COXAnautas - Coritiba Eternamente

06/05, 15h21 | Bola de Couro | Felipe Rauen

Adeus ao Nico.

Há pouco recebi a notícia da morte do Nico, zagueiro do Coritiba nos gloriosos anos 1960/1970, que incontáveis vezes vi jogar.

Nico, Livaldir Toaldo, que se dizia natural de Santa Felicidade e não de Curitiba, começou a carreira no extinto Água Verde, onde jogou apenas uma temporada, sendo em seguida contratado pelo Coritiba para suceder ao ídolo Fedato, o que trazia enorme responsabilidade.

Pois o Nico soube ser sucessor do ídolo. Jogou no Coritiba de 1959 a 1971, conquistando cinco campeonatos estaduais e participando da primeira excursão do Coritiba Europa em 1969. Atuou até a idade de 34 anos.

Era um zagueiro forte e viril, mas muito leal, tanto que ganhou um prêmio que havia na época, o Belfort Duarte, concedido pelo extinto Conselho Nacional de Desportos aos atletas que por dez anos não registrassem nenhuma expulsão. Há registro de uma expulsão, mas posterior à conquista do prêmio, e arrisco dizer que não foi merecida considerando o modo de jogar do Nico.

Sobre ele existem histórias, não sei se verdadeiras ou lendas, uma das quais dizia que no matadouro onde trabalhava em Santa Felicidade – na época era um semiprofissionalismo, os jogadores necessitavam ter outra atividade – matava porcos com socos, se necessário. Outra história se refere à renovação do seu contrato na época em que haviam as denominadas “luvas”, que eram uma espécie de pagamento inicial mais expressivo, quando o dirigente perguntou quanto ele queria, tendo o Nico, um tanto encabulado, dito que gostaria de móveis novos para o quarto.

Em 1968 a seleção brasileira que se preparava para a Copa do Mundo de 1970 fez um amistoso contra o Coritiba, que na ocasião vestiu a camisa da Federação Paranaense de Futebol pois a então CBD não permitia jogos contra clubes. Na seleção brasileira estava o Nilo, nosso lateral esquerdo, e o jogo terminou com o placar de 2 x 1 para o selecionado, gols de Dirceu Lopes e Zé Carlos para os vitoriosos e Passarinho para nós. Pelé jogou e não marcou gol, sabem por quê? Por ter sido marcado pelo Nico, era o que dizíamos na época.


Conheci muitos jogadores raçudos, mas nenhum como o Nico, não vacilo em afirmar. E era, como já disse, dotado de raça sem deslealdade, qualidade não muito comum.

E a atual direção do Coritiba teve um belo gesto ao homenagear o Nico em maio do ano passado. Homenagens póstumas são justas e merecidas, mas para o homenageado nada como recebê-las em vida como o Nico recebeu.

Pois o Nico nos deixou, indo fazer companhia ao Célio e ao Krüger, com os quais jogou. Uma notícia triste, mas afinal estava com 82 anos de idade e nesse patamar da vida quando se adoece é muito difícil a recuperação.

Ao Nico a saudade e homenagem minha e dos amigos da minha geração que frequentam esta página.

Debate

  • "Meus sentimentos aos familiares! Tive o prazer em conhecer o Nico quando ele treinava as categorias de base do Coritiba, joguei por um período, 1973/1974
    na categoria de base. Um profissional de muita qualidade e muito identificado com o Coritiba. Hoje estou com 58 anos e sempre acompanhei o Coritiba e hoje fico triste em ver profissionais que não dão amor a camisa alvi-verde e acho que estes que estão aí nem conhecem a história deste grande clube."

    Antenor Nelson Gonçalves do Amaral | 21/05, 11h57

  • "Há vários anos temos acompanhado o CORITIBA definhando. Apresentando um novo paradigma, infelizmente, o de se apequenar ano após ano. Bem oposto àquele que nos habituamos ao longo da História. De forma concomitante a deterioração da instituição acompanhamos entristecidos o desaparecimento de nossos ícones históricos. Antes: Pescuma, Dirceu, Tim, Almir de Almeida, Evangelino, Damiani,... Num período contemporâneo: Toby, Zé Roberto, Tião Abatiá, Célio, Jairo, Kruger, Nico, perdão pelos que não mencionei. E até torcedores icônicos.
    Meu consolo é tentar acreditar naquela estória da águia. Quando ela está combalida de sua jornada pela vida, procura o ponto mais alto de uma montanha e ato contínuo arranca todas as penas envelhecidas das asas, as garras poderosas mas já ineficientes e depois bate com o bico contra as pedras até desgastá-lo completamente. Então espera o renascimento das penas novas, novas garras e novo bico. Então ela está pronta para sua renovada vida de predadora. Quem sabe para nós COXAS essa seja a oportunidade de, honrarmos nossos heróis sempre, mas voltarmos nossos olhares e nossas intenções na reconstrução daquela que já foi, mas voltará a sê-la, a maior expressão futebolística do Paraná. Eu tenho 62 anos ainda acho que dá tempo!!!"

    Itamar S. | 08/05, 19h44

  • "Que descanse em paz. Meus sentimentos aos familiares e amigos."

    Adriano A. | 08/05, 10h33

  • "Que descanse em paz. Meus sentimentos aos familiares e amigos."

    Adriano A. | 08/05, 10h30

  • "Tambem o vi jogar e estava neste amistoso contra Pelé, grande zagueiraço e raçudo, que Deus o tenha."

    GUIOMAR S. | 07/05, 00h06

  • Ver todos os comentários (9)

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Equipe COXAnautas

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O Blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.

O Autor

Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro". Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Desde fevereiro de 2.009 é Cônsul do Coritiba em Porto Alegre. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

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Paraná 44
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