
DINHEIRO
O campeonato estadual sempre foi tido como deficitário para os grandes clubes. O que é uma grande lástima, pois se perde quatro meses do ano disputando um campeonato que financeiramente só traz prejuízo, normalmente adiando-se a montagem de um bom time para manter o “custo baixo” nesse começo de ano.
A verdade é que as cotas da TV são baixas, o campeonato não atrai grandes patrocinadores e a renda dos jogos é insuficiente até para cobrir os custos do próprio jogo, quanto mais para suprir os gastos com concentrações, manutenção, viagens e o quadro fixo de funcionários e atletas, e ainda pagar as dívidas anteriormente contraídas.
No mês de fevereiro em todos os jogos no Couto Pereira o Coritiba teve prejuízo. Nas três partidas, contra Paranavaí, Engenheiro Beltrão e Toledo, o clube arrecadou quase R$ 140 mil. Porém os custos da partida, resumidos em quadro móvel (seguranças, equipe e material de limpeza, ambulância, gastos com som, placar etc), contrato com a empresa de confecção dos ingressos, taxas de arbitragem, da federação e impostos totalizaram mais do que isso, resultando num prejuízo acumulado de R$ 25.259,60.
Como mudar o panorama?
Não há escapatória, para transformar um prejuízo em lucro só há duas coisas que se pode fazer: reduzir os custos e aumentar as receitas.
Dos cinco itens que compõem os principais custos de um jogo – Quadro Móvel, Confecção de Ingressos, Taxas de Arbitragem, Taxas de Federação e Impostos – somente os dois primeiros podem sofrer redução. Uma pesquisa por melhores preços nos serviços terceirizados do Quadro Móvel ou a renegociação do contrato com a BWA para que se reduza a parcela que cabe à empresa que confecciona os ingressos, chegando a valores mais próximos aos observados nos borderôs de outros clubes, são exemplos de caminhos a se seguir.
Os custos de concentração, manutenção, viagens e do quadro fixo também podem ser revistos. Apesar de, nesse caso, comumente se observar a opção por um elenco barato financeiramente, mas que pode custar caro ao longo do ano, visto que a montagem de um time somente para o brasileiro pode comprometer o resultado da temporada toda. A renegociação das dívidas também entra nessa questão.
Na outra ponta está a adição de receitas. Mais e melhores patrocinadores e parcerias, maior cota da TV, subsídios das federações que organizam os campeonatos são coisas a se lutar. Mas o que nós, como torcedores, podemos fazer imediatamente é contribuir para melhorar a renda dos jogos. Para isso há dois caminhos: ir aos jogos e incentivar mais pessoas a irem também; ou, ainda mais importante, tornar-se sócio do Coritiba.
A compra de um ingresso para um jogo ajuda as receitas do clube, mas sobre ele incidem imediatamente várias taxas e impostos. Sem contar que o planejamento de uma partida freqüentemente tem que superestimar os gastos para comportar um público maior do que o usual, gastando mais principalmente nos serviços terceirizados e na confecção de ingressos excedentes.
Ao se tornar sócio ajuda-se o clube antecipando receitas, sobre as quais os encargos tributários incidirão somente no futuro e, mais do que isso, garantindo uma entrada mensal de receita que é muito mais confiável do que os ingressos vendidos para cada partida, que pode ser contra um adversário pouco atrativo, ou num dia chuvoso.
Para se montar um grande time é preciso ter condições financeiras. O mês de fevereiro, com prejuízo em todos os jogos, só regrediu as condições do clube em fazê-lo. Por isso cabe ao clube procurar estratégias para diminuir seus custos e aumentar suas receitas, assim como cabe ao torcedor intensificar sua ajuda para garantir, ao menos, uma boa bilheteria ao Coritiba.
Público, Renda e Prejuízos nos jogos de Fevereiro:
| Adversário | Paranavaí | Eng. Beltrão | Toledo |
| Público Pagante | 4.498 | 3.586 | 6.325 |
| Renda Bruta | R$ 48.395,00 | R$ 27.505,00 | R$ 63.465,00 |
| Resultado Líquido | R$ (3.460,45) | R$ (19.589,84) | R$ (2.209,31) |
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)