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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Fascismo e redução da maioridade penal.

Ganhamos o atletiba, nada melhor no futebol do que vencer ao principal rival e ainda na casa dele. Não importa se o adversário jogou com time alternativo, isso é assunto deles. Se não quiseram comparar o time que dizem ser o titular com o nosso, talvez tenha sido pelo temor do risco de sofrer um abalo muito grande caso derrotado pelo limitado time do Coritiba.

Tivemos alguns destaques, tais como a boa apresentação do Alan Costa, que depois de um inferno astral no ano passado, decorrente do “elástico” que levou na linha da pequena área, aos poucos vem mostrando segurança e bravura. Sávio vem confirmando as boas apresentações e o Giovani parece que tomará conta da armação do time. A apresentação do Sabino foi boa, vamos aguardar mais alguns jogos para firmar convicção. Talvez, se não fosse a tolice do João Vítor, ainda na metade da primeira etapa, o placar fosse maior ou pelo menos não sofreríamos a pressão da segunda parte do final do jogo.

Então vamos mais uma vez nos alegrar por vencer o rival. Mas muita cautela, amigos. O time não está bem ainda, dependemos da confirmação da qualidade de algumas reposições, e continuamos com o mesmo treinador com histórico ruim e que não desperta confiança. A direção tem que ter os pés no chão e saber que muito ainda tem que ser feito.

Sobre o imbróglio envolvendo a participação da nossa torcida no jogo, duas observações.

Em que pese o autoritarismo do dono do rival e a frouxidão do TJD, ao contrário do que muitos pensam tenho que a atitude de colocar inscrições na camisa foi infantil. A direção lutou para garantir o acesso da nossa torcida até onde pôde, há que se reconhecer, e não obteve êxito talvez em razão de que o Coritiba não é mais muito respeitado, mas agir como criança em bate-boca não nos dignificou.

Quanto a qualificar a atitude do rival como igual à prática fascista, a comparação é pertinente. Mas o presidente tem que ficar atento para o fato de que a prática poderia ser apontada também como comunista,ambas ideologias totalitárias, e é melhor não misturar futebol com pensamentos políticos. Espero que a atitude não tenha sido inspirada em manobra diversionista, a exemplo do que usaram e usam alguns governantes que direcionam o povo para um inimigo externo de modo que esqueçam temporariamente os graves problemas que enfrentam. Exemplo histórico foi a atitude do presidente Galtieri, da Argentina, que em 1982, diante de inflação descontrolada e caos social, decidiu declarar guerra à Inglaterra invadindo as ilhas Malvinas – ou Falklands – o que por algum tempo uniu o povo em face do inimigo externo, fazendo com que esquecesse os problemas, mas resultou em desastrada derrota.

Por fim, e para justificar o segundo título da coluna, comenta-se que o rival estaria apoiando reforma constitucional para diminuir a maioridade penal. Afinal, foram vítimas de um menor de 17 anos de idade no clássico.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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