Apatia x indignação
De tudo o que o Coritiba mostrou neste ano, desde os gabinetes até o campo, não seria de esperar um bom resultado em razão de possuirmos um time tecnicamente limitadíssimo.
Acho que o que ninguém esperava a apatia, modorra, marasmo, desânimo, preguiça, indolência, impassibilidade e letargia que tomaram conta da equipe. Em se tratando de elenco modesto, com pouca técnica, era de se esperar que pelo menos vontade e disposição para buscar a vitória houvesse, ainda mais considerando que a maioria é jovem e precisa se afirmar (o que não é o caso do João Paulo, que já se afirmou como um bonde).
Mas amigos, o que esperar de um time cujo presidente é apático, de cujos vice-presidentes nem se houve falar, e é comandado(?) em campo por um técnico que merece todos os sinônimos de apatia que desfilei antes e que fica passivo na beira do campo? Já nem falo da sua manifesta desqualificação e carência de fundamento para ser técnico.
Em 18 de dezembro último, logo após eleita a atual diretoria, e quando o presidente Namur ainda estava nas redes sociais e recebia minhas colunas, escrevi “Contrate homens, presidente!”, ocasião em que disse: “Contrate jogadores bons tecnicamente, mas homens com caráter e que venham a gostar de jogar no Coritiba ou aprender a tal. Para os quais não seja o Coritiba, como tem sido, um clube para servir como passagem para outros ou para encerrar a carreira”.
E não foi feita nenhuma e nem outra coisa. Contrataram jogadores sem técnica e, pelo que se viu hoje, sem hombridade, que aceitam a derrota para um time inexpressivo com a maior naturalidade e insensibilidade. Não estou entre aqueles que entendem que raça e superação por si só resolvem jogos, pois sem a mínima técnica não há vontade que se imponha. Mas compor um time com jogadores sem a mínima técnica aliada à apatia e indiferença é demais.
Pois se usei sinônimos para apontar a apatia do time, agora uso um antônimo para o sentimento da torcida, qual seja o de indignação. Estamos sendo feridos e sangrados aos poucos, mas as direções que se sucedem no nosso clube de fracasso em fracasso aos poucos vão afastando os torcedores, a razão de ser do clube e aumentando a cada dia o fundo do poço em que há tempo nos encontramos.
Talvez esteja na hora de transformar o sentimento de indignação em revolta, não no sentido de agir de modo impróprio ou violento, mas visando a uma modificação radical e uma verdadeira revolução no clube. Temos compromisso formal com a aceitação do resultado das eleições, mas não temos compromisso com o erro. Incontáveis governos formalmente legítimos foram derrubados por não atenderem aos anseios da sociedade, o que faz com que percam a legitimidade que nessas condições é meramente figurativa. Se a jovem e inexperiente direção do clube não fizer rapidamente uma autocrítica e radical correção de rumos, não restará aos torcedores e associados outra atitude que não a de um analógico impeachment.
Não gostaria de falar de modo tão contundente assim, mas sou coritibano desde que me conheço por gente, ou seja, há quase sessenta anos, e não estou aguentando mais tanto sofrimento. Hoje um amigo – se ele quiser irá revelar o nome nos comentários – mandou-me mensagem dizendo que vai cancelar o pagamento as duas cadeiras perpétuas que possui até que as coisas mudem. Não se diga que ele é mau torcedor, jamais. É também um torcedor da minha geração que sempre foi de fé e apoiou o clube, mas está cansado de tantas desilusões. É este o caminho que a direção está apontando para os torcedores e associados.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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