
TORCIDA
Por Ricardo Alexandre Honório Alves - COXAnautas
Minha filha mais nova, Letícia de 9 anos, nunca gostou de futebol. Talvez pelo fato de ver o pai sempre acompanhando futebol, ela tenha achado aquilo uma grande chatice. Várias vezes a convidei para ir ao Couto Pereira, mas ela nunca quis e ainda dizia que NUNCA iria ao estádio. Quando era mais nova, tinha camiseta do Coxa e tudo, mas a partir do momento que foi crescendo nunca mais quis saber de colocar alguma coisa que lembrasse futebol. Para mim, que sempre fui um maluco por futebol e que não tenho filhos homens, restava uma grande frustração.
Ontem, acordei com a vontade de levá-la finalmente ao campo, depois de várias tentativas sem sucesso. Como ela tinha dormido a noite anterior na casa de uma amiguinha, saí para buscá-la e tinha fixo em minha mente a vontade de levá-la ao Couto Pereira. Quando cheguei lá, comentei com o pai da amiga que iria tentar levar minha filha ao jogo e ele me disse que a sua filha, da mesma idade que a minha, tinha muita vontade de ir ao estádio, pois nunca tinha ido. Pronto, era tudo o que eu precisava. A companhia ideal para convencer a Letícia a ir ao jogo. Dito e feito. Tudo combinado e as 14H30 estávamos partindo para o Couto Pereira. Nem preciso comentar aqui a felicidade que invadia o meu coração.
No carro já estava engraçado, pois eu ficava “pilhando” elas para gritarem Coxaaaaaaaaaaa!!!! Deixei o carro na Itupava, e quando elas viram o estádio de fora ficaram super empolgadas e a Letícia exclamou um Ooohhhhhhhh!!!! ao ver aquela imponente construção de "concreto armado", como já dizia o saudoso Lombardi Junior.
Entramos pela entrada dos jogadores, pois queria ver se encontrávamos algum para que elas pudessem ter contato com um jogador. Dei sorte, encontramos o William, que como sempre foi muito atencioso. Elas tiraram fotos, acharam super legal ter encontrado um jogador que só se vê na televisão, como a amiguinha disse.
Ao entrar no estádio elas acharam engraçados serem revistadas por uma policial feminina na entrada. Pareciam duas mocinhas. Nunca tinha passado por uma revista na vida. Quando entramos e elas viram o gramado, foi outro grito de surpresa. O estádio ainda não estava tão cheio, portanto pudemos tirar algumas fotos e passear um pouco para elas conhecerem. Ganharam a revista do Coxa na entrada e ficarem lendo inteira. O detalhe bacana da revista foi que a cada jogador que eu falava para elas, quando aconteciam lances no jogo, elas procuravam pelas fotos deles na revista.
Sentamos em um lugar bem alto, pois elas que escolheram o lugar. Perguntavam de tudo, por que tinha pouca torcida do Bahia, por que isso, por que aquilo. Estava o maior barato. Nisso, os jogadores estavam aquecendo no gramado e fui explicando quem era o Alex, qual a importância dele, etc. Chupamos sorvete, comemos pipoca, e elas se divertindo com as músicas da torcida, bandeiras, etc. Era um mundo novo para elas.
Começou o jogo e o Coxa não estava muito bem. Mas elas prestavam a atenção no jogo. Perguntavam de tudo. A todo o momento a Letícia falava: foi gol do Coxa? Quando a torcida aplaudia ela queria saber o porquê. Quando vaiava também. A pergunta mais engraçada foi: “Papai, quem é aquele homem de preto (bandeirinha) com a bandeira na mão e porque ele fica levantando a bandeira o tempo todo?” E elas super empolgadas, gritavam o tempo todo: Vai Coxaaaaaaaa!!!! Uhh Bahia!!!!! Fora Bahia!!!!Alex, Alex, Alex!!!! Coitado dos caras que estavam sentados a frente, pois os ouvidos devem ter doído.
O Coxa perdeu o 1º tempo de 1x0, a torcida se calou um pouco e elas perderam um pouco da empolgação. Ficaram entediadas. Volta o segundo tempo e o Bahia faz o 2º gol. Nisso a torcida resolveu acordar e elas também. O Coxa diminuiu o placar e elas começaram a entrar novamente na dança da torcida. O jogo estava acabando, a torcida empurrando, mas elas um pouco tristes, pois estavam se achando pés-frio.
Nisso eu resolvi ir com elas para um lugar mais próximo do gramado, encostado na grade da Social Superior, para acompanhar os minutos finais. O Coxa pressionando, bola cruzada na área no último minuto, e Alex, ele mesmo, faz um golaço de bicicleta, empatando o jogo. Muita vibração no estádio. Elas até poderiam não estar entendendo muita coisa, mas vibravam, gritavam Alex com um enorme sorriso no rosto.
Nisso a Lele me diz: “Papai você entende mesmo de futebol. Disse que o Alex era o melhor e ele é mesmo”.
A tarde foi muito especial. Valeu muito à pena. Independente de a Lele ter ido em razão da amiguinha ou não, isso não me interessa. O fato é que ela estava ali e estava curtindo. Mostrou também que independente da violência, de jogadores ruins, de dirigentes corruptos, de calendários mal feitos, de estádios em péssimas condições, de ingressos caros, o futebol ainda não perdeu a sua magia. Vendo ela ali curtindo o jogo, voltei no tempo e fiquei imaginando a minha primeira vez em um estádio de futebol. O que seria da minha paixão pelo Coritiba, se eu não tivesse ido pela primeira vez a um estádio.
Independente do resultado e o golaço de bicicleta de Alex, o que ficará em minha lembrança será a primeira vez que levei a minha filha ao Couto Pereira. Obrigado Coritiba, por fazer parte da minha vida e por me proporcionar mais um momento emocionante em minha vida!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)