A vaia está de volta
A tristeza não pelo placar, mas pelo futebol. O que também não é novidade, porque é o que temos tido já faz algum tempo.
Até os menos exigentes esperavam no mínimo uma vitória. Afinal, ainda havia a expectativa, do sobrenatural de almeida agir. Não agiu e mesmo com os velhos argumentos de “ início de temporada – time se ajustando – muitos ainda não se conhecem – outros ainda estão por chegar - outros em fase de adaptação” etc.
Qualquer torcedor é capaz de perceber que teremos um ano NOVAMENTE DIFÍCIL. Mais difícil ainda é classificar se apenas difícil ou muito difícil?
Ainda que timidamente, também foi possível ouvir um outro aliado da insatisfação nesta primeira partida em casa: a vaia. A velha e combatida vaia que até já se impregnou ao Couto. A tão falada e combatida vaia que incomoda os que vivem do futebol no Coritiba, que dizem que isso só se vê no Coxa, tentando tirar do torcedor a liberdade de se expressar, deixando nas costas deste torcedor - que se manifesta desta forma - a responsabilidade pelo mau momento.
Não sou do time da vaia, nem nunca fui, pelo menos neste momento de maturidade da vida.
Como a arquibancada de um estádio de futebol é um laboratório de sociologia, os que vivem dele, já deveriam ter aprendido a conviver com todo tipo de manifestação.
No caso do Coritiba, não é preciso dizer que mais um mau resultado ou mais uma partida fraca tecnicamente, a vaia vai ficar mais forte e o público novamente voltar a debandar do Couto e do quadro associativo.
Porque na cabeça do torcedor mais humilde, por menos sonhos que tenha, admitir o nível baixo, é aceitar a sua pequenez. E contra isso, parece que muitos ainda brigam bravamente.
Para quem ainda não entendeu, a gente desenha: sempre brigamos como grandes, nosso principal adversário já nos deixou para trás há tempos, com conquistas recentes. Os clubes do eixo, apenas nos respeitam como instituição centenária. Empatar em casa contra o Maringá, em outros tempos, tinha “virada de mesa”, no dia seguinte.
Repito, não pelo resultado, mas pela qualidade do futebol jogado, está difícil de engolir. Querem nos acostumar com pouco. Nos alimentamos apenas pela paixão que, aos poucos se transforma em ódio, por isso as vaias.
Vaia que nos últimos anos deveria ser entendida como lamento, como choro, como dor, como reclamação que ao torcedor acaba sendo seu último recurso, mas que tentam impedir dizendo que isso não se faz. É falta de respeito ao clube, dizem. Não percebem que a vaia é ao trabalho, a um grupo, a uma filosofia que não deu certo, a jogadores... nunca contra o Coritiba.
Não há MIT, não há unificação que seja possível com o mínimo de qualidade. Empatar com o Maringá, seja lá em que circunstâncias for, não dá mais pra aceitar. Por que não foi a primeira vez e pelo jeito não será a última.
Queremos ser convencidos, abrimos a porta, a poeira baixou, mas nada convincente foi feito. Não subestimem nossa inteligência. Não nos peçam nem silêncio e nem o fim das vaias. Enquanto a gente achar que nesta relação não houver reciprocidade, não há nada a fazer.
Façam algo mais e melhor, para que lá na frente a gente volte a se encontrar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (18)
