
INTERATIVIDADE
Sejam bem vindos ao Dr.X Music! A nova febre do site COXAnautas. Em sua quarta edição, apresentaremos a seleção e os comentários do fiel Coxa-Branca Alvyr Pereira de Lima Jr.
Confira:
Não existe nada mais complicado que fazer uma lista de discos preferidos quando se compra CDs quase que semanalmente e se faz disso não apenas um hobbie, mas um verdadeiro vício. Ainda mais quando a lista é composta por apenas DEZ itens. Mas, com certeza, seria igualmente difícil fazer uma lista com 20, 50, 100 ou 500 discos preferidos. Sempre haveria um que ficaria de fora. Em todo o caso, atendendo a um pedido do amigo Ricardo Honório, colunista do Coxanautas, aí vai a minha lista com dez discos preferidos.
Resolvi não relaciona-los por importância, e sim em ordem alfabética, pois cada um deles teve uma importância especial em diferentes épocas da minha vida, da mesma forma que gosto de ouvi-los em situações diferentes.
Esse negócio de relacionar discos preferidos é tão complicado que até mesmo eu, depois de terminar o trabalho, perguntei a mim mesmo “como é que você pode deixar esse, ou aquele disco fora da lista”. Mas, como a idéia é relacionar apenas dez, foi o que fiz.
Agora, só me resta ler as críticas dos que lerem essa relação e curtir o meu remorso por ter deixado de fora outras várias obras primas dos mais diversos cantores e/ou bandas, que dariam pra elaborar mais algumas dezenas de listas.
10 – Roy Orbison – A Black and White Night – 1989
Depois de anos de ostracismo, marcado por tragédias como a morte de sua primeira mulher (num acidente de moto) e seus dois filhos (no incêndio de sua casa), Roy Orbison retornou aos palcos nesse show que foi também lançado em vídeo. Acompanhado por uma banda composta por caras como Bruce Springsteen, Tom Waits, Elvis Costello, Jackson Browne, Bonnie Raitt, Jamers Burton, etc., O “Big O”, interpreta seus maiores clássicos, como “Ooby Dobbie”, “Only The Lonely”, “Crying”, “Dream Baby”, sem contar seu “big hit”, “Pretty Woman”. Apesar dos anos de retiro e das tragédias pessoais, Orbison ainda estava com a voz perfeita e ainda tinha muito a oferecer àqueles que curtem uma boa música. Depois desse show, ele lançou um disco solo e participou do super-grupo “Travelin’ Wilburys” (junto com Bob Dylan, George Harrison, Tom Petty e Jeff Lynne), mas um ataque cardíaco o matou no final de 1989. A melhor definição desse disco foi dada por Bruce Springsteen nos créditos finais do DVD: “Cantar com Roy Orbison e tocar guitarra com James Burton, é um sonho que se tornou realidade”.
9 – The Rolling Stones – Dirty Work – 1986
Esse disco não foi muito bem recebido pela crítica, mas eu o acho super legal. Primeiro pela história que existe por trás dele. Na época, a banda quase se desfez, uma vez que Mick Jagger estava muito propenso a seguir uma carreira solo (idéia abandonada depois do lançamento do seu abominável disco solo, “Primitive Cool”) e não estava dando muita bola para seus compromissos com a banda. No meio de tanta briga, o resultado até que foi ótimo. O disco é composto por rocks vigorosos (One Hit To The Body, Fight, Dirty Work), mas não dá prá deixar de lado o cover de “Harlem Schuffle”, o reggae “Too Rude”, ou a balada “Sleep Tonight” – essas últimas, com vocais de Keith Richards. Como curiosidade, quem deu uma canja no disco (embora não conste dos créditos), foi o ex-guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page.
8 - Neil Young – Comes a Time – 1978
Para mim é o melhor disco da carreira solo de Neil Young, acompanhado pela sua banda Crazy Horse. O disco mistura o country com lindíssimas baladas. Tocante a música “Allready One”, feita em homenagem ao filho deficiente mental. Mas não dá pra deixar de lado canções como “Comes a Time”, “Look Out For My Love” ou “Human Highway”. Um outro destaque é o belíssimo vocal de apoio de Nicolette Larson, que fez relativo sucesso com o cover de “Lotta Love” (presente nesse disco) e que morreu em 1997, vítima de um edema cerebral.
