COXAnautas - Coritiba Eternamente

26/08/18, 14h35 | Bola de Couro | Felipe Rauen

Intervenção.

Perde-se no tempo a história do momento em que Evangelino Neves assumiu a direção do Coritiba pela primeira vez, em 1967. Registro o que tenho na minha memória, parte obtida em pesquisa e parte em dados constantes da obra “O campeoníssimo”, de autoria de Vinícius Coelho e Carneiro Neto.

Na época, depois de uma gloriosa temporada sob o comando da dupla Aryon Cornelsen e Miguel Checchia, quando o clube conquistou seguidos títulos estaduais e deu início à construção das novas arquibancadas do então Belfort Duarte, o Coritiba viveu em período de vacas magras. Dirigentes se sucederam – Antônio Pattituci, Michel Zaidan, Reinaldo Dacheux Pereira, Leonardo Custódio e Lincoln Hey - e todos se se defrontaram com insucesso no futebol e dificuldades financeiras, ao ponto de por algum período as obras do estádio ficarem paralisadas.

Desde então o Coritiba viveu um longo jejum de títulos estaduais, o último obtido em 1960, ainda sob o comando da dupla Cornelsen-Checchia, com o de 1961 perdido por decisão da justiça desportiva em razão de inscrição irregular de um atleta. Em 1962 ainda ficou em segundo lugar, mas prosseguiu em decréscimo até que em 1966 ficou em 7º lugar, a pior campanha em disputas estaduais da história.

Pois no segundo semestre de 1967 o presidente Lincoln Hey se convenceu – ou provavelmente foi convencido – a se licenciar, e o Conselho Deliberativo elegeu Evangelino Neves, que vinha se destacando no cargo de diretor de relações públicas, para um mandato-tampão de presidente, o qual acabou se prolongando em sucessivas reeleições até 1979, repetindo-se de 1982 a 1987. Desnecessário lembrar o sucesso que foram essas gestões, nas quais o Coritiba viveu os seus melhores tempos e conquistou as suas maiores glórias e avançou substancialmente na construção do estádio.

A bela história que o Evangelino teve naqueles dois períodos infelizmente não se repetiu quando retornou ao comando em 1992 até 1995, encontrando o clube na segunda divisão do campeonato brasileiro e não obtendo nenhuma conquista no seu mandato*. Após derrota para o Matsubara, assim como aconteceu quando da sua assunção, premido também por uma crise financeira de grande proporção, Evangelino foi convencido a se afastar e a direção do clube foi assumida pelo triunvirato Mauad, Prosdócimo e Malucelli, que recolocou o clube na primeira divisão do campeonato brasileiro.

Esses dois episódios se constituíram em intervenções no clube quando, em que pese disposições estatutárias não permitirem o afastamento dos presidentes, os “cardeais” coritibanos os convenceram a se afastar, pelo bem da entidade, em ambas ocasiões com bons resultados.

Episódios importantes e fundamentais para a nossa história.

*O período de insucesso do Evangelino não apaga a sua belíssima história no comando do nosso clube. Será sempre o nosso campeoníssimo.

Debate

  • "A propósito, pensando em semelhanças históricas, hoje me parece muito mais com o caso Impeachment do Gionédis em 2006 quando o clube também estava correndo o risco de não subir. Impeachment que teve como um dos pivôs justamento o Evangelino - além de outros nomes que, na minha opinião, pouco agregaram ao clube, como Tico Fontoura e Francisco Araújo."

    Alysson A. | 28/08/18, 14h21

  • "Rauen, do que eu já ouvi falar, teve dedo do Evangelino em uma decisão da CBF pós-89 que nos beneficiou: acabaram com a série C (caímos para a série C em 1990) em 1991 e decidiram que naquele campeonato da Série B subiriam 12 (!!) times. Ficamos justamente em 12º. Daí o Evangelino assumiu para o período 92-95 no lugar do Jacob Mehl (o pior presidente que eu vi no Coritiba), mas caímos para a série B com o Chinês e lá ficamos. Conhece algo desses bastidores, Rauen?"

    Alysson A. | 28/08/18, 14h14

  • "Realmente são fatos de nossa bela história, principalmente construída pelo grande presidente Neves. Mas naquela época havia no clube uma "certa unanimidade" entre os diretores. Depois com o Neves acentuou-se. Poucas eleições tivemos com bate chapa. A maioria era por aclamação, sendo Neves o eleito.
    Hoje não. Temos várias correntes confrontantes no clube.
    Pedir para o nosso atual presidente sair, pedir licença até pode ser.
    Mas quem assume o clube?
    Me lembro muito bem do triunvirato. Nomes de respeito no clube.
    E hoje quem pode assumir o clube. Onde haverá concordância para isso.
    Nos tempos de hoje onde a demagogia no clube é fato, a humildade não entra."

    Dorvalino J. | 28/08/18, 13h09

  • "Muito boas lembranças Felipe! Eu acompanho o Coritiba desde os meus 10 anos de idade da época que o Evangelino assumiu o Coritiba, naquela época a gente com 10 anos de idade sabia o nome de todos os jogadores que formavam a equipe! Hoje você não consegue fazer a mesma coisa pois o time muda a cada jogo!"

    Antenor Nelson Gonçalves do Amaral | 28/08/18, 11h41

  • "AÇÃO PRÁTICA DO CONSELHO JÁ!!!"

    Thiago C. | 28/08/18, 00h33

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Equipe COXAnautas

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O Blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.

O Autor

Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro". Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Desde fevereiro de 2.009 é Cônsul do Coritiba em Porto Alegre. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

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