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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Foi o nosso canto do cisne?



O canto do cisne é uma expressão criada na Grécia antiga para se referir à última tentativa de alguém fazer algo grandioso antes de morrer. Na verdade, o cisne nunca canta, por isso a metáfora.

Pois o Coritiba começou o semestre dando sinais de recuperação, com sequência de três vitórias e um empate e, carentes como somos há muito tempo, logo nos entusiasmamos, mas parece que em vão. Se contra o Botafogo ainda podemos admitir a derrota, ontem voltamos a ser aquele time não confiável que ficou por muito tempo sem nenhuma vitória e na lanterna do campeonato.

Foi uma péssima apresentação. Laterais muito mal – parecia que um sósia do Jamerson estava no lugar dele – meia cancha quase sem criar e o ataque simplesmente nada produziu.

Se por algum tempo o nosso tormento foi a zaga, agora é a falta de atacantes. Como disse um leitor em comentário aqui no site, se a ausência do Robson foi sentida pela equipe é porque pouco ou nada temos em termos de atacantes. O menino Kaio mais “cisca” do que produz, dos seus pés dificilmente sai uma jogada que resulte em finalização. Os novatos que ontem entraram foram um fracasso, destacando-se, mas pela barriga, o Edu (como pode um time de série A colocar em campo um jogador claramente gordo e sem mobilidade?).

Agora temos pela frente jogos em tese muito difíceis - na verdade para nós todos os jogos são difíceis - e, pelo que o time mostrou ontem, em uma de suas piores apresentações no ano, as perspectivas não são boas.

Nem sei mais o que falar. Vou ficando por aqui, não sem antes dizer que estou com medo, e não sem fundamento, de que aquela boa sequência no início do semestre tenha sido o nosso canto do cisne. Mesmo assim vou continuar a torcer para que o time novamente nos surpreenda e consiga um mínimo de performance que nos livre da tragédia do rebaixamento. Nos primeiros jogos sob o comando do Koloski o time mostrou que pode ser melhor do que o de ontem. A conferir.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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