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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Doce ilusão.

Vencer ao Athletico é sempre bom, a vitória no atletiba, eu já disse aqui, é o nosso orgasmo no futebol. Sou daqueles que quer vencê-los até mesmo no futebol de botão ou no par ou ímpar. E não importa se eles não usaram o time principal, o que ficará na história e na estatística é o resultado e não a circunstância.

Mas amigos muita calma nessa hora, vamos tomar cuidado para não nos iludir. Já leio e ouço afirmações de que finalmente o time “encaixou”, que o até ontem rejeitado treinador encontrou a formação ideal e que o elenco é bom desde que se saiba tirar dele o melhor.

Não é assim e nem o clássico assim retratou.

De um lado porque o histórico do Coritiba neste ano, exceto quando da apresentação contra o União Beltrão, não foi nada animador. Duas derrotas impossíveis de compreender, empates contra adversários menores e vitórias sem expressão salvo aquela. E de outro, porque, queiramos ou não, ontem jogamos contra um time de jovens imaturos, cujo média de idade é de dezenove anos enquanto a nossa é e vinte e oito nos. E mais, embora a diferença de capacidade técnica decorrente da experiência, não podemos deixar de observar que dois gols saíram em razão de erros grosseiros da defesa adversária e que o goleiro atleticano não é lá essas coisas.

Negativismo? Não, o diabo sabe muito mais por velho do que por sabido. Não podemos ver o Coritiba de ontem sem olhar para o retrovisor para saber até onde esse time pode chegar. O passado recente não recomenda tranquilidade, menos ainda euforia. Ainda falta muito para que possamos ter um time confiável para o próximo campeonato brasileiro (a esta altura sabe-se lá quando iniciará).

Comemoremos o resultado, mais uma vitória contra eles e com goleada, é disso que a história se lembrará daqui a anos e não da circunstância do jogo. Mas sem ilusões, tendo em mente que o Coritiba que queremos para o futuro imediato não é esse.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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