Após cinco meses sem vencer fora do território curitibano, a equipe Coxa-Branca virou o jogo com sorte e superou o time cascavelense no marcador, vencendo por 2x1 no estádio Olímpico.
Com falhas defensivas, sem criação no meio-campo e com a ausência dos atacantes na área, o Coritiba teve grandes dificuldades para efetivar sua superioridade perante o adversário, que fez marcação acirrada sobre os atletas do Alviverde.
Lances esporádicos de fora da área e de bola parada marcaram os 45 minutos iniciais de partida, deixando para os técnicos grande trabalho durante o intervalo. Sem alterações, as equipes entraram em campo para mostrar um futebol mais veloz, forte e recheado de faltas.
Neste ritmo, o Cascavel abriu o placar e se deixou envolver pela persistência do Verdão, que não desistiu e balançou a rede duas vezes, para subir na classificação e manter a invencibilidade que já permanece há 10 jogos.
Na próxima quarta-feira à noite, o Cori recebe a equipe do Galo/ADAP no Estádio Couto Pereira. A partida marca o confronto do segundo e do terceiro colocados no grupo B do Campeonato Paranaense, sendo válida pela 3ª rodada da segunda fase.
Primeiro tempo
Para a surpresa da nação Coxa-Branca, o técnico Guilherme Macuglia contrariou sua tese de que jogador expulso deve permanecer no banco de reservas para se tornar mais responsável. O atleta beneficiado desta vez foi Caíco, que recebeu o cartão vermelho no jogo contra o Ulbra, mas foi escalado como titular para enfrentar o Cascavel, em detrimento do prata da casa Marlos.
Em outras modificações, estas já esperadas, Douglão entrou no lugar do zagueiro Henrique, suspenso, e Rodrigo Mancha retornou a seu lugar, deslocando Juninho para ser o segundo volante e tirando o meia Geraldo.
Desta forma, o elenco coritibano entrou em campo desorganizado. Leandro, como quarto zagueiro, segurou os ataques adversários apenas com o apoio de Rodrigo Mancha, pois seu companheiro de zaga, Douglão, preferiu subir ao ataque e deixar um espaço às suas costas, para a cobertura de Anderson Lima.
Já no meio de campo, Juninho e Douglas Silva tentaram exaltar a qualidade que não possuem: drible. Destruíram, assim, vários lances ainda em seu início. Caíco, por sua vez, manteve-se retraído e lateralizando as jogadas, deixando o garoto Pedro Ken isolado no setor de criação.
Não obstante este desgaste do japonês, Eanes e Keirrison também tiveram seus rendimentos prejudicados. Enquanto o primeiro tentou cumprir o papel de ponta esquerda, o segundo tornou-se o meia-armador, o qual armou para ninguém, pois a área adversária encontrou-se deserta de camisas alviverdes.
Atuando sem formação tática adequada e sem qualidade de passe do sistema defensivo para a meia-cancha, a solução encontrada foram os lançamentos diretos, que favoreceram os contra-ataques da cobra.
Pouco rolando a bola no chão, os atletas do Alto da Glória agarram-se na esperança de abrir o placar em jogadas de bola parada e chutes de longa distância. Aos 35 minutos, Pedro Ken armou um contra-golpe, tocou para Keirrison que subiu veloz pela lateral direita e tocou para Douglas Silva finalizar de fora da área, obrigando o arqueiro Gledson a fazer boa defesa.
Um minuto depois, Anderson Lima cobrou escanteio e, na descida da bola, Douglão chutou com mais força que o necessário e acertou o travessão, para o alívio da torcida da serpente. Em lance final, aos 40 minutos, Keirrison deu um toque sutil para o lateral-direito Coxa, que finalizou e quase acertou um balaço na meta adversária.
Segundo tempo
Esperando pelas alterações no vestiário, a torcida do Cori se sentiu decepcionada ao ver voltar ao gramado a mesma equipe, intacta. Como bem sabe qualquer pessoa que entenda de futebol, o que faltou à equipe comandada por Macuglia, foi criatividade. Para isso, era essencial a entrada de Marlos no lugar de Caíco, a princípio. Porém, nada feito: o técnico do Coritiba optou por manter os mesmos jogadores em campo, bem como Val de Mello, comandante do Cascavel.
Assim sendo, a partida teve seu início. Logo aos 9 minutos, o goleiro Artur, pressionado, adiantou-se na saída de bola, foi driblado pelo atleta da cobra, que cruzou rasteiro na área para Nena marcar, com a ajuda dos zagueiros Leandro e Douglão que nada fizeram para impedi-lo.
Em resposta, o capitão e bom cobrador de faltas Anderson Lima fez a cobrança de uma carga faltosa pela direita e levou a bola ao ângulo, alcançado, mais uma vez, por Gledson.
Observando a falha defensiva e a falta de qualidade nos passes, Guilherme Macuglia chamou o volante Túlio para entrar no jogo. Para muitos, óbvia seria a saída de Juninho, que nada fez nos minutos iniciais da segunda etapa, entretanto, quem teve deixou o campo mais cedo foi Rodrigo Mancha.
Instantes depois, aos 16 minutos, o arqueiro cascavelense não teve chance, enganado por seu companheiro de elenco. O lateral-esquerdo Douglas Silva foi persistente dentro da área adversária e conseguiu a posse da bola, a qual chutou, pela diagonal, em direção ao gol e teve o zagueiro do Cascavel como parceiro no lance para finalizar a jogada, desviando o rumo da bola. No marcador, tudo igual.
Mais uma vez enganados pelo treinador Coxa, os torcedores do Alviverde ficaram espantados quando Edmilson adentrou no lugar do artilheiro Keirrison, sendo contínua a permanência de Eanes no jogo.
Quando o cronômetro já marcava 31 minutos decorridos, finalmente a bola rolou no chão: Pedro Ken se esforçou para não deixar a jogada encerrar em lance lateral, tocou para Eanes e deste para Caíco, que encontrou Edmilson livre na área e tocou, assinalando a virada no placar. Ainda comemorando, finalmente Caíco saiu, cansado, do gramado e cedeu seu lugar a Marlos.
Nos minutos seguintes a pressão foi do Cascavel, que sofreu diversas faltas e, nas cobranças, levou perigo à meta de Artur. Demonstrando porque deve ser titular, Túlio ganhou todas as jogadas aéreas dentro da pequena área e assegurou a vitória por 2x1 para a sua equipe.
É preciso mais que sorte
Novamente o Coritiba teve mais sorte do que qualidade. O time entrou em campo mal escalado, permaneceu assim até grande parte do segundo tempo e, quando Macuglia teve a oportunidade de mudar o rumo da partida, não o fez.
A sorte somente não basta, qualidade e inteligência são essenciais. Em uma partida na qual o Verdão tinha de tudo para vencer e convencer com as pernas amarradas, definiu o magro resultado com a ajuda do adversário.
Para um time que quer ser campeão, muita coisa há de mudar. Qualidade há, só falta saber quem e onde escalar cada jogador. Isso, somente o técnico pode fazer.