A história da minha família se confunde com a história do Coritiba. Meu bisavô, que chegou ao Brasil perto de 1900 vindo da Alemanha, se juntou com alguns amigos e formaram um grupo para jogar um esporte novo no Paraná. Esse grupo seguiu unido e, em 1909 resolveram formalizá-lo.
Não preciso nem falar que esporte é e qual foi o clube formado, né? No dia 12 de outubro, a Ata de fundação estava pronta e meu Bisavô, como secretário do clube, assinou e assim se formou o primeiro clube de futebol de Curitiba (naquela época, chamada de Curityba e Coritiba), o Coritibano Foot Ball Club. No mesmo ano, resolveram alterar o nome para não se confundir com o clube social mais tradicional de Curitiba, o Clube Coritybano.
Bom, só pela história da família de minha mãe, já seria motivo de sobra para eu ser Coxa-Branca. Mas meu pai, Coxa também, sempre me falou do Coritiba e eu era rotulado como tal. Mas, em 1985, em uma final de Campeonato Brasileiro, no lendário Maracanã, meu pai estava lá. Eu, aos meus nove anos de idade, acompanhei a TV para ver meu pai. Mas na verdade eu vi 90.000 cariocas unidos contra um só time. Aquilo me impressionou. Como podia um estado inteiro contra uma só torcida? Depois de 90 minutos, mais prorrogação, vem os pênaltis.
Depois de cinco cobranças para cada lado e o resultado empatado, vêm as cobranças alternadas. Ado, um dos destaques do Bangu, vai para a cobrança, chuta pra fora e o gigante se cala. Gomes, sendo vaiado por 90.000 cariocas, vai para cobrança. Em míseros segundos, o silêncio veio e, em um canto, ouvia-se 10.000 Coxas fazerem a festa no maior do mundo. Aquilo ficou na minha memória. Onze bravos guerreiros calaram um estádio todo. A partir daí, entendi o que meu pai queria dizer com "Ser Coxa é ser guerreiro, lutar até o fim".
Hoje, quando chego ao Couto Pereira e vejo duas fotos, lado a lado na fachada do estádio (uma com a taça de Campeão Brasileiro, e outra do primeiro time - com meu Bisavô nela), vejo a minha história.
Sempre achei que o amor que eu sentia pelo Coritiba era fora do normal, e isso me incomodava. Foi no final do ano passado, Couto Pereira lotado, time caindo para a segunda divisão, que eu vi que não era o único. 35.000 vozes cantando seu amor pelo Coxa, mesmo sabendo que estava diante da maior derrota que o Clube já teve na história. Ser Coxa é isso, não tem como explicar o amor de uma torcida por um time.
Kleber Foggiato é Coxa-Branca de coração e Diretor de Marketing da ONG Coritiba Eterno.