-centroavante Coxa. Aos 27' ele fez boa jogada e finalizou, mas a bola foi pra fora.
O trio Renatinho, Marcos Aurélio e Marcelinho Paraíba passava longe das boas atuações que vinham tendo, o que prejudicou o poder ofensivo do Alviverde. O jovem meia prendia muito a bola, enquanto Marcos Aurélio errava passes e Marcelinho não encontrava boas opções de jogada para progredir.
Nos últimos minutos da primeira etapa os times se alternaram nos ataques, tentando a abertura do placar, e o Coxa quase conseguiu aos 44', com Marcos Aurélio, que recebeu de frente para o gol e acabou perdendo a oportunidade.
Segundo tempo
Com Ramon sendo peça nula pela ala-direita, o técnico Ivo Wortmann lançou mão de Márcio Gabriel pelo setor para tentar melhorar as jogadas por aquele lado. A movimentação e a criação de jogadas pelo setor até melhorou, mas o último toque seguia sendo o pecado maior do Coritiba.
Nos primeiros 10' da segunda etapa o J. Malucelli pressionou o time da casa, com Bruno Batata e Oliveira se destacando no ataque dos azuis.
Aos 16' um belo lance de encher os olhos quase muda o placar: Marcelinho pegou lindo chute de "sem-pulo", para grande defesa do goleiro Colombo, do Jota. Logo em seguida Renatinho deixou o campo para a entrada de Guaru, que foi para a ala-esquerda, fazendo com que Carlinhos Paraíba fosse deslocado para o meio-campo, com mais liberdade para criar jogadas.
Em bela jogada pela direita, Márcio Gabriel ultrapassou e recebeu lindo passe de Marcelinho. O ala entrou em diagonal, com muitas opções de finalização ou passe, mas finalizou de forma estranha, batendo fraco na bola, com efeito, e ela saiu próxima ao ângulo esquerdo de Colombo. Nessa hora a torcida Coxa, que vinha apoiando muito, lamentou e esboçou algumas vaias. Alguns torcedores das sociais inferiores criticaram o ala, que fez gestos obscenos em resposta, o que irritou ainda mais a torcida.
Obrigado a vencer, o Coxa pressionava bastante, e aos 20', mostrando não ter se abatido com o gol perdido, Márcio Gabriel bateu forte da entrada da área, com a bola passando rente ao poste direito do Jota.
Procurando responder aos avanços do Coxa, o Jota se recuperou e devolveu a pressão, com Oliveira dando muito trabalho à defesa. Jucelei e Ronaldo também apareciam para concluir, mas o placar seguia inalterado.
Irritando muito a torcida, o técnico coritibano chamou Ariel Nahuelpan apenas aos 35' do segundo tempo, no lugar de Douglas Silva. O nome do "gringo" já vinha sendo gritado das arquibancadas há muito, mas o treinador manteve o esquema burocrático e ineficiente que mantinha o 0x0. A entrada do centroavante animou a torcida, mas as críticas ao treinador não foram deixadas de lado.
Aos 37', o lance capital do jogo: em boa trama do ataque Coxa, Marcos Aurélio cortou o defensor e armou o chute, quando foi calçado e atropelado por um zagueiro do Jota. Heber Roberto Lopes, em cima do lance, fez "pose" e sinalizou para seguir o jogo, vergonhosamente deixando de assinalar o pênalti claríssimo para o Coritiba. A torcida, que já estava indignada com o árbitro, passou a entoar cânticos de crítica a "Sua Senhoria".
Ariel entrou com muita vontade, e em poucos minutos fez mais que todos os companheiros haviam feito até então. O centroavante entrou pela esquerda com liberdade e chutou cruzado, mas a bola saiu raspando a trave esquerda de Colombo. Pouco depois, em cobrança de escanteio, Guaru escorou e o "gringo" finalizou desequilibrado, raspando agora a trave direita do goleiro do Jota.
Aos 45' da segunda etapa, a última chance, naquela que poderia ser a jogada decisiva da partida. Ariel foi derrubado pelo último homem do adversário, que levou apenas amarelo. Marcelinho Paraíba, exímio cobrador de faltas, foi pra bola. Esperança e expectativa da torcida frustradas, já que o meia-atacante bateu no canto do goleiro Colombo, que conseguiu a defesa.
Final de jogo, Coxa 0x0 J. Malucelli, e vantagem desperdiçada na segunda fase. O empate em casa pressiona o Alviverde, já que volta a depender de outros resultados para se sagrar campeão ao longo da reta final do Paranaense. Na próxima rodada o time recebe o P. Clube, num clássico decisivo.
Destaques da partida
Destaque positivo: a torcida do Coritiba, que mesmo tendo sua paciência testada pelo péssimo desempenho do time e pela apatia de seu treinador, cantou o jogo todo e compareceu em número razoável, mais de 18 mil presentes.
Destaque negativo: leve vantagem para o péssimo Heber Roberto Lopes, que decidiu o jogo "em favor" do J. Malucelli, que foi beneficiado ao sair com um empate que poderia ter sido uma derrota caso o pênalti não dado pelo árbitro fosse convertido. Logo atrás, merecendo menções honrosas, Ramon, Márcio Gabriel e, principalmente, Ivo Wortmann. O primeiro foi peça nula, enquanto seu substituto perdeu um gol feito e fez gestos obscenos para a torcida. O treinador, por sua vez, pecou pela falta de coragem na busca pela vitória.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)