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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Por um Couto nas tardes de domingo

Um programa que já foi das tradicionais tardes de domjngo, agora volta para as segundas, às vezes terças, ou sextas, no máximo aos sábados.

Lá se foi junto o prazer que era chegar ao Couto. Domingo sem Couto não era domingo.

Na marra, nossos domingos já há algum tempo, são em outros dias da semana. Mesmo assim, semana com jogo fora, cai numa conta que acaba em sete: sete dias, seja lá contra quem for, é o jogo da volta pra casa. Dia de voltar a ver o Coritiba no Couto Pereira. Para muitos, e me incluo neste grupo, este prazer anda rareando.

O próprio Couto que também anda se acostumando com esta ideia, de receber visitas no meio da semana, fica a lembrança a quem já esteve lá, e sabe como uma tarde de domingo faz falta.

Tenho uma história com ele que passa dos 50 anos. Faz tempo que deixou de ser um estádio. Virou uma instituição. Mas sempre de uma convivência de quase todos os domingos. Mas nos últimos anos tem sido assim, em meio de semana.

Fui colocado lá dentro pela primeira vez em 1959, quando ainda era chanado de Belfort Duarte. Foi num domingo de atletiba.

Minha família conta uma história que alcança a idade do Coritiba. Todas as gerações seguintes aos meus bisavós, todas frequentaram o Belfort Duarte, agora Couto Pereira.

Minhas mais vagas lembranças, vão desde as cabines de madeira da Mauá, até a construção dos anéis dos fundos e depois da entrada, na Amâncio Moro... também a cobertura das sociais. Como também o placar da Bidu-cola, no fundo do estádio.

O Couto tinha cheiro de pipoca, mexerica, pinhão, quentão. Ali sempre vivi a alegria máxima que o futebol podia oferecer. Sempre foi a soma de um conjunto de coisas, fatos e sentimentos que ganham este nome, que deram ao estádio. Mas sempre muito mais do que foi o ex-presidente, major Antônio Couto Pereira.

Tenho a impressão de já estar passando o bastão para esta gente das novas gerações que precisa continuar esta história.

Quem sabe, com um pouco de paciência, sobrinhos e filhos, consigam arrumar paciência e esperar para contar a história da construção de um novo estádio, assim como ouvi de meu pai as histórias das arquibancadas de madeira. Ou quem sabe uma Mauá de verdade, não esta com cara de baile de debutantes numa festa junina.

Para mim, o Couto volta a ter seu glamour quando ali também puder oferecer um futebol convincente, pelo menos próximo do que já fez um dia.

Que 2019 seja o último ano de jogos no meio da semana e que volte a jogar aos domingos e com o futebol bonito daqueles, dos tempos que encantava com a casa quase sempre cheia.

Nosso Couto Pereira, de todos os Coxas. Indo ou não ao estádio. Aos domingos ou nas segundas - feiras, porque lá sempre estará o Coritiba de todos nós.

Que nesta véspera de mais um começo de série B, tenhamos um time de verdade para torcer e que nos devolva à elite do futebol brasileiro, a série A, para nunca mais sair de lá.

Para voltar a ver o Coritiba, orgulhosamente numa tarde de domingo.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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