O segredo de fazer muito com pouco
Sem torná-lo mártir, mas suas ideias e obstinação por um novo Coritiba era evidente em suas manifestações. Não entregaria a batalha por nada. Só mesmo esta praga que já matou milhares pelo mundo todo, levou o que de melhor se apresentou no Coritiba nos últimos anos.
Lembro que em uma das suas conversas com o COXAnautas, deixou bem claro que nada o demoveria da ideia (quase científica), na montagem do grupo que naquele período começava a se formar. "Podem bater o pé, quebrar o meu carro que será pouco para me tirar a convicção que o caminho é este", disse ele. Renato Follador tinha uma convicção quase Franciscana nas suas decisões.
Pena não estar aqui para ver este Coritiba, segundo colocado na Série B. Pelo menos serveria para tirar um pouco da frustração do início da temporada, com a saída prematura do Campeonato Regional.
Também está claro que ainda não temos o time dos sonhos,( bem longe disso) mas de certa forma o comando administrativo do clube trabalha no limite do que é possível fazer. E aí parece estar o segredo da competência de Follador. Saber o momento de interferir e de mudar a trajetória.
Nos cabe agora a torcida para que o G5 - que por enquanto está reduzido para G3-, tenha a mesma competência ou sensibilidade do ex-presidente.
Confesso que torci o nariz para esta administração em seus primeiro passos. Eu e grande parcela da torcida. Não entendia, mas hoje sei que um dos grandes segredos estava em achar o limite do que era possível fazer. Do fazer muito com quase nada. É o Coritiba que temos no momento e que provavelmente será assim até o final da Série B.
Mas quando as coisas foram fáceis para nós? Se é que estamos falando destes tempos, modernos, da década de 90 pra cá. Nunca, não é?
Pois Follador parece que tinha a receita de fazer muito com tão pouco.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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