
AVALIAÇÃO
Pouco mais de um ano após o início da era Lopes no Alviverde, o Coritiba perdeu duas vezes para times do interior do estado (Iraty, 1x2; Roma 0x1), além de ter perdido os tabus, um contra o A. Paranaense no Couto Pereira e outro contra o Paraná Clube em Campeonatos Brasileiros. Para compensar, Lopes ganhou um Bi-Campeonato Paranaense no Estádio da Baixada. Mas para um time que pretende chegar longe na Copa do Brasil deste ano, o Coritiba precisa evoluir muito sob o comando de Antônio Lopes.
Pela quarta rodada do Paranaense 2005, a derrota para o Roma aconteceu no final do segundo tempo, numa jogada onde nitidamente a má colocação tática em campo ficou aparente: o atacante do Roma pega a bola que sobrou livre, depois de uma má cobrança de escanteio pelo Cori, e sozinho em seu campo de defesa avança pelo lado direito da zaga Coxa (o ala James, jogando de lateral não estava na posição). Nascimento sai em seu combate, mas em vez de parar a jogada, tenta derrubar o adversário com o ombro; o atacante continua com o domínio da bola, e em seu encalço vem o zagueiro Flávio, que deixa o lado esquerdo para cobrir o lado direito da zaga do Coxa (nem Miranda, nem Egídio estavam na jogada). Flávio tenta parar o atacante, com um carrinho por trás, mas o avante do Roma se livra do lance, entra na área e na saída do goleiro Fernando, toca no contra-pé do goleiro marcando o único gol da partida, o gol que trouxe a derrota do Coritiba num Campeonato Paranaense depois de mais de um ano, a derrota que tirou o Coxa da liderança do grupo A.
O reflexo do gol sofrido pelo Coritiba é o reflexo do time comandado por Antônio Lopes (foto), que não fez uma boa apresentação nas quatro primeiras partidas deste ano. A mudança no estilo de jogo do equipe, onde o 3x5x2 revisado de Lopes, que opta por tirar Alexandre e deixar Egídio como um terceiro zagueiro à frente de Miranda e Flávio, enfraqueceu o Coritiba em seu sistema defensivo. Tanto que a terceira melhor zaga do Brasileirão do ano passado tomou três gols em quatro partidas (e só não levou gol na outra partida graças ao goleiro Fernando, que defendeu uma penalidade máxima contra a ADAP, na terceira rodada).
Além da alteração na defesa, o Alviverde vive uma instabilidade em saber quem é o seu ataque titular. Negreiros, Luiz Carlos, Marcelo, Laércio e Marciano já passaram pelo time nas quatro rodadas. O elevado número de alterações na equipe titular seja por funções técnicas, físicas e táticas, tornou o Coritiba um time sem consistência para alçar vôos mais longos nesta temporada.
A dificuldade encontrada até aqui (uma constante nos três times da capital) não deve ser justificada pelo avanço dos times do interior, uma vez que grande parte destes times ficam em atividade por apenas quatro meses num ano.
Esperava-se mais do Coritiba no início da temporada, até porque o estratégia em manter Lopes por mais uma temporada vislumbrava um conhecimento maior do elenco que o treinador tinha em suas mãos. Mas até aqui, a estratégia parece não ter dado certo. O time titular, apesar de contar com a maioria dos jogadores da temporada anterior, continua pecando dentro de campo, desempenhando um futebol extremamente burocrático e frágil para enfrentar equipes que estão muito distantes nas condições dadas aos atletas alviverdes, seja no aspecto financeiro, seja nas condições de trabalho.
O Coritiba de Lopes continua com o jeito de um time que não sabe bem ao certo como jogar, com jogadores tendo suas características de jogo tolhidas num esquema tático equivocado (basta ver James, um ala de enorme potencial tendo que atuar como lateral). No meio de campo, a confusão entre Egídio e Nascimento é nítida. A colocação deles em campo ainda não causou o efeito desejado, pois ambos parecem confusos em relação ao espaço onde cada um deles deve efetivamente jogar.
Se ano passado faltava um meia habilidoso, este ano o Coxa tem este meia, com a contratação de Marquinhos. A ausência de um meia habilidoso foi usada por muito tempo como sendo a justificativa para o Coxa não adotar o 3x5x2. Agora que o elenco dispõe deste tipo de jogador, o esquema 4x4x2, onde novamente um volante faz a posição de terceiro zagueiro à frente da zaga, e ambos os laterais têm que cobrir os dois zagueiros, repete-se o erro de 2004, quando Brum e Ataliba eram faziam esta função.
Talvez justamente por ter um esquema tático equivocado é que os jogadores do Coxa vem levando mais advertências da arbitragem do que seus adversários. Foram 3 contra o Beltrão; 5 contra o Cianorte; 3 contra a ADAP; 4 contra o Roma. Nestes quatro jogos, o Coxa foi mais indisciplinado que o adversário em três oportunidades. E no outro jogo, empatou em número de advertências.
No meio de campo, o Cori ainda não conseguiu desempenhar a velocidade no contra-ataque, quando dos jogadas que mais necessita. Nas três últimas partidas, o Verdão continua cadenciando a bola no campo de ataque, tendo maior posse de bola, mas as trocas de passes laterais não surtem efeitos desejados, e os gols, como em 2004, continuam escassos. Nem mesmo a habilidade de Marquinhos é suficiente para tirar o Coxa deste marasmo ofensivo, que lhe resultou em estar na quarta posição da tabela depois de quatro jogos, com quatro gols-pró, quatro gols contra.
Em todos os quatro jogos até aqui, a equipe Coritibana demonstrou dificuldades em enfrentar adversários briosos, mas distantes em qualidade individual se comparados com o nosso elenco. É pouco para o time que precisa disputar o título paranaense como uma obrigação natural, depois de 32 conquistas em toda sua história.
Num Campeonato Paranaense, o Coxa teria que ser um time que buscasse naturalmente a vitória, jogando onde quer que seja. A diferença de elencos entre os times da capital dos times do interior é imensa. Os principais jogadores de cada um dos três times curitibanos ganham sozinhos mais do que a maioria dos times da competição.
Concentrando as atenções apenas no Alto da Glória, que é o que mais interessa o torcedor alviverde, o sinal de alerta foi dado. Lopes precisa chegar num denominador comum rapidamente, pois longe do apoio da sua torcida, enquanto durarem as obras no gramado, o Coritiba ficará mais vulnerável contra os times do interior.
Para a Copa do Brasil, reforços são necessários e deverão aparecer no Alto da Glória tão logo os primeiros milhões de Euros entrem nos cofres do Clube. Um lateral esquerdo, um meio campista de habilidade e dois novos atacantes parecem ser, numa primeira análise, as necessidades do Coxa para uma temporada mais tranqüila.
Lopes continua não sendo o único responsável, seja pelo sucesso, seja pelo insucesso do Coritiba dentro de campo. Mas sem dúvida, é o maior responsável, pois ele é que define quem joga e como cada um dos escolhidos deve jogar.
Professor, o Coritiba precisa mostrar muito mais do que mostrou até aqui.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)