
PARANAENSE
No clássico disputado ontem, no Pinheirão, contra a equipe do Paraná Clube, o Coritiba foi derrotado, e agora é o terceiro colocado na classificação. O próximo jogo do Alviverde será em outra competição, esta muito mais importante, a Copa do Brasil, na quarta-feira, em Juazeiro, contra a equipe do Icasa. Porém, a pequena importância do Campeonato Paranaense está muito distante de servir como fator que atenue os impactos de uma atuação tão distante da tradição Coxa.
Mal em campo, o Verdão não acertou nada. Desde o início do jogo, apesar de atuar com três zagueiros, os espaços apareciam para o adversário, que chegava com muita facilidade. Após a expulsão de Marcelo Batatais, o Cori cedeu muitos espaços ao time da casa e se tornou uma presa fácil. Além disso, um erro de arbitragem somado a outro de posicionamento acabaram por resultar no gol que abriu o caminho para a derrota.
Confira como foi o jogo:
Primeiro tempo
O jogo começou bastante tumultuado no meio-de-campo. As duas equipes careciam de qualidade individual e não conseguiam criar. Para piorar, muitas faltas aconteciam, fazendo com que o jogo parasse bastante. O Cori não conseguia trocar mais que três passes, e demorou um longo tempo para conseguir, com a bola no pé, passar do meio-campo. As mostras de que não seria uma boa tarde estavam dadas.
Com o passar do tempo, o adversário foi ganhando terreno. Os dois volantes avançavam bastante e conseguiam criar oportunidades de ataque. Em uma jogada rápida, a bola foi lançada nas costas da zaga Alviverde, que, mesmo jogando com três zagueiros, estava sem sobra. Marcelo Batatais chegou atrasado no lance e cometeu falta, e, como era o último defensor, foi expulso por Evandro Rogério Romann.
Imediatamente, Márcio Araújo providenciou a substituição do centroavante Jefferson pelo volante Peruíbe, tentando com isso fortalecer a marcação, recuando Rodrigo Macha para a zaga e recompondo novamente o trio de zagueiros. Mas o resultado prático foi um desastre. Completamente perdido em campo, o setor defensivo não sabia a hora de sair para marcar, e nem quem marcar. As peças se confundiam, e uma confusão tática propicia uma goleada histórica. O detalhe é que o jogador Jefferson em campo, como atacante de referência que é, forçava os zagueiros paranistas a ficar mais postados atrás, o que deixou de ocorrer a partir do momento que Eanes, jogador de características diferentes, foi isolado no ataque do Coxa.
Além disso, pela primeira vez em muito tempo, se viu um Coritiba sem vibração, sem gana, sem vontade. Mesmo nas piores apresentações do ano passado e deste ano, o time sempre foi muito brigador, mas, no jogo de ontem, parece que a acomodação tomou conta dos jogadores.
O adversário, que não é nenhum primor de técnica e organização tática, aproveitou-se da fragilidade defensiva e de sua superioridade numérica para fazer o placar, contando também com um erro da arbitragem. Em um lance rápido, a bola foi lançada e o centroavante paranista se apoiou e empurrou o zagueiro Henrique, que caiu bem em frente ao árbitro, que nada marcou. O lance seguiu e a bola sobrou para o adversário, que entrou livre na área e chutou sem chances para Artur.
Atordoado, o Coxa ainda assistiu o adversário criar algumas oportunidades, mas sem muito perigo. Em um suspiro, o time Coritibano atacou pela direita, a bola foi tocada para trás e Jackson chegou chutando forte, mas o goleiro, bem posicionado, fez a defesa, sendo que este foi o único lance de ataque do Alviverde no primeiro tempo.
Segundo tempo
Márcio Araújo modificou o time novamente, tirando Renan e colocando Ludemar. Esta substituição é um tanto inexplicável, e completamente contrária à escalação inicial e à primeira substituição realizada no jogo (Peruíbe por Jefferson), na medida em que o técnico tinha a oportunidade de manter Jefferson e recuar Eanes, tirando um dos meio-campistas para aí sim colocar Peruíbe. Com isso, os volantes do adversário não teriam tanta liberdade para criar, e o centroavante seria uma boa opção para segurar a bola no campo de ataque. Além disso, Ludemar já comprovou que não tem o perfil ideal para defender as cores do Alviverde.
