E quando setembro vier?
A equipe evoluiu muito, especialmente a partir da entrada do Mateus Sales que deu à zaga a segurança que o Vítor Carvalho dificilmente dava, assim como pelo encontro da melhor posição em campo do Juan Alano. Além disso, finalmente se observam jogadas que parecem organizadas e previamente trabalhadas.
A torcida voltou a encher o estádio, claro que muito em razão dos preços baixos dos ingressos, mas o que importa é que voltou e tem sido fator decisivo nos jogos em casa.
Temos, pois, motivos para otimismo para esperar, desta vez com alguma base, que poderemos retornar ao primeiro escalão do futebol brasileiro de onde espero nunca mais saiamos.
Então, a questão que vou lançar a seguir nada tem com pessimismo, mas é muito importante para saber se o sucesso em campo se manterá.
É que em maio último foi noticiado que em reunião com o Conselho Fiscal a direção do clube mostrou as preocupações que tinha com as receitas do clube, afirmando que só “teria saúde financeira para bancar as suas despesas por mais três meses” (relembre aqui), ao tempo em que registrava que fora formada uma comissão para buscar novos recursos para o clube.
Bem, os três meses estão se esgotando, e nesse interregno não se soube de nenhuma boa negociação ou patrocínio importante que gerasse ingresso de receita. A estratégia de marketing quanto ao preço dos ingressos foi uma boa decisão para levar o torcedor de volta ao estádio e poderá gerar novos associados e aumento na venda de produtos oficiais, mas isso a médio ou longo prazo, e de qualquer modo talvez insuficiente, por si só, para o equilíbrio da relação receita/despesa.
Soube que na semana que finda houve movimentação de dirigente buscando socorro perante coritibanos que não estão na direção, mas talvez a ela queiram ingressar na próxima gestão. Não sei se a investida foi bem-sucedida, mas o dado, somado ao que antes expus, pode preocupar. Se a partir do próximo mês não for possível manter a folha salaria em dia, será que isso não se refletirá na produção da equipe, sabido que é que há muito tempo a maioria dos jogadores de futebol não tem amor ao clube suficiente que permita esperar que jogue sem o dinheiro no bolso?
Para que a torcida sinta que a esperança reacendida se manterá e que o sucesso permitirá ao coritibano enxergar longe e por isso voltar a se associar, seria muito importante que a direção venha a público trazer a realidade, ou seja, se a dificuldade anunciada em maio permanece ou se foi atenuada. Até porque, se houver transparência e a equipe continuar no bom caminho, certamente parte da torcida saberá “perdoar” – esquecer acho que não - os erros da gestão e voltar a colaborar financeiramente com o clube.
Aguardemos setembro.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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