
AVALIAÇÃO
Como monstros dentro de campo, crescendo a cada minuto de jogo, os atletas coritibanos deram ao AtleTiba um ar emocionante, o qual rendeu às duas torcidas bons sustos e boas comemorações. Foram dois gols para cada lado, sendo que o Cori abriu o placar no tempo inicial e cedeu ao adversário campo suficiente para a virada no final do jogo. E, para a surpresa de toda a nação Alviverde, o gol de empate foi assinalado por Daniel Cruz, que demonstrou vontade e raça durante toda a partida, tal qual o restante da equipe.
Em lances de velocidade ambas as equipes criaram jogadas que arrancaram suspiros nas torcidas: de um lado o de decepção; do outro, o de alívio. Não foi por falta de qualidade e, muito menos, de vontade que a igualdade no placar permaneceu. O time Coxa-Branca subiu ao gramado para vencer e demonstrou total capacidade para isso, não fossem as boas defesas de Cléber e os contínuos contra-ataques adversários. Há muito não se via garra por parte dos jogadores e, desta vez, a torcida não tem do que reclamar.
No domingo de carnaval o Coritiba recebe o Iguaçu, às 16h, no Couto Pereira, para disputar a 11ª rodada do Campeonato Paranaense. A partida válida pela décima rodada (Coritiba x Londrina) foi transferida para o dia 28, devido ao início da Copa do Brasil, competição na qual o Cori faz a sua estréia quarta-feira, às 20h30, frente ao Caxias.
Primeiro tempo
Ao apito do árbitro o A. Paranaense partiu para o ataque. Fez pressão e aproveitou-se dos avanços de Túlio para fazer força ofensiva com Michel pela esquerda. Passados 11 minutos no cronômetro o colombiano Ferreira, livre na área, cabeceou em direção à meta de Marcelo Bonan, que espalmou.
Instantes depois Alex Mineiro iniciou um contra-golpe e, ao entrar na área, tocou com a mão na bola. O volante Juninho, que chegou atrasado no lance, deu um carrinho e abriu espaço para que os jogadores da Baixada clamassem por pênalti, pedido não atendido por Heber Roberto Lopes. Quem realmente sofreu penalidade máxima foi Henrique, ao ter sua camisa agarrada enquanto Marlos cobrava escanteio. Edmilson, que angariou a vaga de Igor, cobrou e abriu o placar, aos 19 minutos.
Mesmo abalado com o gol sofrido, um minuto depois o time atleticano perdeu grande oportunidade com Marcelo Silva. O jogador foi ao ataque, chutou e a bola acertou no travessão, no retorno, ele finalizou com pouca precisão e encerrou o lance. Após o susto, o Verdão foi em busca da ampliação no marcador, mas sem muita objetividade.
A partir dos 30 minutos, então, foi pura pressão do A. Paranaense, que fez variações com Alex Mineiro, Ferreira e Michel. Do lado Alviverde apenas segurança da zaga, que, impedindo as finalizações, teve Daniel Cruz, Ozéia e o xerife Henrique na cobertura, sendo este o principal responsável por impedir o adversário de balançar a rede.
Embora guerreiros, os defensores Coxas-Brancas não foram capazes de deter todos os ataques rubro-negros. Nos instantes finais da primeira etapa, Juninho errou um passe na meia-cancha e ofereceu espaço livre para o contra-ataque. Após desvio, a bola saiu de campo: escanteio. Na cobrança, a bola foi cruzada para dentro da área e Danilo subiu para cabecear, acertando, mais uma vez, a trave. Para alívio da torcida do Glorioso, o primeiro tempo logo chegou ao fim.
Segundo tempo
No afã de consertar algumas falhas defensivas e chamar o adversário para o seu campo a fim de sair no contra-golpe, Macuglia realizou algumas mudanças táticas: deslocou Túlio, antes improvisado na lateral-direita, para a ala-esquerda, deixando para Daniel Cruz apenas a função de marcar. No lado direito Pedro Ken assumiu, embora mais defensivamente, na cola de Michel. Já no meio de campo, o técnico pediu para que Juninho atentasse mais na marcação para dar mais liberdade a Rodrigo Mancha, que esteve aprisionado entre dois jogadores no tempo inicial.
A princípio, as modificações foram de boa qualidade. Mas, já nos primeiros instantes, foi possível perceber a dificuldade com que o Coritiba atendeu aos pedidos de seu comandante, principalmente Pedro Ken e Túlio, que não estavam em suas posições de ofício. Desta forma, foi mais fácil para o time da Baixada chegar à meta coritibana, o que exigiu mais atenção e qualidade de Bonan, que logo aos cinco minutos espalmou após um belo arremate atleticano.
Pressionado, o Verdão conseguiu realizar o objetivo de trazer o A. Paranaense para o seu campo; o que a equipe Coxa não fez foi contra-atacar, pois seu meio de campo esteve desorganizado. Visando melhorar a organização, Guilherme Macuglia chamou o meia Geraldo para fazer a sua estréia com a camisa Alviverde, no lugar de Marlos. De fato a comunicação entre os defensores e os meio-campistas se deu com maior eficiência, mas a pressão adversária prevaleceu.
Aos 21, Evandro, que acabara de entrar no lugar de Cristian, cobrou escanteio. Na caída da bola, em falha de Marcelo Boanan, Marcão tocou para o gol e empatou a partida. Dois minutos depois, em triangulação realizada na ponta direita, Denis Marques tocou para Ferreira finalizar e virar: 2x1.
Ainda vivos no jogo e com bastante garra, os atletas Coxas se defenderam como puderam e aumentaram o domínio de bola no meio-campo. Até que, aos 30 minutos, em linda jogada, Pedro Ken subiu veloz pela lateral-direita, fintou Michel e cruzou precisamente. Daniel Cruz só teve o trabalho de cabecear a bola que chegou de maneira esplêndida à sua cabeça.
No último minuto dos acréscimos, Keirrison quase fez o seu, mas, ao apito do árbitro, o goleiro Cléber espalmou, sacramentando o empate em 2x2, num jogo com ares de clássico: muitos gols, provocações entre as torcidas, pênalti e reclamações contra o árbitro, raça e muita emoção dentro de campo.
Ao final da partida, a Piazada do Couto passou nos testes de fogo dos primeiros clássicos: uma vitória em casa, no ParaTiba, um empate fora, ganhando maturidade e tranqüilidade para continuar sua caminhada ao título Paranaense, da Copa do Brasil e da Série B 2007.
Show só no lado da Torcida Verde
Apesar de noticiado no site oficial do time da Baixada, nada de apresentação no intervalo. Sem poder ouvir o funk, o jeito foi cantar "Parabéns pra você" para o presidente do A. Paranaense após o gol de Daniel Cruz.
Com o apito final, um gostinho de quero mais ficou no lado da torcida Alviverde, que tanto esperou para cantar a paródia do "Funk do A. Paranaense".
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)