Logo de início, pôde-se perceber que o discurso no vestiário e a alteração do intervalo não surtiram nenhum tipo de efeito. O time continuou atabalhoado, desatento e desorganizado. Não demorou muito para o adversário ampliar o placar. Em uma jogada pela direita, a bola foi tocada e, do bico da área, o adversário percebeu o goleiro Artur adiantado e, por cobertura, aumentou a vantagem.
Perdendo por dois a zero, o máximo que o Alviverde poderia fazer na partida era tentar evitar um vexame ainda maior, se bem que a qualidade técnica do adversário não é suficiente para tanto.
A desvantagem numérica desapareceu em uma jogada de Eanes, que se livrou do marcador e recebeu uma dura falta. Como já tinha o cartão amarelo, o zagueiro recebeu o segundo e, em seguida, o cartão vermelho. Márcio Araújo, então, fez a terceira substituição, tirando Rodrigo Mancha para colocar Guaru, na tentativa de partir para cima e empatar o jogo.
O time até criou algumas jogadas. Em um lance, Wilton Goiano acertou um chute forte, de fora da área, para boa defesa do goleiro. Após isso, Eanes entrou driblando, cruzou para trás e a zaga cortou. O Cori aparentou ter melhorado, mas era uma melhora tão inofensiva que o placar dava grandes sinais de que já estava decretado.
Para piorar, em um contra-ataque nas costas da zaga, a bola foi cruzada e, dentro da pequena área, Artur não conseguiu interceptar. O centroavante só empurrou para o fundo do gol: 3x0.
O Coxa praticamente se entregou, não sem antes Ludemar desperdiçar três boas oportunidades de marcar um gol. No primeiro lance, a bola foi lançada para ele que entrou livre, teve tempo de dominar e olhar, mas o chute saiu no meio do gol. Na sobra, Eanes tocou novamente para Ludemar, que driblou o zagueiro e ficou com o gol escancarado a sua frente, chute para fora.
Pouco tempo depois, Ludemar recebeu um lançamento, dominou entre dois zagueiros e chutou (de bico) completamente torto, em um lance profundamente lamentável. Fim de jogo, Paraná 3x0 Coritiba. Fim também do tabu de quase cinco sem perder para o rival em clássicos válidos pelo regional.
Este resultado e a forma como a equipe atuou não devem ser encaradas daquela velha maneira de ver os resultados ruins. Aquele mesmo discurso de que "não era nosso dia, não foi uma tarde feliz, etc." deve ser totalmente descartado. É preciso o mínimo de racionalidade e atenção na análise.
A equipe do Coritiba, mesmo nas quatro vitórias consecutivas, não apresentou um futebol sequer convincente. O time não possui um grande destaque, e a forma de jogar ainda não foi definida, apesar de o trabalho já ter um certo tempo. Ontem, o técnico errou na forma de escalar o time, e piorou seu erro nas substituições.
Jogando diante de um adversário tecnicamente um pouco superior aos demais da competição, o Alviverde sucumbiu e foi uma presa muito fácil. Destaque-se que as dificuldades na segunda divisão serão infinitamente maiores que as que o Cori vem encontrando até agora.
É preciso que seja realizada uma pronta reavaliação do elenco Coritibano. Por que Julinho, mesmo não rendendo nem abaixo da média, continua sendo titular absoluto? Por que Ludemar, quando não é titular, é a primeira opção para o ataque? Por que Humberto não tem oportunidades?
O triste quadro apresentado ontem e durante os últimos jogos deixa receosa e temerosa a grande nação Coxa-Branca, que não espera outra coisa que não seja o cumprimento das promessas que foram feitas no final do ano passado, ou seja: o Cori voltando à primeira divisão em 2007!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)