COXAnautas - Coritiba Eternamente

25/04, 10h47 | Arquibancada | Sergio Brandão

A instituição ATLETIBA

Ano passado, mesmo depois dos 3 x 0 na baixada, eu ainda fui ao Couto acreditando que era possível reverter. Naquela época, há um ano, já tinha gente desacreditada e largando os “bets”. Eu e mais uma turma grande preferimos apostar que era possível.

Do alto dos meus 60 anos, ainda fui na Mauá receber a delegação que chegava ao Couto para aquela partida decisiva. Como sempre, a festa foi bonita, o clima na rua era positivo e a minha primeira impressão foi que era mesmo possível reverter.

Só não fui capaz de perceber que eram dois sentimentos. O nosso, da torcida, e o sentimento deles, da comissão técnica. Não estávamos vibrando na mesma faixa e não deu. Aliás, foi pior do que imaginávamos. Além de não reverter, foi um time apático, sem tesão, e perdeu mais uma. Fomos pra história com uma baita lambada nas costas. Problemas mais que conhecidos de todos, que não merecem ser lembrados com mais requintes de crueldade, pra não judiar ainda amais da torcida Coxa. Aquilo foi mesmo difícil.

Só pra arrematar: naquele dia, ainda na Mauá, cheguei perto do ônibus quando atletas e comissão técnica passaram por um corredor de torcedores que gritavam os nomes de cada um que passava ali. Até o Bacellar ganhou palavras de incentivo. Não vi nos olhos deles, de ninguém, nenhuma confiança. Todos, sem exceção, desceram do ônibus olhando pro chão. Saí da Mauá e fui pra arquibancada com um mau pressentimento. O resto da história vocês sabem qual foi.

Desta vez não me pegam. Não tenho mais este desprendimento, o incondicional. Aliás, não é mais incondicional. O amor ficou, mas com ressalvas.

Continuo longe do Couto, torcendo, é verdade, mas me dou o direito de não ir, embora sedento, morrendo de vontade de ver meu time. Seria bacana se conseguisse, mas não vou.

Só que não me privo do sentimento do atletiba que não sai daqui de dentro. O sentimento do maior clássico do futebol do Paraná, coisa que aprendi a cultivar ainda criança. Há mais de 50 anos vivendo muitos deles. De partidas de meio de campeonato, de clássicos no brasileiro e de decisões de paranaense. Todas com o mesmo sentimento, embora hoje as coisas sejam bem diferentes, mas ainda é um atletiba. Como todos os outros, cada um com sua história peculiar.

Este, pelo que vejo, o segundo do Youtube, (grande indicação de que os tempos são outros mesmo). Fico imaginando naquela época quando a gente não podia nem pensar em assistir uma partida destas por um aparelho ou um sistema como este. Se alguém falasse em algo assim, seria chamado de maluco, coisa mesmo de outro mundo. Mas na essência ainda falamos de um atletiba como todos os outros, a grande rivalidade das cores, porque atletiba há tempos virou instituição.

Coritiba e Atlético cresceram, chegaram à maturidade e hoje são grandes. Batem de frente com a Federação e são maiores que ela, que precisa se render aos dois. "Criador e Criatura", algo do gênero. Coritiba e Atlético são maiores que o futebol paranaense, só seus dirigentes não enxergam isso. Se enxergam, caminham por vias erradas.

Esta conquista é exclusiva das duas torcidas que trouxeram os dois clubes no colo, até aqui. Por isso, não serão estes dirigentes e nem estes “cabeças de bagre” que colocam em campo, que serão capazes de tirar o brilho de mais um atletiba eletrizante. Se não é tão eletrizante assim, nossos corações ainda insistem em dizer que sim.

Lembro que naquele famoso atletiba do brasileiro, que o Walter perdeu o gol da vida dele, no Couto Pereira, eu olhava para o campo e não via jogadores. As camisas andavam sozinhas. Eu não queria saber quem a vestia. Foi o jeito que encontrei para proteger o meu time daqueles atletas que eu julgava não serem merecedores de vestir a gloriosa verde e branca.

Você deve tá dizendo, este cara é maluco! Ao mesmo tempo que fala que não vai mais ao estádio, enche a bola da dupla. Vê os jogos de forma estranha. Atletiba é história, a mística do clássico é mais forte que tudo. Maior que dirigentes, empresários, conselheiros e estes caras que andam vestindo a camisa do meu clube.

Aos 60 anos, depois de mais de 50 vividos no Belfort Duarte e agora Couto Pereira, me dou a este luxo, sim. Amo este clube.

A partir deste domingo, estaremos juntos certamente, mas de coração, até que no outro domingo tenhamos um campeão... que seja o Coritiba.

+3

Debate

  • "Ruralzao termo usado por incompetentes para denegrir o campeonato qual sabe que será vice, rs ou seja, criado pelos poodles q ja sabiam q iriam levar no rabo... pq tremiam sempre e não tinham moral nem em casa pra bater de frente com o Coxa... ano passado foi uma baita de uma cagada levar aqueles gols na final... onde os ares mudou de lado e a utilização do vulgo Ruralzao."

    Clayton C. | 27/04, 22h00 | Móvel

  • "Parabéns pela coluna, Sérgio! Acho que capta bem o sentimento de muitos torcedores AlviVerdes.
    Mas... não tinha uma foto de um atleTIBA que a gente tivesse ganho pra ilustrar a matéria? Não gosto muito de lembrar dos atleTIBAs do começo dos anos 80.
    Aliás, já que o clima de rivalidade é inevitável nesta semana, é muito curioso comparar a história do nosso rival pó-de-arroz antes e depois de Onaireves e Petraglia (cidadãos cujos predicados morais dispensam comentários)."

    ANDRE S. | 27/04, 08h19

    • "Perdemos o da foto? Conte a história..."

      Sérgio Brandão | 27/04, 21h37 | Móvel

  • "Música 1) Esta cova em que estás, com palmos medida. É a conta menor que tiraste em vida. É de bom tamanho, nem largo, nem fundo. É a parte que te cabe deste latifúndio.
    Música 2) Restos e raspas me interessam, me interessam.
    Música 3) "Nossa" piscina está cheia de ratos, nossas idéias não correspondem aos fatos. O tempo não para."

    Luso J. | 26/04, 23h59

  • "Essa de rural foi criação de alguém, provavelmente do lado "sombrio". Rural com cidades como Ponta Grossa e Cascavel (mais de 300.000 habitantes), Maringá (mais de 400.000 habitantes fora a região) e Londrina (600.000 habitantes fora as metropolitanas)... Esses lugares deveriam ter times a altura de suas populações. Todas estas cidades poderiam colocar públicos maiores que a média atual, com campeonatos mais organizados..."

    Mauricio D. | 26/04, 16h34

  • "Em relação ao rural, já podemos nos considerar campeões, pois, eles todos, torcida e time só pensam na libertadores, ano passado eles ganharam só pra dá uma satisfação pra sua torcida que nem rural não ganhava em que pese a boa campanha deles em competições muito maiores..."

    Antonio A. | 26/04, 15h29

    • "Porque "rural"? Este termo não consta do nosso dicionário. Isto é coisa de poodle...
      jcesar.coxa"

      Julio J. | 26/04, 15h36

    • "Tem muito coxa branca como eu que chama esse campeonato de rural, agora quem inventou isso eu não sinceramente não sei..."

      Antonio A. | 27/04, 14h40

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