Arrogância e ingenuidade.
Para isso é essencial ser realista, mirando grandes objetivos, mas a serem atingidos de forma paulatina e segura, ou, como se diz, “com os pés no chão”. Visão de realidade e ambição conjugada com humildade são essenciais.
Mas não foi o que vi em algumas manifestações após a conquista.
Primeiro, uma entrevista infeliz do empregado do clube, o Pastana – que segundo bem informado jornalista seria o presidente de fato do Coritiba na administração do futebol – o qual, como ocorre costumeiramente com pessoas que não sabem conviver entre o fracasso e o sucesso, foi verborrágico. Comentários no sentido de que quem o critica deve “chorar na cama” e “sei que sou bom”, nada acrescentam, só preocupam pela arrogância. Na condução do futebol do Coritiba acertou, mas também errou. E quem não tem humildade para admitir os erros e aprender com eles, não tem maturidade para corrigi-los. Como seu contrato foi renovado, vamos ver se depois da euforia da conquista fez uma introspecção e se convenceu de que não é tão bom como pensa e que muito terá que corrigir para não repetir a pífia campanha que teve com o Paraná Clube.
Outra entrevista, ou melhor, outras, pois no sucesso o nosso presidente apareceu muito, foram as do Samir.
O que percebi é que o presidente talvez não seja tanto soberbo como passamos dizendo nesses dois anos. Acho que ele é mais um ingênuo.
Como pode um dirigente que necessita tratar da renovação do contrato do seu diretor de futebol e do técnico já sair dizendo que os valores deverão ser em outro patamar dado o clube estar na primeira divisão? Quem negocia assim? Imagine você, amigo do Coxanautas, ir comprar um automóvel ou um imóvel e já chegar dizendo: olha sei que o mercado aqueceu e me proponho a pagar mais. Se isso não se faz com o próprio dinheiro, o que dizer com o dos outros, o nosso, o do clube? Não é má fé certamente, mas é puerilidade.
Não vou tratar de outros enfoques das entrevistas dadas as limitações do espaço, mas ainda chamo a atenção para a ingenuidade de já ir fixando preço para negociar a jovem revelação Yan Couto. Como assim? Nem se sabe de algo concreto e já se sai anunciando o valor que pretende pela negociação, quando isso é para se tratar intramuros. É bem provável que, como ocorre no mundo dos negócios – e o presidente Samir, pelo exemplo dos seus ancestrais, exímios negociantes, deveria saber – os pretendentes já virão ofertando menor valor e até pagamentos parcelados aproveitando-se da penúria do clube.
Mas não pensem que sou opositor à atual administração e que não reconheço os seus acertos (manutenção da folha de pagamento em dia, conservação e renovação de dependências do estádio, estabilidade no controle do déficit financeiro) e que não quero o seu sucesso. Quero sim, assim como quis em relação a todas as anteriores, e desejo muita sorte ao presidente e seus pares. Só temo que sem um choque de humildade e da realidade não será fácil avançar. A alegria do sucesso no retorno à primeira divisão não pode mascarar os muitos erros cometidos e a necessidade de, sem vaidade, aprender com eles.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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