
COLETIVA
O presidente da torcida Império Alviverde, Luiz Fernando Corrêa, o Papagaio, fez uma coletiva de imprensa na última quinta-feira,17, para apresentar a sua versão dos fatos. Ele falou sobre a confusão que ocorreu no Couto Pereira, as medidas preventivas que a torcida buscou e o futuro da torcida.
Os principais trechos desta entrevista foram colocados por ele na comunidade oficial do Coritiba no orkut e divulgados no blog da torcida que nunca abandona, de Luiz Carlos Betenheuser Jr.
Confira o material publicado no blog:
“Há algum tempo, algumas pessoas tem se organizado e fizeram muitas ações por contra própria, infelizmente algumas dessas ações são violentas. Como não tenho poder de polícia, fiz alguns projetos e os apresentei para as autoridades competentes:
- Documento entregue e protocolado ao Ministério Público em 02/02/2008:
“Visando diminuir a incidência de violência, bem como a venda e uso de drogas em jogos de futebol venho até Vsa. Senhoria sugerir que:
1º Mudanças na lei:
O torcedor que for detido por, brigas, vandalismo, uso de drogas, etc seja proibido de assistir jogos de seu time, com uma pena MÍNIMA de 3 meses de suspensão, sendo obrigado a comparecer em uma Delegacia de Policia previamente determinada, devendo lá permanecer por um período de no mínimo 2h antes e 2h após os jogos de seu time, mesmo em jogos fora da Cidade.
2º Ações Preventiva:
Batidas frequentes nos estádios, bem como em seus arredores, inclusive em carros particulares, procurando desta maneira inibir a ação de vândalos que frequentam jogos de futebol.
Acompanhamento das atividades dos torcedores em dias de jogos por Policias do Serviço Reservado, levantando dados sobre venda e consumo de drogas, bem como prevenir ações de torcedores violentos”.
- Documento entregue e protocolado junto ao MP e PM em 21/05/2009:
“Colocar câmeras de vigilância (speed dome), em frente as sedes das torcidas, com um link para a polícia, para poder identificar pessoas que usam e que principalmente vendem drogas, além de evitar possíveis confrontos;
Identificar as lideranças dos bairros, para que esses lideres saiam do anonimato e respondam por problemas oriundos de seus comandos”.
Segundo o presidente da Império, “neste último documento existem várias outras sugestões, inclusive comentei novamente sobre a necessidade de afastamento do mau torcedor, através de uma ação judicial, pois não tenho poder para tanto”, destacou o presidente da organizada, afirmando que na coletiva teria repassado uma cópia dos documentos aos jornalistas.
Seguindo a coletiva, Luiz Fernando Corrêa abordou a manifestação pacífica ocorrida na 5ª rodada do 1º turno, no jogo que antecedeu à vitória de 5×0 sobre o Flamengo. “Organizei um protesto pacifico, pedindo a saída do Sr. Jair Cirino e do Sr. Homero Halila (diretor de futebol). Fiz este protesto na rua, para não criar tumulto no estádio. Na ocasião, alertei para o perigo da queda, a grande maioria da torcida foi contra”.
“Nos três últimos jogos (Santos, Cruzeiro e Fluminense), procurei de todas as formas mobilizar todos os torcedores, pois acreditei que com UNIÃO e MOBILIZAÇÃO conseguiríamos ficar na 1ª divisão. Em nenhum momento incitei qualquer torcedor a usar de violência, muito pelo contrário. Na semana do último jogo, quando senti que o clima estava pesado, comentei com algumas pessoas do perigo de invasão de campo, pessoas estas ligadas ao Clube e autoridades, (não citarei nomes aqui), estas informações segundo relatos posteriores foram levadas adiante.
O dirigentes da organizada relatou que no dia do jogo, pela manhã, a sede da torcida foi vistoriada pelas autoridades policiais. “No dia do jogo, recebi a visita do COPE, às 11h da manhã, foi feita vistoria na sede e na loja e nada foi encontrado de irregular”, detalhou.
“O jogo transcorria nervoso, mas sem indícios de problemas dentro do estádio. Lá fora, quando eram aproximadamente 40 minutos do 1º tempo, um grupo de cerca de 500 torcedores tentaram entrar no estádio. Não havia policiamento lá fora neste momento e os seguranças do Clube não iam conseguir segurar esses torcedores. Mesmo não sendo minha função, sai sozinho pra fora do estádio, esses torcedores recuaram, mas mesmo assim falaram que iriam invadir pra assistir ao jogo, aos os gritos de ‘Libera, libera, libera’. Não me intimidei, fui no meio deles e falei que não permitiria a invasão. Depois de 5 minutos aproximadamente, a PM chegou, tentei retornar ao estádio mas fui impedido pelos policiais. Foi necessário a ajuda do chefe de segurança, o Luiz “Maizena”, para que eu pudesse entrar no estádio novamente“, contou.
“A única confusão que vi após este fato, foi na divisão de torcidas onde torcedores do Fluminense tentavam invadir o lado da torcida Coxa, neste local haviam poucos seguranças e não haviam policiais, pelo que eu vi ao menos (NE: inicialmente, os testemunhos davam conta de haver dois policiais. Com a tentativa de invasão, o reforço policial chegou e a tentativa de invasão foi desarticulada pelos policiais militares)”, relata o dirigente da torcida.
“Quando faltavam cerca de 10 minutos para o término do jogo sai do estádio em direção a sede da torcida (faço isso em todos os jogos, mesmo quando o Coxa esta vencendo a partida), para arrumar a sede, não presenciei a invasão, só vi mais tarde através de imagens”, conta Luiz Fernando Papagaio, que critica a ação violenta. “Sobre a invasão em si, devo pedir desculpas para toda a torcida Coxa, não só para quem mora em Curitiba, mas para todos os torcedores espalhados pelo mundo, haja visto que foi uma notícia que percorreu o mundo todo”.