7 – Queen – A Night At The Opera – 1975
Outro disco antológico, sem dúvida, o melhor lançado pelo Queen. Nele estão contidos clássicos como “Love Of My Life”, “You´re My Best Friend”, “Death On Two Legs”, sem falar na obra prima chamada “Bohemian Rapsody”. Mas o disco vale também pelo vocal de Roger Taylor em “I´m In Love With My Car” e de Brian May em “39”.
6 – Michael Nesmith – Tropical Campfire - 1992
Esse CD também não foi lançado no Brasil. Nele, o antigo guitarrista dos Monkees mistura country, baladas, pop com muita qualidade. Como destaques, uma versão “chicana” de “Aquarela do Brasil” (Nesmith é um apaixonado pelo Brasil, tendo composto duas canções em homenagem ao Rio de Janeiro – Rio e Carioca) e o clássico de Cole Porter, “Begin the Beguine”, que não deixa nada a dever para a versão de Frank Sinatra.
5 – Jethro Tull – Minstrel In The Gallery - 1975
O Jethro Tull é minha banda preferida e esse disco tem um significado especial para mim. Primeiro porque foi um dos discos gravados pela melhor formação da banda (Ian Anderson, Martin Barre, Jeffrey Hammond-Hammond, Barriemore Barlow, John Evam e David Palmer). Segundo, porque foi através dele que conheci o Tull e foi uma paixão a primeira vista. Até porque, até então, eu jamais tinha visto um flautista numa banda de rock, nem a mistura de ritmos (rock, blues, folk inglês, etc.) num mesmo álbum, sem contar no visual totalmente diferente dos membros da banda. Apesar de gravado a mais de 30 anos, é um disco que permanece atual ainda hoje.
4 – Ian Anderson – Orchestral Jethro Tull – 2005
O flautista líder do Jethro Tull, num disco ao vivo, interpreta vários “Tull Classics”, além de composições de sua carreira solo, acompanhada por uma banda tão boa quanto o Tull e da Orquestra Sinfônica de Frankfurt. Anderson se apresentou com este show no Guaíra em 2004.
3 – Elvis Presley – NBC TV Special – 1968
Entre os anos em que ficou fazendo filmes açucarados em Hollywood e depois se tornar o cantor de baladas em Las Vegas, Elvis teve o seu retorno à glória no período entre 1968 a 1973. E esse período começou com o show para a televisão, onde o Rei apresenta seus velhos sucessos – Jailhouse Rock, Don´t Be Cruel, All Shook Up – ao vivo e em roupagem nova, além de belas baladas como Memories, It Hurts Me, etc. Como curiosidade, nesse show Elvis interpreta uma canção chamada “Let Yourself Go” que quase 20 anos após sua morte, e numa versão “re-mix”, o traria novamente ao topo das paradas de sucesso nos EUA e na Inglaterra.
2 – Burton Cummings – Up Close and Alone/1995 – 1997
É um disco que não saiu no Brasil e que tive a sorte de descobrir numa dessas “garimpadas” que costumo fazer de tempos em tempos. Nesse disco gravado ao vivo, o vocalista do “The Guess Who”, acompanhado apenas do piano, interpreta grandes sucessos da banda canadense (These Eyes; No Sugar Tonight; New Mother Nature; Albert Flasher) com outros de sua carreira solo. É um disco pouco conhecido, mas quem tiver a oportunidade de ouvir, vai gostar com certeza.
1 – The Beach Boys – Pet Sounds – 1966
O disco marca o ponto máximo da criatividade de Brian Wilson na sua luta insana para fazer um disco melhor que os Beatles. E ele talvez conseguisse, se logo em seguida o grupo britânico não tivesse lançado sua obra prima, o Sargent Peppers. De qualquer forma, Pet Sounds é um disco maravilhoso, com canções antológicas como Slop John B.; Wouldn´t It Be Nice; Caroline No e a maravilhosa God Only Knows, ironicamente considerada por Paul McCartney como “a mais bela melodia de todos os tempos”.
Um tributo a Brian Wilson
Dr.X é Rock!
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