
CURIOSIDADE
Do site Lancenet
Juca Kfoui, 19/04/2005
E já que falamos em reeducação...
Esta deveria ser uma coluna feliz, repleta de saudações aos campeões estaduais pelo Brasil afora.
Mas não será. E, por quê?
Porque não se pode festejar um campeão que tenha prendido seu rival no vestiário para impedir o aquecimento no gramado, como aconteceu na Kyocera Arena - que má propaganda no primeiro grande jogo lá disputado sob novo nome e velhas atitudes!
Como aplaudir um clube que se quer modelo de modernidade e que monta esquema para que a taça de campeão paranaense não seja eventualmente entregue para o adversário como também aconteceu em Curitiba?
Não, não dá para bater palmas.
Como não é possível considerar justa uma conquista como a vista no Maracanã, apesar de obtida de maneira maravilhosamente dramática. Porque quando se constata que o árbitro teve participação decisiva, e repetida, na conquista só resta lamentar.
E assim foi na validação de um gol clamorosamente ilegal e na compensação de uma expulsão inevitável com outra de um zagueiro que nem falta fez no lance em que levou o cartão que o tirou do jogo.
Circunstância ainda agravada pelas más atuações exatamente dos dois atletas que tiveram suas transferências anunciadas para o clube que ganhou o título.
É verdade que houve um pênalti não marcado para o campeão, o que dá o direito de se pensar que o apitador é apenas ruim e fim de papo. Mas, nesse lance, a sensação que ficou foi a de que já nem havia condição moral para se apitar a favor do grande, tamanha a destruição causada no pequeno.
No Rio Grande do Sul, o pequeno teve prejuízo de, no mínimo, dois minutos, fora a cera do grande, que até cartão amarelo rendeu.
E a desculpa do árbitro para terminar o jogo antes do tempo, e sem acréscimo, foi dessas de fazer corar um padre.
Do domingo de decisões, a notícia boa veio de Minas, onde a filial derrotou a matriz contra todas as previsões e maldades.
Pois o futebol precisa de resultados assim para retomar sua credibilidade perdida em meio a tanta manipulação, cafajestagem e corrupção desenfreada.
O politicamente correto, agora, seria dizer que os torcedores campeões não têm nada a ver com isso e, assim, amenizar a crítica e, quem sabe, evitar uma tonelada de mensagens iradas.
Seria mas não será.
Porque se queremos banir a violência, o racismo e outros males que afligem o futebol, também temos de deixar de achar que ganhar roubado no último minuto é ainda mais gostoso.
TRÊStoques
Mestre Armando
Amanhã, enfim, este espaço se tornará nobre. A estréia de mestre Armando Nogueira - que, em todas as quartas-feiras, aqui estará, além de estar, aos sábados, na revista A+ - é daquelas boas notícias para quem gosta de um texto exemplar e repleto de sabedoria. Que sorte a sua. Que sorte a nossa. Chegou o capitão do time.
Cinema e esporte
Organizado por Victor Andrade de Melo e Fabio de Faria Peres, a editora Senac acaba de lançar o livro "O esporte vai ao cinema", com oito textos sobre as diversas abordagens já feitas pelo cinema sobre o esporte no Brasil e no mundo. Cada um melhor do que o outro.
Parabéns Merece os parabéns o comentarista da SporTV, Alex Escobar, pela firmeza com que comentou a decisão do campeonato estadual do Rio de Janeiro, sem nenhuma preocupação em agradar a gregos e troianos. E merece os parabéns a ESPN-Brasil por seus 10 anos no ar, muito bem comemorados pelo novo programa "é 10!", uma deliciosa viagem ao passado recente que já nem parece tão próximo e que foi ao ar no domingo que passou - e continuará por mais nove domingos, até o fim do ano, uma vez por mês (em dezembro duas), sempre às 22h30min.
Juca Kfouri escreve nesta coluna às terças, quintas-feiras e aos domingos.
Nota:
Na foto, a comprovação de que mais um acordo do A. Paranaense não foi cumprido, desta vez com o Procon PR, quando foi garantido que os torcedores do Coritiba não ficariam num lugar onde o Paredão atrapalhasse a visão do campo.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)