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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Chá de melissa.



Após a vitória de ontem contra o Londrina, quando jogamos melhor do que o adversário, mas desperdiçamos muitos gols, o técnico Antônio Oliveira concedeu a protocolar entrevista pós-jogo, quando elogiou muito o time – o que faz sempre – e afirmou “temos que ser um pouco mais caprichosos e serenos nas finalizações”.

Realmente, tem havido muita precipitação quando das conclusões a gol, alguns sendo perdidos por preciosismo dos atacantes e outros tantos pelo afobado e limitado Robson que, como disse aqui o confrade Sérgio Brandão, ser muito voluntarioso como ele é não é suficiente sem que ao mesmo tempo concorra a técnica.

Mas voltemos ao que disse o nosso treinador, cujo trabalho ainda não convenceu a torcida. .

Serenidade, virtude que segundo o treinador esteve em falta no jogo, é qualidade de manter equilíbrio emocional, calma e sangue-frio especialmente diante de situações adversas e estressantes. Líderes se mostram nos momentos difíceis, e nestes sem serenidade pouco lideram.

Então é de se perguntar: se é necessário, nas palavras do treinador, que os jogadores mostrem serenidade, por que ele não dá o exemplo? Quatro cartões amarelos e um vermelho em sete jogos (foram nove partidas, mas ele ficou suspenso em duas) é um feito quase que inigualável. Essa conduta certamente transmite instabilidade aos jogadores, como, aliás, transmitiu para o auxiliar técnico já “amarelado” também.

Não fosse o modo como é a relação trabalhista no mundo do futebol, qualquer empregador já teria punido o empregado pelo prejuízo de sua instabilidade emocional, pelo menos descontando os salários nas ausências.

Já que não dá para agir assim, vou pedir à direção uma providência simples: antes dos jogos faça o Antônio Oliveira tomar um bom chá de melissa.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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