Democracia Coxa- Branca
Falta ao Pachequinho não só rodagem, mas também experiência, tarimba, malícia, traquejo para lidar com o futebol, como treinador. De agora em diante, também uma ligeira dose de sorte pode ajudá-lo. Com sorte, quem sabe no final do ano, não estamos comemorando também o treinador revelação do brasileiro?
Se ainda prevalece a máxima de que em time que está ganhando não se mexe, o Coritiba fica com Pachequinho como treinador e não se fala mais nisso, até que comecem os tropeços e os resultados tirem o sono de todos: da torcida, dirigentes, jogadores e do próprio treinador.
Nem quero entrar no mérito se sou a favor ou contra manter Pacheco como treinador . Apenas temo mais uma vez pelo fim de Pachequinho dentro de um mês ou pouco mais, caso os resultados não ajudem.
Conhecendo a torcida e nossos dirigentes, não estaremos longe disso, sabemos. Não gostaria de mais uma vez ver Pachequinho passar pelo que passou ano passado. Ser mais uma vez afastado, trocado por outro treinador, mais rodado, mais experiente, mais caro, mas que não fará milagre.
Hoje, Pachequinho é o melhor treinador que o Coritiba pode ter. Pelo menos para este momento. Foi assim no paranaense e será para o brasileiro. Com alguns reforços, o time ganha em qualidade e o Pachequinho vai trabalhar mais sossegado.
Mais que isso tudo, Pachequinho fala a mesma língua de Kleber e sua turma, na verdade os cabeças do elenco e os principais responsáveis pela permanência de Pachequinho no time até aqui.
Um treinador como Carpegiani, Ney Franco, Levir, M. Oliveira, Luxemburgo ou qualquer outro de mais nome, tiraria o comando de Kleber e seus seguidores e o Coritiba desceria dois ou três degraus em relação ao que está agora.
Efetivar Pacheco é inteligente neste momento, desde que prevaleça a "democracia Coxa", lembrando o Corinthians de Sócrates e Casagrande, nos anos 80. Bem ou mal, saudável ou não, foi assim que o Coritiba veio até aqui. Foi a "democracia coritibana" que fez deste time campeão do estado, este ano, num pacto feito na casa do inimigo depois de uma derrota. Kleber esteve no comando do grupo. Pachequinho deveria ficar e esta foi uma das condições para que o grupo pudesse cumprir a promessa. Deu certo.
Com mais alguns reforços, nos resta torcer para que não chegue nenhum jogador temperamental disputando espaço, querendo roubar a coroa de Kleber e Pacheco.
Manda quem pode, obedece quem tem juízo. No futebol, não é bem assim: manda quem pode e obedece que tem menos força.
Acho que se o time acertar neste começo de campeonato, e com um pouco de sorte nas contratações, tem tudo para fazer um papel melhor que em anos anteriores.
Os bastidores do futebol guardam segredos que é difícil supor, mas neste caso, não é preciso ser muito esperto para entender o Coritiba que temos. Aliás, na porta de começar o brasileiro, acho que não seria prudente mexer na estrutura montada. Agora não. Gostem ou não. O ano promete fortes emoções até o fim.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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