O presidente da Império repudiou os atos violentos ocorridos no gramado do Couto Pereira. “Repudio o ato dos invasores, a grande maioria com a camisa da Império, mas haviam muitos torcedores comuns, que também, em um momento de revolta invadiram o gramado. Mesmo revoltados não tinham o direito de invadir o gramado, nem tão pouco de quebrarem cadeiras do Couto Pereira, ou de quebrarem carros e ônibus nas ruas, ou tão pouco o animal que jogou uma bomba dentro de um ônibus, o qual feriu uma senhora”, comenta.
Na segunda-feira, 7, Luiz Fernando Corrêa se apresentou na Cope, às 9h da manhã para colaborar nas investigações. “Não havia sido intimado, mesmo assim fui pra colaborar nas investigações, meu depoimento só foi tomado perto do horário do almoço, haja visto que antes de mim, um outro torcedor (esse mediante intimação), chegou no COPE aproximadamente às 8h30 da manhã para prestar depoimento”.
O presidente da torcida do Cori relatou também que apresentou documentos solicitados pelas autoridades para colaborar na investigação. “Na tarde de segunda- feira, levei para o COPE todos os documentos que foram pedidos a mim, como CD com as fichas cadastrais dos sócios, estatuto, etc”.
O presidente da Império falou sobre os procedimentos feitos pela polícia, que investigou a sede e a loja da organizada. “No sábado, 10, a COPE através de mandato judicial, fez uma busca na Loja e na Sede da Império, nada encontrando de irregular, como medida preventiva a sede e a loja foram interditadas, isto é um procedimento padrão em casos de investigação.
Entrei com um mandato de segurança para a liberação da loja, pois entendo que em não encontrando nada de ilícito no local e com a chegada do fim de ano não haveriam motivos para que a mesma continue interditada”.
Fernando ressaltou que nas operações policiais coordenadas pela Cope, não foram encontradas situações ilícitas na sede ou na loja da torcida organizada. “As noticias repassadas pela imprensa foram inverídicas, pois o material aprendido (drogas e armas), foram encontradas na casa de uma das pessoas detidas”. Segundo Fernando, “A COPE já deu quatro batidas na sede e nunca encontraram nenhum material ilícito dentro da mesma”.
O dirigente da organizada destacou que acha estranho o fato da imprensa não destacar que integrantes da torcida do Fluminense também invadiram o campo de jogo. “Algo que eu acho muito estranho, é por que em nenhum momento nossa imprensa falou das atitudes anti desportivas do Fluminense, ou da tentativa de invasão de sua torcida no intervalo, ou da invasão da torcida do Fluminense após o jogo. Nem mesmo o Sr. Jair Cirino comentou estes fatos, que no meu modo de pensar, poderiam ter aliviado a pena que foi imposta ao Coritiba, pois tenho certeza que caso o Fluminense e sua torcida fossem denunciados, a suspensão do Coritiba seria mais branda” (NE: a legislação desportiva brasileira também prevê a punição aos times adversários pelas ações hostis de sua torcida, inclusive a invasão de campo) .
As propostas para o futuro da organizada
Sobre os vândalos, Fernando Papagaio disse que eles estão suspensos e que ele aguardará a pena a ser imposta pelo Ministério Público para seguir na mesma linha, complementando a punição aos integrantes da torcida que foram identificados na invasão. “Todos estão suspensos preventivamente. Vou aguardar a pena que será imposta através do Ministério Público, vou seguir na mesma linha, pois não posso sugerir uma pena diferente daquela que a justiça determina”.
Sobre os comandos, o presidente da Império foi taxativo: exceto o comando feminino, todos os demais foram extintos a partir do dia 16 de dezembro. “Como já havia adiantado ontem no Ministério Público, todos os comandos”.
Além as suspensões e do fim dos comandos, a torcida terá seu estatuto reformulado, criando novas regras de punição aos maus torcedores e regras para postulantes aos cargos diretivos na Império. “Vou punir todos os envolvidos na invasão do gramado, os comandos estão extintos (menos o feminino), farei mudanças no estatuto, pois no atual fui democrático de mais, em algumas situações, como de suspensão de algum membro, ou algo parecido, tinha que ser aprovado pelo conselho da torcida. No novo estatuto, haverá uma cláusula em que o postulante a cargo de diretor da Império, além de apresentar os documentos de praxe, deverá apresentar uma certidão negativa contendo seus antecedentes criminais. Nenhum postulante ao cargo de diretor poderá ter sofrido e condenado em qualquer processo neste sentido nos últimos 5 (cinco) anos”.
Outra mudança na organizada envolverá a sede da torcida. “Não pretendo ter mais sede, como é o molde atual, pois quando a mesma está aberta se torna um lugar público, onde pessoas acabam entrando com algum ilícito é difícil o controle, pois não posso ficar dando geral em todas as pessoas que entram na sede, além do fato de alguns torcedores ficarem com som alto de carros incomodando os vizinhos”.
Papagaio destacou que no dia 17 de dezembro entregou um documento ao Ministério Público solicitando que a COPE seja designada para investigar sempre que houver problemas relacionados a violência no futebol. Assim, estaria “Acabando desta maneira com a sensação de impunidade que impera em nosso meio”.
Neste documento entregue às autoridades do MP, Luiz Fernando Papagaio assumiu um compromisso público em investir em novas tecnologias, com o objetivo de implementar um sistema digital de cadastro dos integrantes da torcida organizada. “Conhecido como cadastro biométrico de identificação, contendo além da digital, a foto do torcedor, além de endereço, RG e CPF”. Neste documento consta também as alterações que serão feitas no novo estatuto da Império.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)