
POR ONDE ANDA?
Por Daniel Gouveia - COXAnautas.
Na fase final da Série B de 1995 chegaram, além da dupla Atletiba, o Mogi Mirim e o Central de Pernambuco. A principal ameaça aos times da capital paranaense era o Mogi, clube que tinha no ataque o seu grande jogador: Cléber.
Ao fim daquela Série B o time de Mogi Mirim negociou o atacante com futebol japonês. Em 1997 o jogador retornou do exterior para vestir a camisa do Coritiba. Em 1997 o bom momento no campeonato brasileiro se deu com a chegada do atacante que rapidamente conquistou a torcida, com um futebol que unia a raça e determinação com qualidade técnica.
Cléber Arado estreou com a camisa do Coritiba no empate em 3x3 com o Botafogo no Couto Pereira, entrando no lugar de Eliomar. No primeiro jogo de Cléber como titular no Alto da Glória foram 3 gols no Bragantino na vitória por 4x2. No brasileiro de 1997 foram 10 gols, que colocaram o Cori longe da zona de rebaixamento em tal temporada.
Naquela temporada o Coxa foi campeão do Festival Brasileiro de Futebol vencendo o Botafogo no Couto Pereira. No fim da temporada, como havia vindo ao Coritiba apenas por empréstimo, o Mogi Mirim o acabou negociando ao Mérida da Espanha, onde ficou por um semestre.
No clube espanhol o atacante teve uma boa passagem, marcando quatro gols em dez jogos. Porém, ao fim da temporada europeia, devido aos problemas financeiros do time, Cleber acabou saindo. Nisso, o A. Paranaense, através do advogado e cronista esportivo Augusto Mafuz, foi buscá-lo com a promessa de burlar a lei do passe e trazer o jogador de volta a Curitiba.
Ao mesmo tempo, o presidente João Jacob Mehl legalmente adquiriu o passe do atleta por US$ 2,5 milhões e o tirou de dentro dos treinamentos com o elenco atleticano. Tal ato, com o requinte de ter derrubado nova artimanha do advogado que também é colunista da Tribuna do Paraná, deixou a torcida coxa-branca eufórica. “A torcida do A. Paranaense sempre me odiou não só pelos gols que marquei em AtleTibas, mas também pelo fato de ter abandonado o time da Baixada e voltado para casa” relembrou o ex-jogador.
Como curiosidade, o dinheiro utilizado na transação foi conseguido por via de dívida contraída junto ao banco Bradesco, e só viria a ser definitivamente quitada por Giovani Gionédis em 2005, após a venda do lateral Rafinha ao futebol alemão. No Brasileiro de 1998 foram alguns gols importantes, como o da vitória sobre o Palmeiras dentro do Palestra Itália por 2x1. No final daquele Brasileirão acabou como titular e o Cori como sexta melhor equipe ao cair nas quartas-de-final, para a Portuguesa.
Apesar da boa campanha no brasileiro, a fila ainda continuava. Desde 1989 o Coritiba não se sagrava campeão de torneios oficiais, jejum que incomodava a nação Coxa-Branca, ainda mais que no ano anterior o principal rival também havia saído da fila. “Existia uma cobrança diferenciada da torcida. Havia uma grande ansiedade dos torcedores principalmente das crianças pois muitos não tinham visto o Coxa ser campeão. Comentávamos entre nós jogadores e sabíamos que não podíamos falhar”, contou o artilheiro ao Coxanautas.
Com uma campanha de altos e baixos, o Coritiba eliminou o A. Paranaense nas semifinais com duas vitórias (2x1 no Pinheirão e 1x0 no Couto, gol de Cléber) e foi à final contra o Paraná Clube. No primeiro jogo da final no Couto Pereira, 1x0 para o Coxa, gol do artilheiro Cléber e a vantagem paranista de jogar por empates estava quebrada.
No segundo jogo o Coxa foi buscar empate heróico por 2x2 na Vila Olímpica do Boqueirão. A finalíssima estava marcada para o Pinheirão e o Cori jogava pelo empate, mas em sete minutos jogados o Paraná já havia aberto 2x0 no placar.
Minutos depois, sem se deixar abalar, Cléber cobrou falta e contou com a colaboração do goleiro Régis para diminuir, ainda no primeiro tempo. Aos 32 minutos da etapa final, Darci completou cruzamento de Reginaldo Araújo e decretou: Coritiba Campeão Paranaense de 1999. Cléber sagrava-se também o artilheiro e melhor jogador da competição, em tradicional prêmio da imprensa esportiva curitibana.
Na temporada de 1999 houve um elevado número de AtleTibas, foram 8, com 5 vitórias do Coxa e 3 vitórias do rival. “Quem vivenciou a minha passagem pelo Coritiba sabe que AtleTiba comigo em campo era diferente, eu não tinha medo de provocar e apostar. Aqueles AtleTibas eram de sair faísca, as duas equipes tinham em seus planteis jogadores acima da média e eram jogos emocionantes e sempre tive mais sorte do que azar”, garantiu Cléber ao Coxanautas.
O ano seguinte foi marcado por uma contusão séria do atacante, que o deixou fora dos gramados na maioria dos jogos do campeonato estadual. Sua última partida com a camisa do Coxa foi o empate por 1x1 na final do Paranaense de 2000 contra o próprio A. Paranaense, na Baixada.
No meio do ano de 2000, Cléber foi vendido à Portuguesa de Desportos. “Só saí do Coxa por questões políticas, estava indo para o Corinthians, mas a Portuguesa atravessou no meu caminho e financeiramente para o Coxa seria melhor, então acabei indo para o Canindé”. No total, com a camisa do Coritiba Cléber anotou 48 gols em 90 partidas disputadas.
Após jogar na Lusa, Cléber Arado jogou pelo Avaí e também pelo Ceará, onde encerrou a carreira em 2003, com apenas 31 anos, por conta do excesso de contusões que sofria, embora não fosse exatamente essa a forma que planejava para o fim da sua carreira. “Passei o ano tentando me recuperar, mas já não havia muito o que fazer com um joelho que passou por muitas infiltrações e três cirurgias. Tive que abandonar o futebol e minha maior lamentação foi não poder ter voltado a jogar no Coxa que, sem demagogia alguma, foi e é minha grande paixão” declara o ex-atleta.
Hoje em dia, Cléber Arado virou cartola. É proprietário de um centro de treinamento na região de São José do Rio Preto e administra o clube Tanabi EC que disputa campeonatos estaduais de base e o divisões inferiores do campeonato paulista. “Veja só meu clube usa por tradição as cores mais lindas que existe o 'verde e branco'” brinca.
A mensagem final do de Cléber para o torcedor alviverde: “Tomara que dê tudo certo, pois a torcida do Coxa não pode ficar sofrendo como está acontecendo agora. Valeu, um grande abraço e felicidades”.
Ficha técnica:
Cléber Eduardo Arado (CLÉBER)
Data de Nascimento: 11/10/1972
Cidade: São José do Rio Preto - SP
Clube posterior ao Coritiba: Mérida (Espanha) e Portuguesa - SP
Títulos no Coritiba: Festival Brasileiro de Futebol 1997, Campeonato Paranaense 1999
Agradecimentos:
Helênicos
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)