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Arquibancada
Quem já sentiu o concreto do Couto tremer, vai entender o que quero dizer, porque o que vimos nesta noite de quarta-feira em São Paulo, na Neo Química Arena, não foi só uma partida de futebol. E o grande protagonista desta história foi Jacy, zagueiro Coxa, filho de dona Antônia Claudia.
Jacy já esta entre os principais nomes da história do Coritiba. Porque Jacy é um espelho, não só vestindo a camisa verde e branca como quem apenas cumpre contrato profissional; ele vai além. Torcedor declarado, Jacy resgata a mística do jogador que sente a dor da derrota e o exito da vitória com a mesma intensidade de quem está na arquibancada.
Foi com Josué — outro que vai escrevendo sua história no clube — quando cobra escanteio com a precisão de um mestre (aliás, a mesma precisão do passe que fez a Ronier no segundo gol). A bola viajou, mas parecia já ter traçado seu destino. Jacy subiu, não com um salto técnico, mas com o coração.O cabeceio colocou o Coritiba na frente do placar, sendo o primeiro gol de uma vitória gigante, que significa muito mais que três pontos. Foi um momento íntimo, entre mãe e filho - dona Antônia e Jacy.
Jacy encarna uma raça poucas vezes vista. Ele joga com o corpo, mas está fazendo história também com a alma.
A cena me prova que por isso o futebol ainda vale ser vivido.
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