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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Cada vez mais perto.



Ontem, contra o Bragantino, o Coritiba teve mais uma pífia apresentação. Dizer que o time foi medíocre ou sofrível é adjetivação insuficiente, na verdade, a exibição foi horrenda.

Tendo a maioria dos jogadores deficiências técnicas por todos conhecida, esperava-se que o técnico, valendo-se de dez dias de parada e de treinar em uma espécie de refúgio, trouxesse a campo um time que tivesse algum padrão de jogo, alguma jogada ensaiada, como se diz. Que nada, só soubemos destruir e quando tínhamos a bola quase nunca ela era trocada entre dois ou três dos nossos, salvo nos constantes recuos, usados a abusados.

Há no elenco jogadores dos quais se poderia esperar mais, não são tão ruins como vêm mostrando, mas o que venho observando é que falta neles confiança e espírito guerreiro. Parecem conformados com o que acontece, acreditando que, como diz o inapto presidente do clube, o time vai reagir, sairá logo da zona de rebaixamento, e assim vamos ficando cada vez mais perto da catástrofe. Claro que temos que expressar confiança no elenco, não por merecer, mas por ser o que temos, nada mais dá para fazer neste campeonato. Mas ao lado dessa conduta seria necessária outra, no sentido de motivar os jogadores a suprirem as deficiências com disposição. Não é o que se vê. Ontem, exceto o Rodolfo que volta e meia dava uns gritos com os colegas, o time nem de longe pareceu estar preocupado com o quase certo rebaixamento. Nesta hora seria importante ter um treinador vibrante e motivador, mas o atual, trazido pelo ontem não-participativo Ricardo Oliveira, fica estático e em silêncio ao lado do campo.

Mas quero expressar aos amigos outra preocupação, esta comigo. Ontem, por volta dos trinta minutos da segunda etapa, me surpreendi ao dar-me conta de que não estava torcendo, apenas assistindo ao jogo. O sofrimento está tão grande e intenso, que certamente o meu subconsciente agiu levando-me à indiferença, o que é talvez o pior dos sentimentos. Quem me conhece pessoalmente sabe como fico na arquibancada ou no sofá. Não arranco os cabelos porque já os tenho poucos, mas grito, esbravejo e festejo. Pois até esse sentimento de indiferença essa pífia gestão fez com que acontecesse. Foi passageira a indiferença, o Coritiba faz parte da minha vida e nunca vou deixar de torcer, seja qual for o momento, mas às vezes a nossa mente trata de nos defender de males maiores, até físicos, e nos faz ficar indiferentes em momentos difíceis.

E assim vamos cada vez mais próximos do inferno da segunda divisão, agora necessitando fazer campanha igual a de clube que quer ficar entre os primeiros colocados para escapar. Temos que ter esperança, mas está difícil. Diz o ditado popular que a esperança é a última que morre. Sim, é a última, mas morre também.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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