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ArquibancadaSergio Brandão

Ícones centenários

Assim como o jornal Gazeta do Povo, que completa 100 anos de existência, que nasceu em 1919, o Coritiba também já teve a oportunidade de contar a sua história centenária. O Coritiba que nasceu antes da notícia, no estado.

Um desafio, eu diria. Falar sobre 100 anos, tendo que escolher seus destaques numa longa história, é tarefa para especialista. Não sei se a gazeta os tem. O Coritiba não teve. Estes especialistas estão por aí, no mercado curitibano ou coritibano, como quiser. Nem coritiba e nem Gazeta conseguiram contar direito o seu centenário. A edição de hoje do jornal, em quase nada lembra a sua história. Quem sabe amanhã, consigam algo digno dos seus 100 anos.

Vilson Ribeiro, então presidente, na época do centenário do Coritiba, anunciou na data, como grande presente à nação alviverde, a obra que era sonho de consumo, que era fechar finalmente a curva da Mauá.

Não só não fechou a Mauá, como não fez o que todos esperavam. Tudo bem, era o que dava para fazer com o dinheiro que tinha. A velha e boa Mauá, ficou com cara de baile de debutantes, numa festa junina - como digo no livro que lancei em outubro, em uma das tantas crônicas ali editadas.

Colocar 100 anos de história numa obra daquelas, foi apequenar o Coritiba. Um clube de futebol, com 100 anos de conquistas, de muita história bonita. Comemorar uma obra daquelas, num contrato que até hoje é motivo de discussão, tá longe de representar o que foi o Coritiba nestes seus 100 anos de vida.

Teria sido melhor, mais próximo e digno dos 100 anos, montar uma seleção do centenário, numa grande promoção, campanhas de marketing, contratações que visassem o projeto de um Coritiba campeão, em busca de um bi-brasileiro, por exemplo. Coisa que certamente trariam mais alegria. Chamar o torcedor mais para perto do Coritiba em numa grande campanha de sócio-torcedor, reerguer o clube, por exemplo.

Mais uma vez decidiram sair pelo caminho político, com mais um enjambre de tapa-buraco, para mal e porcamente levar no bico os mal informados torcedores que estão aí para aplaudir, sem se importar a quem. Sempre comprometidos com gestões que entram e saem e nunca respeitam a prioridade que deveria ser o futuro do clube.
Grupos formados há anos, nos bastidores do Cortitiba, que deu origem a outro grupo, igualmente desprezível: formado pelos que ficaram de fora ou estão de fora da festa, ou que foram convidados a se retirar e que agora preferem mais atrapalhar do que ajudar.

A cada ano de Bacellar, Vilson, Cirino, Gionedis e Samir, o Coritiba parece fazer a contagem regressiva. Dos seus 110 anos de agora, para trás. Na gestão de 3 anos de cada um, décadas de retrocesso. E assim, logo zeramos nossa contagem chegando ao marco zero, chegando de novo em 1909. Outubro daquele ano, quando ilustres cidadãos coritibanos se juntaram para começar esta história.

Assim como a Gazeta do Povo que de um jornal impresso de respeito, durante anos, sobreviveu. Agora conta seus dias como site de notícias, pouco ou quase nada atrativo. Como o Coritiba, que foi sendo remendado, sem se modernizar, sem se importar com o futuro, achando que só a história bastaria para leva-lo à eternidade. Que agora vive tempos de Samir, que se apresenta como único preocupado justamente com isso, mas que sabemos, faz caminhos errados e longe do que a maioria quer.

Os dois ícones centenários do Paraná, precisam se reinventar. Trocar de mãos para com outras mentes, ainda pensar no futuro. Coritiba e Gazeta do Povo caminham perigosamente.

No Coritiba, o faz de conta, que só privilegia a politica clubística, pensando em interesses pessoais, que não cabe mais.

Na Gazeta, como jornalista, apenas lamento que parte da história do jornalismo e da memória do Paraná, se perca assim.

Como dizem por aí, no futebol de hoje não cabem mais estas administrações amadoras. No mundo corporativo também não.





Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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