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ArquibancadaSergio Brandão

Quem nunca?

Nem São Wilson, nem ninguém. Aos olhos do torcedor não é permitido um deslize sequer.

O futebol é tão cruel que nem as façanhas de Wilson, nestes anos todos, defendendo o Coritiba, muitas vezes nos livrando de desastres até piores, foram capazes de apagar as últimas atuações, quando o goleiro foi mal em alguns lances, chegando a ser responsável por alguns gols e até por certas derrotas.

Coisa do ser humano, especialmente do torcedor do Coritiba que anda sem paciência para nada. Nem com quem elegeu como ídolo e como o único nome entre um grupo cheio de cabeças de bagre já por alguns anos.

A impaciência é tanta, que não será surpresa se daqui há algum tempo surgir um grupo questinando a estatua de Krueger, tamanho o mau humor reinante.

Quem nunca pisou na bola? Quem nunca comprometeu em alguma coisa no trabalho? No futebol e no Coritiba não pode.

Agora, alguns preferem o silêncio do que creditar a Wilson mais esta classificação à final deste prineiro turno do paranaense. Tudo bem, nao vale nada. Mas porque Wilson falhou antes, em lances capitais, contra o Operário, por exemplo, e já faz tempo que não é o mesmo, dizem alguns, isso importa mais.

Devemos voltar ao ponto que cansativamente já discutimos aqui: o problema não é um ou outro jogador, ou treinador, ou diretor de futebol. O problema é o estado de penúria que colocaram o Coritiba, e o problema do Coritiba são seus administradores. E disso vamos nos lamentar até finalmente um dia, com um pouco de sorte, achar um caminho, nem que seja só com o voto, como fazemos no Brasil, de dois em dois anos. No Coritiba de três em três.

Do céu ao inferno, Wilson ou qualquer outro jogador de qualidade média pra cima, só será respeitado quando o torcedor também se sentir respeitado.

Pagando ingresso ou não, pagando mensalidade de sócio ou não, o "jus esperneandi" é de todos que, pagando ingresso ou mensalidade é torcedor e quer ser tratado como tal.

Wilson ou qualquer outro pode dar o título do estadual de 2019, mas se não fizer o mesmo na série b, será escorraçado.

Porque hoje as defesas de Wilson no estadual só servem como aquecimento, como pré- temporada.

O que vale mesmo é subir, mas sozinho, mais uma vez, Wilson não dará conta do recado. É muita responsabilidade para um atleta num esporte coletivo. Por isso, quem sabe seja melhor voltar ao foco anterior, pedindo time, do que perder tempo com as avaliações individuais de Wilson, que todos sabemos, é bom goleiro.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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